Sociedade

Ensino Superior. Medicina já não é o que era, há mais estrangeiros e politécnicos ganham terreno

Arranca amanhã a segunda fase de acesso ao ensino superior, com 6734 vagas por preencher - a maioria são fora das grandes cidades. Saiba tudo sobre os resultados desta primeira fase

O ensino politécnico está a ganhar terreno ao ensino superior universitário. Nesta primeira fase, o número de alunos colocados em institutos politécnicos aumentou 1,9% acima do crescimento dos colocados no ensino superior em geral, que se fixou em 1,2%.

Os números mostram que na primeira fase de acesso ao ensino superior, dos 51 mil candidatos a uma vaga no ensino superior, foram colocados 44500 (87,2%) – 27280 em universidades e 17220 em institutos politécnicos. O número de colocados nesta fase supera assim o do ano passado, que tinha sido 43992, e representa o quarto maior valor da última década.

Maioria das vagas da segunda fase fora de centros urbanos
Para a segunda fase sobram 6734 vagas, o menor número dos últimos anos – e a grande maioria destas vagas, quase cinco mil, são fora dos grandes centros urbanos. É que apesar de se verificar um aumento das vagas nestas instituições como forma de incentivo e de até se ter assistido a um ligeiro aumento das colocações, estas continuam a não ser atrativas. Um bom exemplo disso é o Instituto Politécnico de Bragança que viu sobrarem 1246 vagas das 2042 que abriu.

Outras centenas de vagas ficaram sem ninguém nos politécnicos de Viseu, Castelo Branco, Guarda, Viana do Castelo, Leiria, Setúbal e Tomar.

Em Lisboa e Porto sobram poucos lugares
Já a preferência pelas universidades e politécnicos de Lisboa e Porto foi novamente evidente. Na capital, o ISCTE e a Nova ficaram com todas as vagas preenchidas, já a Universidade do Porto e o politécnico do Porto apenas têm em conjunto três dezenas de lugares ainda vagos.

Neste primeira fase mais de metade dos alunos ficou colocado na primeira opção, cerca de 22% na segunda opção e 12% na terceira.

Medicina já não é o que era. Engenharia Aeroespacial foi o curso com média mais alta
Com o aumento de vagas nos 15 cursos com médias mais altas  – Medicina é um caso diferente, tendo mantido as vagas – poderia esperar-se uma diminuição das médias de acesso. Mas nem a maior oferta fez com que esse cenário se verificasse, sendo poucos os cursos que ficaram com uma média de acesso mais baixa do que a de 2018.

Este ano o curso com média mais elevada foi Engenharia Aeroespacial, do Instituto Superior Técnico, em Lisboa – 18,95 valores. O segundo curso com maior média mora na mesma instituição – Engenharia Física Tecnológica, com 18,88 valores. Aliás, este ano o curso de Medicina, na Universidade do Porto, surge apenas em quinto lugar, com o último aluno a entrar com 18,5 valores. Segundo os dados divulgados este fim de semana pelo Ministério  da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior houver dois cursos de Medicina a ficar fora dos 20 cursos com médias mais elevados.

No outro lado da tabela há perto de uma dezena de cursos em que o último colocado teve 9,5 valores.

40% mais alunos estrangeiros e a "afirmação de Portugal"
Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, este ano aumentará 40% a presença de estudantes internacionais nas universidades e politécnicos nacionais, sendo expectável que superem os 40 mil. Uma situação que segundo a tutela vem confirmar a “afirmação internacional do ensino superior em Portugal”. A a maioria dos estrangeiros vem do Brasil.

Segunda fase arranca amanhã e resultados são conhecidos dia 26
A segunda fase arranca amanhã, até ao próximo dia 20, sendo os resultados das colocações da segunda fase conhecidos no dia 26. Há ainda vagas para perto de três centenas de cursos do total de mil existentes em Portugal.