Politica

Novos partidos têm vida curta

Foram Sol de pouca dura os partidos que surgiram nos últimos 20 anos. Considerados fenómenos quando apareceram, o Partido da Solidariedade Nacional (PSN), o Partido da Gente e o MEP (Movimento Esperança Portugal) apresentaram-se como alternativas ao espectro político mais tradicional, mas nenhum resistiu até hoje.
Resta saber se a história se repetirá com o partido que Marinho Pinto deverá apresentar nas próximas semanas, ou com o movimento Nós, Cidadãos, que irá transformar-se em partido até ao final do ano e que esta semana divulgou o apoio de figuras como Rui Rangel e José Cid.

De um deputado a sete votos

O PSN nasceu em 1990 e rapidamente ganhou o rótulo de 'partido dos reformados'. O mote pegou e ajudou a eleger o líder, Manuel Sérgio, nas legislativas de 1991. O resultado de mais 96 mil votos dava esperança à nova força política, mas um mandato apagado na Assembleia da República acabou por fazer o PSN desaparecer do radar. Depois de em 1995 e em 1999 ter estabilizado numa votação de 0,21% nas legislativas, em 2002 o desaire foi completo: o Partido da Solidariedade Nacional conseguiu apenas sete votos e extinguiu-se.

Vida muito mais curta teve o Partido da Gente. Apareceu em 1995 - as únicas eleições a que concorreu - e foi extinto em 1999. Ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, teve problemas desde o início ao ver o logótipo rejeitado pelo Tribunal Constitucional por ter inicialmente um peixe associado aos cristãos. A confusão entre política e religião foi mesmo o calcanhar de Aquiles do projecto, que não foi além de 8.279 votos nas legislativas.

Também fugaz foi a passagem do MEP pelo espectro partidário. O movimento foi lançado em 2008 e acabou no final de 2012. Pelo meio, o maior feito foi o resultado nas europeias de 2009: Laurinda Alves não foi eleita, mas os mais de 52 mil votos que conseguiu faziam sonhar com um lugar no Parlamento. Só que a dinâmica perdeu-se e, nas legislativas desse mesmo ano, a votação caiu para metade.

Pedro Quartin Graça, que liderou o MPT (Movimento Partido da Terra), está agora a criar o Nós, Cidadãos e explica que este será “um último esforço cívico”. Se não resultar, sai de cena. Para já, tem a convicção de que quem entra nestas lides “ou é muito militante ou muito ignorante acerca das dificuldades”. Uma delas é a “falta de dinheiro” em partidos que não recebem apoios do Estado. Outra são as coimas da Entidade das Contas, que responsabilizam pessoalmente os líderes dos partidos grandes e pequenos. “Ainda tenho 2.500 euros para pagar por contas que apresentei em 2009, mas que vinham de um mandato anterior”.

As divergências internas em partidos de pequena dimensão são outro dos problemas. Foram elas que levaram Quartin Graça a sair do MPT e que estiveram na origem da dissidência de Marinho Pinto, segundo o próprio revelou. “A comissão política do MPT são cinco pessoas, todas aqui de Lisboa”, queixou-se o eurodeputado à Renascença, explicando que agora o objectivo é dar dimensão nacional ao seu projecto.

margarida.davim@sol.pt