Politica

Novo líder da JSD: 'Não fomos nós que mandámos os jovens emigrar'

Estudante de Direito chega, aos 28 anos, à liderança da JSD, 14 anos depois de se filiar. Admirador de Passos, Cristóvão Simão Ribeiro não se coibiu de começar com um discurso crítico às políticas de Educação.

José Sérgio/SOL

Os jovens estão cada vez mais desligados da política?

Eu não acho que os jovens estejam afastados da política. Os jovens estão afastados é da forma como se organizam os partidos. 

Qual é o papel das juventudes partidárias?

O primeiro, de sensibilização junto da juventude para a necessidade de participação cívica e política. É preciso dizer claramente que sempre que um jovem qualificado e empenhado deixa de participar na vida pública o espaço é ocupado por pessoas menos boas. E também que, ao ter esse tipo de atitude, os outros decidem por ele. Em segundo lugar, é importante uma JSD que seja uma plataforma, que saiba ouvir os jovens, um fórum de discussão amplo.

Qual é a preocupação maior para os jovens?

O desemprego, o acesso às profissões, a relação da economia com a produção de conhecimento e a formação dos jovens. A emigração também. Para alguns, as questões mais fracturantes, os temas mais ditos de esquerda.

Quais são os temas fracturantes que ainda são prioridades?

A legalização da prostituição, a co-adopção ou a adopção plena por casais homossexuais. São temas que não me chocam de maneira nenhuma. Acho que a JSD deve ter sobre eles uma posição, mas carecem ainda de um debate interno.

Começou a intervenção no Congresso da JSD com uma crítica à colocação de professores…

É um problema crónico, não é deste ou de outro governo. E é algo para mim de extrema gravidade. Não consigo conceber como uma sociedade que se quer justa e evoluída trata tão mal uma classe tão importante.

O Ministério da Educação é aquele que está pior neste Governo?

Não. Nem sequer estava falar deste Ministério. O que acho é que a conduta de governo após governo não tem sido suficientemente vanguardista para pensar num modelo novo. Primeiro, de preparação do ano lectivo mais cedo, depois na autoridade do professor e terceiro, seja por via de uma maior autonomia das escolas ou não, de alteração do paradigma de colocação de professores.

Começou com uma crítica ao Governo, com o PM na sala. Vai retomar a tradição de líderes da juventude mais contestatários?

Não vim para a política para bater nas pessoas por bater. Agora, não tenho problema nenhum em alertar de forma crítica e violenta se for preciso seja o sr. PM, seja qualquer ministro.

Foi essa a postura do PM quando era líder da JSD…

Exactamente. Ele próprio tem uma quota parte de responsabilidade porque é uma das minhas inspirações. Outra coisa é perguntarem-me se confio no trabalho do senhor primeiro-ministro. Confio completamente. Mas, como toda a gente, comete erros.

Qual foi até agora o maior erro?

Não vejo erros de pecado capital. A colocação de professores é uma questão que já apontei. E o financiamento do ensino superior tem de ser completamente revisto.

Qual é o maior trunfo do Governo?

A seriedade e a política de verdade. O maior trunfo foi a consolidação orçamental e o equilíbrio das contas públicas, porque acredito que a médio prazo isso será fundamental para reduzir a carga fiscal das empresas, estimular a economia e gerar emprego.

Até onde vai a sua ambição?

A minha ambição é continuar a ser feliz no que faço. Gosto muito de fazer política, do meu partido e do meu país. Entrei para a JSD com 14 anos. Chego a líder nacional 14 anos depois. Passei por todos os lugares na JSD, fiz parte de muitos movimentos associativos e isto é uma coisa que deu trabalho. Mas foi passo a passo. Quando entrei não pensei que ia ser líder e até há bem pouco tempo nem sequer pensava nisso. 

Defende o voto aos 16 anos. Haveria muitos interessados em votar?

Isto é mais uma peça de um grande puzzle, juntamente com a reforma do sistema eleitoral. Se houver uma forte educação cívica, pode ser uma arma de combate à abstenção.

O caso Sócrates trouxe para o debate político a criminalização do enriquecimento ilícito. Qual é a sua opinião?

O enriquecimento ilícito é algo que vende. A sociedade está sequiosa desse tipo de medidas, porque sente que a classe política dos últimos 20 anos a defraudou. Agora, na questão jurídica isso é perigoso, porque seria inverter o ónus da prova. Acho que os políticos deviam ser condenados por actos de gestão danosa e negligência grosseira, deviam ser mais responsabilizados. Mas essa questão jurídica particular carece de maior cuidado antes de se iniciar o debate.

Os jovens que emigraram vão poder voltar?

Julgo é que a médio prazo podem voltar. Não podemos é desbaratar o esforço que os portugueses fizeram nestes últimos três anos. Não fomos nós que mandámos os jovens emigrar. A culpa é das Parque Escolar e PPP desta vida e de governos anteriores que deixaram o país na miséria e os jovens sem oportunidades.

margarida.davim@sol.pt