Opiniao

O José Mourinho da gestão, António Costa e a PT: a derrota do socialismo à portuguesa!

A tragédia protagonizada pelo colapso do BES continua a ter as suas sequelas. Desta vez, trata-se de uma sequela gravíssima para a economia portuguesa: a desvalorização, a depauperização daquela que já foi a empresa estandarte da economia nacional, a PT. Colapso esse acompanhado pela queda de um mito da gestão, qualificado por muitos como o José Mourinho da gestão, dado como exemplo e estudado nas escolas de gestão e economia portuguesas: Zeinal Bava de seu nome. O que prova, mais uma vez, que a falta de sentido crítico de alguns sectores da comunicação social e o seu endeusamento de certas figuras, conduz sempre à desilusão dos portugueses e a perdas pessoais para os próprios visados. Porventura, qualquer semelhança entre o que aconteceu a Zeinal Bava e o que irá acontecer a António Costa não será pura coincidência. O líder socialista devido a esta glorificação excessiva levada a cabo por certa comunicação social, poderá ter o mesmo destino de queda vertiginosa que teve o  outrora mago da economia e gestão. 

Dito isto, a queda da PT (e do BES) deve levar a uma reflexão sobre a relação entre a economia e o poder político em Portugal. Muitos comentadores e intervenientes políticos aproveitaram logo a efeméride para vociferar contra o capitalismo, contra os mercados vorazes e cheios de apetite por empresas em estado de falência, contra a economia de mercado, esse Diabo que atormenta as sociedades do século XXI! Blá, Blá, Blá: a conversa fiada do costume da política portuguesa (ou melhor, da política à portuguesa). O Bloco de Esquerda – imagine-se ! – já veio afirmar que a PT deveria ser nacionalizada – e se a PT fosse uma empresa pública, a tragédia não teria sucedido! E têm razão? Pois, o problema é que o BE e os comunistas têm toda a razão: caso a PT fosse uma empresa detida exclusivamente pelo Estado, nada disto teria acontecido. Têm toda a razão, senhores comunistas e comunistas carinhosamente chamados de trotskistas! Se a PT fosse uma empresa pública, esta tragédia nunca teria acontecido: aconteceriam outras tragédias muito piores! Seria uma tragédia ainda maior! A PT, detida pelo Estado, seria um repositório autêntico dos boys do regime – porventura para dar um ar de “consenso nacional” com três ou quatro funcionários comunistas - , uma empresa sempre pronta a servir os interesses do poder, a reivindicar do mesmo poder político que a deteria um regime proteccionista, um monopólio mais ou menos disfarçado, com os seus administradores (amigos fiéis dos partidos políticos) a receberem remunerações principescas pela sua fidelidade às instruções dos respectivos “queridos chefes”. Enfim, a PT, empresa pública, seria uma bela empresa do regime, tão querida pelos funcionários e boys dos partidos políticos, cheia de ineficiências, de gastos inúteis e um verdadeiro esbanjador de dinheiro dos contribuintes! Ui, que maravilha seria a PT como empresa pública!

Esquece tal corrente de opinião – com epicentro na extrema-esquerda, mas com adeptos no PS da nossa política – que a solução de nacionalização seria curar a doença com a substância que a originou. O problema do BES e da PT prende-se com a omnipresença da política na tomada de decisões que deveriam ser guiadas exclusivamente por critérios de racionalidade empresarial! O problema da PT começou na utilização de capital da empresa para fazer fretes a amigos dos administradores e na vontade de os seus administradores de servir o poder político conjuntural. Sobretudo, de agradar ao Governo de José Sócrates. Percebe-se, em termos de racionalidade económica estrita, que Zeinal Bava e Henrique Granadeiro se tenham batido contra a aquisição da PT pela Sonae, empresa portuguesa sólida, e contra Telefónica – mas que Zeinal Bava já tenha considerado uma proposta fantástica a fusão com a operadora brasileira com a Oi. Oi que é uma empresa que nem sequer lidera o mercado das telecomunicações brasileiro: como afirmou já Marcelo Rebelo de Sousa, a fusão significou a vontade da PT jogar na segunda liga, em vez da primeira liga! Dir-se-á: pois, mas com a fusão, a PT teria a oportunidade de criar uma grande empresa de telecomunicações lusófona. Certo. Mas então há que concluir que o acordo de fusão e a vontade de criar um colosso de telecomunicações lusófono assentava em pés de barro: então, este mega projecto falha, cai por terra, logo pela descoberta (ou descoberta súbita aparente, visto que Granadeiro alega que os administradores da OI já tinham conhecimento) de um empréstimo da PT à Rioforte? Mas haveria outras formas de perseguir o mesmo sonho de uma operadora lusófona, apesar do empréstimo à Rioforte? O empréstimo teria de conduzir necessariamente à desvalorização da PT e á demissão de Bava? Pois…dá a sensação de que há muitos factos que não são do nosso conhecimento. A sensação exacta de que há muito dado escondido neste caso.

Conclusão: o problema da PT foi da intervenção excessiva do Estado e da politiquice na tomada de decisões dos administradores da empresa. Foi mais uma triste consequência do socialismo à portuguesa: meia dúzia de iluminados nos partidos políticos dividem entre si os cargozinhos e as influências nas maiores empresas e em tudo o que é poder. Portugal não precisa de mais nacionalizações ou de um modelo de capitalismo socialista: Portugal precisa de um verdadeiro sistema capitalista. A solução é, pois, definir com clareza o espaço de liberdade dos mercados e apenas dos mercados – e os casos em que o Estado, no exercício dos seus poderes de autoridade, sem compadrios nem representando subtilmente interesses privados, deve intervir. joaolemosesteves@gmail.com