Politica

Belém. Partidos querem desconfinar, mas com prudência e rigor

PS diz que há condições para iniciar um processo “lento” e “gradual”. Páscoa com medidas rigorosas para evitar erros do passado.

É consensual entre os partidos políticos que existem condições para desconfinar a partir da próxima semana. O Governo vai anunciar hoje as novas regras depois de os partidos terem concordado com a ideia de que o plano de desconfinamento deve prever a reabertura das atividades de uma forma gradual e cautelosa.

“Há condições para iniciar um processo lento, gradual e rigoroso de desconfinamento”, disse, após a reunião com o Presidente da República sobre a renovação do estado de emergência, o secretário-geral-adjunto do PS. José Luís Carneiro não abriu o jogo sobre as novas medidas, mas defendeu que o plano “deve ter flexibilidade para corrigir medidas e para recuar se for necessário”.

O PS alertou também que durante a Páscoa vão ser necessárias medidas mais rigorosas. Nesse período “deve haver uma maior rigidez no controlo de movimentos dos cidadãos”, disse José Luís Carneiro.

Rui Rio também não entrou em detalhes sobre as atividades que devem reabrir já. O presidente do PSD considera que o desconfinamento deve avançar de “forma faseada e por regiões”. Para o PSD, é fundamental que o alívio das restrições seja acompanhado por “uma testagem em massa para evitar que tudo volte atrás”.

 

Escolas e cabeleireiros

Já Catarina Martins, do BE, entende as creches, o pré-escolar e o primeiro ciclo devem reabrir já na próxima semana. “Tem de se iniciar o desconfinamento de uma forma cautelosa, mas este é o tempo”, disse a coordenadora dos bloquistas.

Jerónimo de Sousa, do PCP, defendeu, na reunião por videoconferência com Marcelo Rebelo de Sousa, que é preciso estar atento “ao agravamento da situação económica e social”. O secretário-geral do PCP voltou a alertar que é preciso “criar condições” para a reabertura de atividades como “os cabeleireiros, barbeiros e pequeno comércio”.

O PAN defendeu que o Governo deve apresentar um plano “muito claro” para ser compreendido por todas pessoas. André Silva considera que “há condições” para a reabertura”. O deputado e porta-voz do PAN defendeu ainda que “não faz sentido que que se possibilite a confluência de dezenas e centenas de pessoas, por exemplo, nos hipermercados, e que não se permita a abertura de barbeiros e cabeleireiros, onde estarão uma, duas três pessoas, no máximo”.

O CDS também defendeu que o comércio deve ter uma abertura gradual e progressiva. Francisco Rodrigues dos Santos entende que o Governo deve dar “prioridade ao ensino presencial” a seguir às férias da Páscoa. “O plano de desconfinamento deve ser claro, cauteloso e faseado”, afirmou o líder do CDS.

O líder e deputado da Iniciativa Liberal acusou o Governo de estar “muito atabalhoado” e “muito atrasado” na implementação do plano de desconfinamento. André Ventura, no final da reunião com Marcelo, garantiu que pediu “mais clareza” para evitar “a confusão” que já aconteceu em situações semelhantes.