Politica

Santana atira-se aos críticos de Rio

Santana Lopes passou a primeiro aliado de Rui Rio e foi duro com os que “tentam condicionar” o novo líder

Miguel Silva
Miguel Silva
Miguel Silva

“Não gosto de chico-espertismos”. Santana Lopes fez ontem levantar o Congresso do PSD num discurso em que apelou à reconciliação e atacou com virulência q.b. todos aqueles que ‘colocam prazos’ ao homem que se tornará presidente do partido este domingo.

“Eu não gostei de que te tentassem condicionar mal foste eleito e mesmo antes de tomares posse neste Congresso”, disse Santana, numa crítica que vai direitinha para a dupla Miguel Relvas/Luís Montenegro e para todos os que estipulam prazos ao novo líder. Santana referiu mesmo “quem deu entrevistas”, como o fez Relvas, em que declarou que Rio estava obrigado a ganhar as legislativas. Santana afirmou que dizia isto “porque gostava bem de ficar bem consigo próprio”. O discurso de Luís Montenegro tinha, afinal, marcado a tarde.

Santana apelou à união – o símbolo prático disso é ser o cabeça da lista ao Conselho Nacional apresentada pelo novo líder – mas disse querer “deixar claro que a iniciativa de convergência política coube ao nosso companheiro Rui Rio”.

As feridas da campanha foram enterradas entre os dois concorrentes. Santana multiplicou-se em elogios a Rui Rio, invocou as memórias do longo passado que têm em comum, as vitórias heróicas de 2001 (Rui Rio na câmara do Porto, Santana Lopes na de Lisboa), e até já mostra compreensão pela ideia de Rui Rio viabilizar um governo Costa: “Irmos por outro caminho pode fazer com que o voto útil vá parar ao PS com medo de que se abra espaço ao regresso dos partidos à esquerda”.

E, perito no assunto, avisou: “Ó Rui, perde-se o estado de graça num instante. Vão-te descobrir imensos defeitos. É assim a vida”. E, no entanto, para Santana, o seu partido acabou de “eleger um líder corajoso, que não tem medo, que teve coragem até quando anunciou a possibilidade de viabilizar um governo PS, que teve coragem ao defender a reforma da justiça, a seriedade na política”. Santana reconhece a coragem e reconhece também que “o combate é difícil”. “Se estivermos no essencial unidos vamos ser capazes”. O ex-adversário vai agora acompanhar o novo líder na “subida até ao Evereste”: “Acabaste de ser eleito. E se Deus quiser, vais ter muitos mandatos à frente do PPD/PSD”. Santana pediu mesmo que o partido “desse força” a Rio através da votação na lista para a Comissão Política, porque “para fora isso tem a sua importância”.

Afinal, o “importante é o nosso PPD/PSD”. “Por mim ganhar ou perder faz parte da vida”, disse Santana, levando o sentimento de solidariedade com o novo líder àquele extremo de que só Santana Lopes é verdadeiramente capaz: “Estou mais feliz ou ainda mais feliz do que se tivesse ganho ao ver este pavilhão cheio a apoiar Rui Rio”.