Suzana Garcia. “Um erro que se vai voltar contra o PSD”, diz Pacheco Pereira

Candidatura foi aprovada por unanimidade e deverá ter o apoio do CDS. Francisco Rodrigues dos Santos “não levantará obstáculos”.

A candidatura de Suzana Garcia nas eleições autárquicas está longe de ser consensual dentro do PSD. A decisão foi aprovada por unanimidade na Comissão Política Nacional, mas alguns sociais-democratas não gostam de ver o partido associado a uma candidata que tem posições próximas do Chega.

Pacheco Pereira, ex-líder parlamentar do PSD, classificou a decisão da direção do partido como “um erro, como foi o acordo dos Açores, que se vai voltar contra o PSD”.

No programa Circulatura do Quadrado, na TVI24, o comentador político, que integra o Conselho Consultivo do Conselho Estratégico Nacional, considera que a advogada fez “declarações inaceitáveis”, nomeadamente na forma como se referiu Mamadou Ba, dirigente do SOS racismo. “O problema está na linguagem. A linguagem é a do Chega e a linguagem do Chega é a do populismo dos nossos dias”, afirmou.

A candidata do PSD à Câmara da Amadora, numa entrevista à revista Sábado, classificou Mamadou Ba, como “um traidor da minha Pátria e do meu legado cultural”.

Outra das posições polémicas da ex-comentadora está relacionado com a castração química. José Silvano, secretário-geral do PSD, garantiu, porém, que as afirmações públicas da advogada não afetam “os valores essenciais do PSD”.

José Eduardo Martins já tinha manifestado o seu desagrado com esta candidatura, antes da decisão da direção nacional. O ex-deputado do PSD considerou, esta semana, que Rui Rio “joga a sobrevivência na liderança do PSD nas próximas autárquicas e por esta altura já só contam os votos”.

No programa Sem Moderação, no Canal Q e TSF, José Eduardo Martins apontou contradições nas escolhas de Rui Rio. “A soma destas coisas todas dá uma pessoa que me parece um bocadinho desnorteada à procura de um qualquer critério para sobreviver à noite das eleições autárquicas”, disse o ex-dirigente social-democrata.

 

“Castração política do PSD”

O vice-presidente do PSD, David Justino, desvaloriza as críticas. “O problema não é a castração química. É a objetiva e reiterada tentativa de castração política do PSD por parte do ‘main stream’”. Não conseguiram!”, escreveu o ex-ministro da Educação, no Twitter, depois de o partido ter anunciado que a candidatura foi aprovada por unanimidade.

O CDS deverá apoiar a candidatura de Suzana Garcia à Câmara Municipal da Amadora, de acordo com o Observador. Os dois partidos estão ainda em negociações, mas os centristas estão disponíveis para uma coligação. O i apurou que se for essa a vontade da estrutura local, a direção “não levantará obstáculos”. Nas últimas eleições autárquicas, em 2017, o CDS, liderado por Assunção Cristas, rompeu a coligação com os sociais-democratas em Loures, devido às declarações de André Ventura sobre a comunidade cigana.

 

Banho de ética

A esquerda aproveitou a candidatura de Suzana Garcia para colar o PSD a André Ventura. “Rui Rio prometia um ‘banho de ética’, mas foi uma banhada. O oportunismo eleitoral do PSD é quem abre a porta ao extremismo de direita”, escreveu, nas redes sociais, o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares. A socialista Isabel Moreira também considerou que esta escolha mostra que o PSD “quer mesmo morrer”.