Sociedade

Mulher portuguesa casada com membro do Daesh acusa Governo de lhe virar as costas

Portuguesa tem 25 anos e está a viver há mais de um ano no campo  de refugiados das Nações Unidas, na Síria.


Vânia Cherif é uma mulher portuguesa, de 25 anos, casada com um militante do Daesh e, há mais de um ano que vive num campo de refugiados das Nações Unidas, uma vez que o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal afirma precisar de mais tempo para “ponderar” sobre este caso e saber se pode – ou não – regressar a casa.

A portuguesa já tinha lançado um apelo ao Governo, através de um pedido de ajuda, agora, esta terça-feira, a sua mãe, Delfina Lopes, tentou falar com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, mas quando chegou ao Palácio de Belém,  foi recebida apenas por uma representante da Casa Civil, tendo ficado indignada com a situação.

“Esperava ser recebida pelo senhor Presidente, a senhora [da Casa Civil com quem falou] foi muito simpática e muito amável, mas a única coisa que me disse foi que está tudo nas mãos do primeiro-ministro e do senhor Santos Silva”, contou a mãe de Vânia, citada pelo Notícias ao Minuto.

A mãe da jovem, caso o Governo não resolva a situação em breve, garante que avança para uma greve de fome em frente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros. “Não há mais tempo porque há duas crianças que estão em perigo de vida. Não dou mais tempo! Façam o que quiserem. Eu não saio daqui, nem que me tenha de colocar à porta do ministério e faça uma greve de fome”, disse.

De acordo com a SIC, fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros disse que está a par da situação “difícil em que se encontram algumas nacionais portuguesas”, e acrescentou que este caso levanta questões “relevantes e sensíveis de segurança nacional”, sendo por isso necessário “ponderar” sobre esta situação.

“Não temos nenhuma pinta de terroristas, de fazer atentados ou lá o que vocês estão para aí a pensar. A única coisa que queremos é voltar para Portugal (…). Todos cometemos erros e merecemos uma segunda oportunidade e como portuguesas que somos, Portugal tem de nos vir cá buscar. Muitos países já vieram cá. O único país que ainda não veio foi Portugal. É uma vergonha Portugal não ter vindo ainda aqui”, disse a jovem portuguesa, citada pelo Notícias ao Minuto.

Vânia foi para a Síria em 2015 com o companheiro, que está atualmente detido, depois de ser ter juntado ao Daesh.