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Fortuna com origem em 'luvas'

A fortuna de 20 milhões de euros que os investigadores da Operação Marquês julgam ter sido acumulada por José Sócrates enquanto assumiu responsabilidades no Governo terá sido, em parte, o produto de comissões ilegais recebidas em contratos realizados entre o grupo Lena e o Estado - apurou o SOL de fontes conhecedoras do processo judicial que levou à detenção do ex-primeiro-ministro, há uma semana.

É com estes fundamentos que foram já arrestados pelas autoridades 17 milhões de euros das contas de Carlos Santos Silva, que se suspeita serem na realidade de Sócrates. O restante, cerca de três milhões e meio, foi aplicado na compra e obras do apartamento no centro de Paris - um 3.º andar no n.º 15 da avenida Président Wilson, que está agora à venda por quatro milhões de euros.

O Ministério Público tomou a iniciativa de pedir o arresto dos 17 milhões de euros, como medida cautelar para proteger a posição do Estado relativamente aos impostos em falta, relativos ao crime de fraude fiscal.

Além do crime de corrupção passiva, o antigo chefe do Governo - que, por decisão do juiz Carlos Alexandre, foi colocado no estabelecimento prisional de Évora em prisão preventiva, a mais grave medida de coacção prevista na lei - está a ser investigado por suspeitas de branqueamento de capitais e fraude fiscal.

Também preso preventivamente encontra-se o seu amigo de infância, Carlos Santos Silva, ex-administrador do grupo Lena, que terá servido de seu testa-de-ferro dando o nome à conta no banco suíço UBS em que terá colocado inicialmente os rendimentos ilicitamente auferidos.

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felicia.cabrita@sol.pt

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