Internacional

Netanyahu quer anexar colonatos na Cisjordânia

As declarações do primeiro-ministro são vistas como uma maneira de ganhar apoio da extrema-direita, em véspera de eleições

As eleições israelitas estão à porta, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tentou mobilizar a sua base eleitoral de direita, este sábado, com a promessa de anexar os colonatos na Cisjordânia, estabelecidos à margem dos tratados internacionais em vigor. Ainda este domingo o ministério da Defesa israelita anunciou planos para construir 3600 casas em território ocupado, expropriando terras privadas palestinianas para a sua construção. 

Quando questionado numa entrevista ao Channel 12 News sobre porque não tinha ainda estendido a soberania israelita aos colonatos, como fez com Jerusalém Oriental e os Montes Golã, Netanyahu respondeu: “Quem diz que não o faremos? Vamos nesse sentido e estamos a discuti-lo”. O primeiro-ministro acrescentou: “Se está a perguntar se vamos seguir para a próxima fase - a resposta é sim, vamos. Vou estender a soberania [israelita] e não distingo entre blocos de colonatos e colonatos isolados”.

Mais 400 mil israelitas vivem hoje na Cisjordânia, entre 2,9 milhões de palestinianos, muitos dos quais viram as suas habitações destruídas para dar lugar a colonatos. Netanyahu reforçou: “Não irei transferir a soberania para os palestinianos”.

Apesar da condenação da maioria da comunidade internacional, a impunidade com que tem violado convenções internacionais parece ter incentivado Netanyahu, que sabe poder contar com o veto dos Estados Unidos na ONU, para impedir sanções. Apesar de todas as administrações norte-americanas terem apoiado de algum modo Israel, Donald Trump foi o primeiro a reconhecer a soberania israelita sobre Jerusalém Oriental e os montes Golã.

Contudo, Netanyahu luta internamente pela sua sobrevivência política, com eleições marcadas para esta quarta-feira. O primeiro-ministro enfrenta a justiça devido a um escândalo de corrupção, que lhe pode custar muito apoio. O principal adversário do primeiro-ministro, o centrista Benny Gantz, ganhou destaque nas últimas semanas, devido às suas credenciais enquanto antigo chefe do Estado Maior, algo com grande peso na sociedade israelita.

Vários comentadores desvalorizarem as promessas do primeiro-ministro, assumindo que não será cumprida após as eleições. Mas muitos relembram que Netanyahu disse, antes das eleições de 2015, que nunca iria estabelecer um Estado palestiniano, revertendo o apoio a uma solução de dois Estados. Precisamente o que aconteceu. “Toda a gente pensou que era conversa eleitoral. Mas durante quatro anos ele foi, passo a passo, cumprindo a missão a que se propôs. Na minha opinião ele vai anexar os colonatos”, afirmou Touma-Suleiman, deputado israelita pela coligação árabe Haddash-Ta’al.

Contatado pelo i, o conselheiro da Embaixada palestiniana em Portugal, Fadi Alzaben, condenou as propostas de Netanyahu como uma “flagrante violação de todas as convenções internacionais e resoluções das Nações Unidas”. Alzaben acrescentou que Israel não pode “estar acima da lei”, pedindo seja alvo das mesmas sanções que seria qualquer outro Estado. 

O representante palestiniano qualificou o Estado português como “defensor da paz”, e relembrou que “sempre esteve ao lado da legitimidade internacional e solução dos dois Estados”. Alzaben apelou que a União Europeia tome uma posição conjunta, “para proteger a solução dos dois Estados”,  que considera “a única opção para uma paz justa na região”. Quanto à anexação dos colonatos, questionou-se: “Onde será estabelecido o Estado palestiniano, com esta tomada de terras?”.