À Esquerda e à Direita

Empresários que descobrem pérolas escondidas

Mas será que Jorge Mendes, e os outros empresários, são os únicos visionários que descobrem pérolas que os outros não descortinam? Mistérios. Mas o mistério é ainda maior quando se sabe que há agentes que quase são donos de clubes, onde têm às pazadas de jogadores.

O mundo do futebol é uma caixinha de surpresas e nem com hackers a coisa muda. Mas vamos a exemplos práticos. Eu se comprar um apartamento sou obrigado a declarar o que paguei ao proprietário bem como a comissão que coube à agência, no caso de ter havido esse serviço. No futebol, o negócio é outro. Vendem-se jogadores por milhões de euros e raramente se sabe quanto calhou ao empresário. Talvez por isso o filho de um famoso presidente leve jogadores para o clube do pai e raramente se fica a saber quanto é que ganhou com os jogadores que na maioria dos casos acabam nem jogar no FC Porto. Mas os exemplos obscuros são uma prática comum a todos os clubes. O que me deixa perplexo é como grandes clubes internacionais precisam de agentes para comprarem jogadores. Um exemplo: o Barcelona não sabia do talento de Trincão, o jovem do SC Braga que foi adquirido por 31 milhões de euros, que renderam sete milhões à agência de Jorge Mendes?

Mas será que Jorge Mendes, e os outros empresários, são os únicos visionários que descobrem pérolas que os outros não descortinam? Mistérios. Mas o mistério é ainda maior quando se sabe que há agentes que quase são donos de clubes, onde têm às pazadas de jogadores, ganhando rios de dinheiro com as mudanças de emblema dos craques. Resumindo: qual a razão para as autoridades do futebol e das finanças públicas não obrigarem clubes e agências a revelarem todos os pormenores dos contratos que assinam? Terão receio de acabarem com algumas comissões-fantasma?

O país caminha alegremente para a sobrelotação dos hospitais devido à covid-19, mas o desporto faz agora força para que os jogos tenham espetadores – à semelhança de outras atividades como a música, cinema ou teatro. Nenhum amante de futebol gosta de ver estádios vazios quando 22 artistas andam atrás da bola, mas escolher esta época do ano, inverno, para forçar a barra para ter adeptos nas bancadas parece-me um suicídio.

Alguns países que abriram as portas ao público já foram obrigados a fechá-las de novo, esperemos que Portugal não se veja obrigado a fazer o mesmo. Em Inglaterra, por exemplo, os clubes já tiveram reuniões para antecipar cenários:_se o campeonato for interrompido com determinado número de jogos já realizados, pode apurar-se o vencedor e as equipas que vão às competições europeias, caso contrário as decisões serão outras – mas para todos os efeitos já estão a imaginar que poderá haver outro confinamento.

É por essa razão que acho que não devemos fomentar grandes ajuntamentos, seja nos estádios, em Fátima, na Ribeira ou no Cais do Sodré. Com o número de infetados a subir bastante, qual a razão para contribuir para mais casos? A economia não pode fechar e já chegam as condições em que os trabalhadores se deslocam para o trabalho em transportes públicos com muito mais pessoas do que seria desejado. Façamos antes festas nas esplanadas, com a devida distância, para ver os jogos que mais nos emocionam.

P. S. A diretiva por uma linguagem inclusiva nas Forças Armadas até podia ter a melhor das intenções, mas era um disparate total. Apetece dizer para se deixarem de mariquices e continuarem a marchar. No liceu dizíamos essa expressão dezenas de vezes e ninguém ficava ofendido. À força de tanto quererem ser corretos, só dão força aos Venturas da vida, pois o comum dos mortais começa a ficar farto dessa ditadura da inclusão ou lá o que é. Sempre respeitei toda a gente e nunca precisei de nenhum manual de inclusão.

vitor.rainho@sol.pt