Sociedade

GNR manifesta descontentamento perante chamada aos serviços mínimos da greve dos motoristas

"Utilizam guardas para fazer uma coisa que não devem fazer" afirmou presidente da Associação dos Profissionais da Guarda

O Governo chamou motoristas de pesados da PSP, GNR e militares das Forças Armadas para a realização de uma formação de modo a que estejam aptos a conduzir veículos de matérias perigosas em caso de greve dos motoristas, sendo que esta está prevista para o próximo dia 12 de agosto. No entanto, os operacionais da GNR já manifestaram o seu descontentamento e César Nogueira, presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG), explicou que enviarão um ofício ao Governo a mostrar a sua posição. "Em primeiro lugar a questão nem está em que eles [guardas] não estejam aptos ou não tenham a formação adequada. Mas utilizam guardas para fazer uma coisa que não devem fazer”, esclareceu Nogueira em entrevista à agência Lusa.

No decorrer da mesma conversa, o dirigente da APG deixou claro que existem "os serviços mínimos e até a requisição civil, que quando se faz é com pessoas que fazem disso um modo de vida. Não se chamam polícias para conduzir camiões, ainda mais com matérias perigosas, isso não aceitamos". Nogueira confessou que a informação veiculada e aquela que recebeu não correspondem: "Vão [os militares] lá adaptar-se ao veículo, ao camião, não vão tirar qualquer tipo de formação" acrescentando que os operacionais "no Alentejo foram lá 20 minutos ouvir um senhor de uma empresa dar uma palestra e foram-se embora".

Recorde-se que o Governo decretou, na quarta-feira, serviços mínimos entre 50% e 100% para a greve. Serão de 100% para abastecimento destinado à Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA), portos, aeroportos e aeródromos conectados a serviços prioritários, assim para abastecimento de combustíveis para instalações militares, serviços de proteção civil, bombeiros e forças de segurança. Os 75% destinam-se a transportes públicos e 50% nos postos de abastecimento para clientes finais.