À Esquerda e à Direita

Porque ficam todos negativos ao fim de 10 dias?

Alguém já conseguiu explicar a razão para há uns meses ninguém ter alta sem fazer testes que dessem negativo, e agora, como que por artes mágicas, todos ficamos ‘curados’ ao fim de dez dias?

Há muito tempo que não estou com pessoas de quem muito gosto, mas a pandemia e o medo fizeram com que assim seja. É, pois, natural que o nosso olhar sobre o mundo seja diferente, pois temos vivido muito menos. Quem está confinado não tem, seguramente, uma visão muito alargada do mundo. Digamos que o planeta se resume a quatro paredes e a um ecrã televisivo para muito boa gente.

E essa gente e a outra que tem trabalhado fora de casa não está preparada para tantas contradições como as que surgiram no último ano. Não vamos já falar na história das máscaras que não ajudavam a conter o vírus e por aí fora. Dizem os cientistas que a verdade de hoje pode ser a mentira de amanhã, já que estão sempre a aprender. Eu confesso: não consigo aprender com tanta desinformação. Vamos a um dado concreto. Alguém já conseguiu explicar a razão para há uns meses ninguém ter alta sem fazer testes que dessem negativo, e agora, como que por artes mágicas, todos ficamos ‘curados’ ao fim de dez dias?

Quando todos temos conhecimento de casos que ficaram mais de um mês positivos, qual a razão para agora todos ficarem negativos ao fim dos tais dez dias – se não apresentarem sintomas, é certo.

Mas vamos a mais factos inauditos. Depois do forrobodó inicial com as ‘trambicanas’ da vacinação, fala-se agora que aqueles que forem vacinados indevidamente podem ser condenados a cinco anos de prisão. Quererá isto dizer que os políticos jovens e saudáveis que sejam vacinados podem ir dentro, como dizem os mangas? A facilidade com que passamos do oito ao oitenta neste país deixaria até um extraterrestre banzado. Mas Ferro Rodrigues seria capaz de defender a um ET que mil políticos e afilhados devem ser vacinados à frente de doentes de risco e de profissionais de saúde e de segurança. O presidente da Assembleia da República, como dizia um amigo meu, tornou-se uma espécie de Conselheiro Acácio, da obra O Primo Basílio, de Eça de Queiroz, que «já só se preocupa com formalidades e protocolos, que perdeu todo o sentido político da ação e dos princípios éticos».

 

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