Internacional

EUA. Democratas "imploram" que Biden responsabilize Israel

Democratas estão a pressionar o Presidente para responsabilizar Israel pela violência contra a Palestina e para assegurar uma paz duradoura.


Após dias de massivos ataques aéreos israelitas à Faixa de Gaza, que resultou na morte de pelo menos 230 palestinianos, antes do cessar-fogo, mais de 500 dirigentes democratas assinaram uma carta aberta ao Presidente Joe Biden, onde lhe pedem que responsabilize Israel pelas suas ações, e para fazer mais para proteger os palestinianos.
A atitude do Presidente dos EUA perante o mais recente capítulo do conflito Israel-Palestina foi bastante criticada, nomeadamente depois de Biden afirmar que Israel “tinha o direito à autodefesa”, após o país ser alvo de rockets do Hamas provocado um total de 12 mortes.

Na carta aberta, é possível ler que os signatários, apesar de elogiarem “os esforços [de Biden] para intermediar um cessar-fogo, não podem deixar de ver a violência horrível que se desenrolou nas últimas semanas em Israel-Palestina”. Acrescentando: “Imploramos que continue a usar o poder do seu cargo para responsabilizar Israel pelas suas ações e estabeleça as bases para a justiça e a paz”.

Apesar de condenarem a violência de ambos os lados do conflito, este grupo de democratas enfatiza o facto de Israel possuir um maior poder militar e a continua ocupação das comunidades palestinianas.

“Enquanto os israelitas podiam passar a noite escondidos em abrigos de bombas, os palestinianos na Faixa de Gaza não tinham onde se esconder. É importante reconhecer o desequilíbrio de poder – as forças militares altamente avançadas de Israel que ocupam a Cisjordânia e Jerusalém Oriental e bloqueiam a Faixa de Gaza estão a criar uma prisão a céu aberto inabitável”, cita o Guardian.

A carta aberta, assinada inclusive por dirigentes da campanha de Biden, para as eleições presidenciais do ano passado, revela uma crescente cisão entre os democratas: de um lado existe uma ala mais progressista, com figuras como a congressista Alexandra Ocasio-Cortez, especifica o Guardian, e do outro estão “figuras mais centristas”, onde se inclui o Presidente, que tem uma postura pró-Israel, escreve o jornal inglês.

Na última quarta-feira, diversos congressistas democratas tentaram bloquear a venda de armas no valor de mais de 700 milhões de dólares (cerca de 570 milhões de euros) a Israel, contudo a iniciativa não resultou.

“Se muitas vozes, incluindo a do Presidente Biden, apoiam um cessar-fogo, não devemos enviar armas de ‘ataque direto’ ao primeiro-ministro [Benjamin] Netanyahu para prolongar a violência” na região, disse Alexandria Ocasio-Cortez, na altura desta proposta.

Blinken no Médio Oriente O chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, iniciou esta terça-feira uma viagem ao Médio Oriente, onde irá tratar de pressionar israelitas, palestinianos e outros atores regionais, de forma a solidificar o cessar-fogo alcançado na semana passada em Gaza.

A primeira paragem fez-se no aeroporto Ben Gurion, onde Blinken se reuniu com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu. E revelou que os Estados Unidos pretendem evitar que o Hamas beneficie da ajuda à reconstrução da Faixa de Gaza.

“Vamos trabalhar de perto com os nossos parceiros para nos assegurarmos de que o Hamas não beneficie da ajuda à reconstrução”, declarou Blinken numa conferência de imprensa conjunta. Acrescentando que, mais tarde, os Estados Unidos iriam anunciar uma contribuição. 

Por sua vez, Netanyahu regressou às ameaças e alertou que no caso de “o Hamas interromper a calma e atacar Israel a nossa resposta será muito poderosa”.