Politica

Banif divide Nóvoa e Marisa

A disputar o mesmo eleitorado, Sampaio da Nóvoa e Marisa Matias tinham no debate desta sexta-feira uma missão: explicar o que os separa. E não foi difícil. Bastou o tema ser a resolução do Banif. Nóvoa não hesitou a dizer que promulgaria o Orçamento Retificativo que permitiu a resolução, Marisa não o faria.

A disputar o mesmo eleitorado, Sampaio da Nóvoa e Marisa Matias tinham no debate desta sexta-feira uma missão: explicar o que os separa. E não foi difícil. Bastou o tema ser a resolução do Banif. Nóvoa não hesitou a dizer que promulgaria o Orçamento Retificativo que permitiu a resolução, Marisa não o faria.

Nóvoa explicou que "teria promulgado", porque "esta é a menos má das soluções " para a situação do banco por proteger a estabilidade e a confiança no sistema bancário, assegurando os depósitos.

Marisa Matias discorda. "Não é uma boa solução continuar a ir buscar o dinheiro dos contribuintes ", afirmou a candidata apoiada pelo BE.

A bloquista diz, de resto, que a posição do seu partido não entra em contradição com os acordos firmados com António Costa porque o Orçamento contra o qual o BE votou serviu para corrigir os erros do anterior Governo. "É uma política do passado", reforçou, explicando que os acordos à esquerda são para a "política do futuro ".

"Não me peçam para ser a candidata do medo, porque não o serei", disse Marisa, que acha que está na altura de "tirar a Constituição da gaveta".

Sampaio da Nóvoa, que sublinhou o facto de a sua candidatura não nascer do apoio de um partido, também põe a defesa da Constituição no topo das suas prioridades como Presidente e prometeu que a sua Presidência terá como objetivo "juntar e unir o conjunto das forças políticas".

Marisa Matias ensaiou aí o início de uma polémica, criticando um dos apoiantes de Nóvoa, Ramalho Eanes, por ter enquanto Presidente usado "as suas funções para criar um partido para atacar o PS".

A provocação não chegou, porém, para transformar num verdadeiro frente-a-frente aquilo que acabou por ser quase uma entrevista em simultâneo.

Os candidatos estão de acordo no essencial: Constituição e Tratado Orçamental são compatíveis, mas será sempre a lei fundamental a prevalecer sobre as regras europeias. E mais: o adversário de ambos é o mesmo, Marcelo.

Nóvoa acabou mesmo o debate a lembrar que o importante é que ambos se unam numa segunda volta contra o candidato do centro-direita. Com o tempo esgotado, o antigo reitor já não teve réplica da eurodeputada, mas ficou claro que nisso estão os dois de acordo.