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R Kelly acusado de abusar de jovem de 16 anos que conheceu durante julgamento por pedofilia

Terá dito que o facto de a jovem ser virgem era “uma coisa boa” e que a ia “treinar” para o “satisfazer sexualmente”. A testemunha contou ao tribunal que conheceu R Kelly aos 14 anos, quando foi assistir a uma audiência do julgamento por pedofilia que o rapper enfrentou, em 2008, e do qual acabou por ser considerado inocente.


R Kelly está acusado de violar uma fã de 16 anos que conheceu durante o seu julgamento por pedofilia, em 2008. Terá dito que o facto de a jovem ser virgem era “uma coisa boa” e que a ia “treinar” para o “satisfazer sexualmente”.

O rapper norte-americano começou a ser julgado na quarta-feira em Brooklyn, Nova Iorque, por 22 crimes, incluindo exploração sexual infantil, produção de pornografia infantil, extorsão e obstrução da justiça. 

A primeira testemunha do julgamento foi uma mulher, de 29 anos, que revelou que teve relações sexuais com o cantor em 2009. De sublinhar que nos Estados Unidos a idade a partir da qual se pode considerar, em termos legais, que uma criança ou adolescente tem capacidade para consentir um ato sexual é aos 17 anos.

A testemunha contou ao tribunal que conheceu R Kelly aos 14 anos, quando foi assistir a uma audiência do julgamento por pedofilia que o rapper enfrentou, em 2008, e do qual acabou por ser considerado inocente.

No entanto, só o conheceu pessoalmente aos 16 anos durante uma festa e revela que o rapper a reconheceu do tribunal. Depois de dizer ao cantor que tinha 19 anos, terá sido convidada para ir até à sua mansão uns dias mais tarde. Lá ele ter-lhe-á dito para vestir o seu fato de banho e desfilar.

Os dois acabaram por se beijar e R Kelly terá feito sexo oral na jovem. Segundo revela a própria, foi nesta altura que se começou a sentir “desconfortável” por ter mentido sobre a sua idade e lhe mostrou o seu cartão de identidade.  

“O que é que isto é suposto querer dizer?”, terá questionado o rapper, dizendo para “continuar a dizer que tem 19 anos e a agir como se tivesse 21”. A mulher revela ainda que R Kelly “lhe tirou a virgindade”, algo que “ele gostou” e lhe disse que o facto de ser virgem era “uma coisa boa” e que a ia “treinar” para o “satisfazer sexualmente”.

As relações sexuais continuaram durante meses e o cantor terá filmado alguns dos encontros. A testemunha afirma que tinha de “seguir regras muito restritas”, que incluíam não poder usar roupas largas, ter de lhe chamar “Papá”, e não poder comer ou utilizar a casa de banho sem a sua autorização.

As relações acabariam por terminar em 2010, quando rapper “bofeteou e sufocou” a jovem “até desmaiar”.

Segundo a acusação, o rapper “usou a sua fama, poder e conhecimentos”, bem como “mentiras, manipulações, ameaças e agressões” para controlar as suas vítimas, a maioria jovens fãs ou aspirantes a cantoras, que conheceu nos seus concertos.

“O arguido rapidamente percebeu que podia tirar vantagem dos seus acessos – e assim fez”, afirmou uma das advogadas de acusação.

O cantor, de 54 anos, está acusado de 22 crimes, incluindo exploração sexual infantil, produção de pornografia infantil, extorsão e obstrução da justiça. Durante anos, liderou uma empresa composta por gerentes, guarda-costas e outros funcionários que o ajudaram a recrutar mulheres e jovens para relações sexuais.