Politica

Joacine revela mensagens de ódio que recebe no telemóvel

Recebe ameaças no telemóvel mas é através das redes sociais que chegam os insultos mais chocantes.

A única deputada do Livre, Joacine Katar Moreira, garante que recebe muitas mensagens de ódio e ameaças no telemóvel.

Durante uma entrevista ao Expresso, Joacine chegou mesmo a mostrar um dos exemplos dos insultos que recebe diariamente. "És uma fraude. És preta. Não serves para nada, mesmo morta”, lia-se numa das mensagens que recebeu no telefone.

Eleita para o Parlamento ganhou uma notoriedade que antes não tinha e com ela vieram mais ameaças e ofensas, explicou a deputada. Contudo, é nas redes sociais que o tom de ódio ainda mais sobe.

Uma breve visita à sua página torna óbvio que são muito mais os que a criticam e atacam do que os que a defendem.

Só no post sobre o seu primeiro dia na Assembleia, o SOL identificou dezenas de comentários depreciativos do seu desempenho, com destaque para a polémica recente que começou com a abstenção num voto sobre a Palestina, alguns espelham apenas desagrado, mas há os que verdadeiramente passam para lá da linha do democraticamente aceitável.

“Vai para o buraco de esgoto onde nunca devias ter saído. Estás onde estás porque as pessoas acharam piada à tua gaguez falsa, isso é que é mau. Larga o parlamento porque para chulos já há lá muitos. Sua porca nojenta deslavada”, escreve um comentador.

“Depois de deixar aqui um comentário realista sobre esta palhaça, devo dizer que o Facebook queria restringir a minha conta. Contudo continuo a dizer que está gaja e p....tá que só está a roubar o nosso país. Ela que vá para a terra dela. Só faz merda ela que vá para a p....tá que a pariu”, lê-se noutro comentário.

“Racista ... Xenófoba !!! Uma palhaça ! Rua contigo ... ao pontapé era pouco!”, ou “Joacine faz te á vida vai trabalhar talvez no teu país de origem possas ser alguém respeitada e não , não estou a ser racista porque tenho amigos "pretos" e eles sabem que não o sou mas aqui em Portugal só dizes e fazes merda”, lê-se ainda.

Sublinhe-se que a deputada é a protagonista da polémica mais recente da política portuguesa, com Joacine e o partido que a elegeu em desacordo assumido, e cujos contornos já levaram à saída de um membro fundador do Livre.

Os desentendimentos tornaram-se públicos após a deputada ter-se abstido de um voto de condenação de “uma agressão israelita” em Gaza. De sublinhar que o tema da Palestina é uma das causas mais importantes do Livre, segundo o próprio partido.

O partido fundado por Rui Tavares criticou publicamente o sentido de voto de Joacine e daí até à troca de acusações de falta de lealdade de uns e falta de solidariedade de outros foi um instante.

Esta terça-feira, o complicado enredo ganhou novos contornos com o assessor da deputada única a pedir a um elemento da GNR para a escoltar, evitando assim responder a perguntas de jornalistas.

O episódio levou o presidente da Assembleia da República a pedir esclarecimentos sobre a situação. Pouco depois chegava a clarificação de que os militares só devem agir em causa da segurança de um deputado estar em causa, o que também foi explicado não ter sido o caso.

(Os comentários reproduzidos nesta notícia foram copiados na íntegra sem qualquer edição)