Politica

"Não há verdadeira democracia sem atenção às entidades estruturantes como as Forças Armadas”

No discurso das comemorações do 5 de Outubro, o Chefe de Estado recordou “mais de um século de lições úteis para todos nós”

No discurso do 5 de Outubro, Marcelo Rebelo de Sousa não falou diretamente do caso de Tancos, que envolve o ministro da Defesa Azeredo Lopes, mas deixou algumas mensagens sobre as consequências do "tratamento errado" das Forças Armadas.

Numa lição de história que começou há 100 anos, o Presidente da República lembro que em 1918 “as debilidades partidárias, o tratamento errado das Forças Armadas e a incapacidade para enfrentar crises económicas e sociais conduziram ao antiparlamentarismo e ao providencialismo de um homem num apelo ao estado pós-partidário que a si próprio chamava Republica nova”.

Para o Chefe de Estado “não há verdadeira democracia sem o permanente combate às desigualdades, à pobreza, à corrupção das pessoas e instituições, sem sistemas políticos dinâmico e gerador de alternativas e sem atenção às entidades estruturantes como as Forças Armadas”.

Num discurso de cerca de 11 minutos, Marcelo fez uma revisão década a década da história da República portuguesa – que contem “mais de um século de lições úteis para todos nós” – aproveitando para reforçar a necessidade que Portugal tem de “afirmar em permanência a qualidade da democracia, a inovação e proximidade do sistema político, a consistência do crescimento económico, a equidade dos sistema social, a capacidade para atrair os que não querem partir ou partiram e querem regressar para oferecer horizontes que nos poupem a tentações radicais, egoístas, chauvinistas ou xenófobas” de forma a que a Europa possa “demonstrar que quer um futuro muito diferente do passado de há 100 anos”.

Ainda para mais num ano próximo que traz consigo dois momentos eleitorais: as eleições legislativas e as europeias. “O voto poderá ser no ano que nos espera um caminho fundamental na Europa como em Portugal para expressar essa vontade coletiva” de criar “uma democracia cada vez mais forte e essencial para concretizarmos a verdadeira ideia para Portugal” de “ser uma plataforma entre culturas, civilizações, oceanos e continentes”. No entanto, Marcelo reforça que “não é o único caminho” lembrando que “todos os dias se constrói ou se destrói a democracia, o 5 de Outubro”.