Politica

PS. Socialistas desafiam Costa a responder aos ataques do Bloco

Direção do partido não pode ficar em silêncio, dizem alguns socialistas. Catarina Martins acusou o PS de ser “permeável aos grandes interesses”.

Os socialistas não gostaram de ouvir Catarina Martins acusar o PS de ser “permeável aos grandes interesses económicos”. Alguns militantes do partido lamentam que António Costa esteja calado e defendem que a direção do partido não pode deixar de responder aos ataques feitos pela coordenadora do BE.

Francisco Assis foi dos primeiros a insurgir-se contra a acusação feita por Catarina Martins. “Considero que este ataque violentíssimo merece uma resposta clara e incisiva por parte da direção do PS”, afirmou.

A posição do eurodeputado socialista foi aplaudida dentro do partido, mesmo por alguns defensores da geringonça. José Junqueiro, ex-deputado socialista, estranha que “a direção do PS não tenha reagido a uma afirmação tão desqualificada”. Fernando Jesus, deputado socialista, também concorda com Assis e considera a declaração da coordenadora do BE “condenável”. “Não posso deixar de lamentar esta atitude. O PS não pode ser menorizado desta forma e ficar calado”, referiu.

As críticas de Catarina Martins ao PS foram feitas na resposta a uma questão sobre a legislação laboral. A coordenadora do BE, em entrevista ao “Expresso”, neste sábado, deu vários exemplos para provar que os socialistas fazem cedências aos interesses económicos: “Isso vê-se na medida da energia, como se vê na recusa de mudar a legislação laboral, ou vê-se também na forma como continua a proteger o setor privado da saúde numa altura em que é tão necessário proteger o SNS.” Catarina Martins afirmou ainda que “o PS faz parte de um centro político que ao longo dos tempos promoveu a promiscuidade entre os grandes interesses económicos e a decisão política”.

A direção do PS optou por não responder às críticas do BE, mas vários socialistas demonstraram o seu descontentamento com esta entrevista. Até Manuel Alegre, um dos maiores defensores da geringonça, afirmou, em declarações ao “Diário de Notícias”, que “não é aceitável ter uma situação em que há dois partidos que passam a vida a dar lições de moral a um outro, que as recebe, calado”.

 

Sermões do Bloco

Outros socialistas reagiram de imediato. Ricardo Gonçalves, que sempre foi contra a aliança à esquerda, acusou o Bloco de tratar o PS de “uma forma arrogante”. Para o ex-deputado socialista, a direção do PS “devia responder a isto” porque “não é aceitável que nos façam estes ataques”. Álvaro Beleza, dirigente do partido nos tempos de António José Seguro, também entende que “já chega de sermões semanais do Bloco, como se fossem os guardiões da boa moral. O PS não recebe lições de ética política republicana de ninguém”.

A relação entre o PS e o Bloco tem tido altos e baixos. Um dos momentos mais delicados aconteceu na discussão do Orçamento do Estado para o próximo ano. O PS negociou com os bloquistas uma taxa sobre as energias renováveis, mas mudou de posição e acabou por chumbar a medida, o que levou a deputada Mariana Mortágua a acusar António Costa de “deslealdade”.

Catarina Martins assume que esta situação “cria um problema de diálogo com o governo”.

O assunto já tinha sido abordado pelo Bloco no debate parlamentar com o primeiro-ministro. “Um Estado de Direito é aquele que cumpre os compromissos com os seus cidadãos, uma república das bananas é aquela que faz os contratos sempre à medida dos grandes interesses económicos”, disse Catarina Martins.