Sociedade

IRA: Grupo que alegadamente envolve dirigente do PAN é suspeito de terrorismo

De acordo com a reportagem dos jornalistas Ana Leal e André Carvalho Ramos, o grupo de encapuzados que diz resgatar animais maltratados, acaba por roubá-los e faz perseguições armadas aos donos


Na última quinta-feira, uma reportagem da TVI deu conta de que Cristina Rodrigues, membro da comissão política do PAN e chefe do gabinete na Assembleia da República, está a ser investigada por alegadas ligações ao grupo Intervenção e Resgate Animal (IRA). Cristina Rodrigues está sob suspeita de ter participado em filmes de propaganda do grupo extremista de defesa dos animais.

Confrontada pela TVI, a chefe de gabinete, que nas últimas eleições autárquicas foi candidata à Câmara de Sintra, recusou-se a comentar o assunto e confirmou ser, enquanto advogada, representante legal do grupo e que chegou a assinar queixas contra a polícia.

Contudo, de acordo com a reportagem dos jornalistas Ana Leal e André Carvalho Ramos, o grupo de encapuzados que diz resgatar animais maltratados, acaba por roubá-los e faz perseguições armadas aos donos, entrando nas suas casas e ameaçando de morte quem os enfrenta. A TVI acrescenta ainda que o IRA está a ser investigado pela Unidade de Contraterrorismo da Polícia Judiciária e pelo Ministério Público por terrorismo, assalto à mão armada, sequestro, entre outros crimes.

Teresa garante ser uma das vítimas do grupo. No seu testemunho à TVI relata os momentos de terror que viveu ao tentar recuperar uma égua que o grupo lhe roubou.

“Foi o terror, ameaçaram que nos cravavam a carrinha a tiro (...) Iam-me matando a mim, ao meu marido e à égua (...) Eles não respeitavam sequer o animal”, referiu, acrescentando que o grupo decidiu atuar por considerar que Teresa tratava mal o animal. Contudo, a mulher estava apenas a reabilitar a égua. Após os vizinhos chamaram a polícia, o grupo fugiu, mas regressaram dias mais tarde à sua casa.

“Há um incentivo a que sejam cometidos atos de violência e onde se alimenta a ideia de justiça pela própria mão, cometendo com isso todas as injustiças e crimes possíveis e imaginários”, referiu Paula Neto, que diz também ela ser vítima do IRA.

Um dos fundadores do grupo durante a reportagem aparece de cara tapada, característica do grupo. É segurança, faz parte da claque Juve Leo, participou no grupo de extrema-direita 1143 e tentou entrar para a PSP.

“Somos versáteis”, defendeu.

André Silva, deputado único do PAN na Assembleia da República, que segue o grupo no Facebook, negou “qualquer tipo de relação” do partido com o grupo extremista, negando ainda ter “conhecimento” da forma como o IRA atua. “Eles não recebem qualquer tipo de dinheiro, eles nunca pedem qualquer tipo de dinheiro”, disse o deputado à TVI acabando por defender a atuação da associação.

O IRA publicou entretanto uma mensagem nas redes sociais a refutar a reportagem da TVI. "Não temos filiação política, mas a partir de hoje apoiaremos e partilharemos intervenções do PAN. Obrigado TVI, por nos mostrarem quem pelos vistos anda a fazer mossa neste país", escreveram sobre o trabalho jornalístico que consideram um "claro ataque ao PAN".