Economia

Ricardo Serrão Santos. "Não houve casos de covid no setor das pescas"

Ministro do Mar reconhece que a procura da sardinha abrandou com o cancelamento das festas dos Santos Populares, tal como aconteceu com outro tipo de pescado. Ricardo Serrão Santos admite que já estamos a ter a perceção de que é preciso investir nos oceanos e acredita que a próxima década vai ser de diferenciação na forma como vamos usar os oceanos no contexto da economia, no combate à pobreza, no combate à fome.

No anterior Governo este Ministério tinha a gestão dos portos. Sente que ao ter perdido esta pasta, a missão do Ministério do Mar ficou um pouco vazia?

O Ministério do Mar é concebido como Ministério intersetorial, de interceção com os outros Ministérios e mantemos uma cotutela sobre os portos e a marinha mercante com o Ministério das Infraestruturas. Acho que é uma das soluções possíveis. Os portos e a marinha mercante ficaram com as Infraestruturas e acho que estão lá muito bem. Nós mantemos os portos de pesca, de recreio e as marinas. Temos um diálogo que é bom e foi uma opção que não me incomoda nada.
Acaba por ‘livrar-se’ um pouco das ‘dores de cabeça’, pois há sempre questões críticas, como o caso dos estivadores que são sempre dossiês difíceis de lidar...Para resolver ‘dores de cabeça’ estamos cá todos para colaborar. Não me furto à necessidade de haver cooperação e é isso que fazemos, havendo um cotutela dos portos com o Ministério das Infraestruturas.

Mas mantém os portos de lazer e recreio. É um dossiê mais tranquilo?
É difícil avaliar. Estamos num momento muito particular. Nunca estive em nenhum Governo, num cargo executivo, e passaram-se os primeiros dois/três meses e entrámos na covid, em que as urgências são todas de outro tipo e os problemas são inesperados. A atenção toda tem sido em tentar colaborar no sentido de mitigar os impactos e resolver as situações, no dia-a-dia, relacionadas com o abalo que todo o setor social e económico veio a sofrer. Ou seja, nunca governei em situações normais, em que a economia estava a funcionar como em outros tempos.

E estamos também a falar do turismo, que é uma das aéreas mais afetadas pela covid-19....
Foi um golpe tremendo e, eventualmente, fará rever a nossa política relativamente ao turismo, no sentido de apostarmos num turismo de sustentabilidade, de natureza e também de interior e de costa. O turismo é um dos setores muito importantes de Portugal, o país tem um interior lindíssimo e, agora talvez leve as pessoas a descobrirem outras aéreas do interior, que também é importante. Uma das apostas deste Governo é a coesão territorial, mas vai ser difícil. Vamos ver como tudo isto se vai recompor.

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