Sociedade

Funcionária da Junta de Freguesia de Benfica denuncia "assédio laboral" e inicia greve de fome

Funcionária está em greve de fome desde quinta-feira. É técnica superior, desde 2018, e trabalha há 33 anos na autarquia, mas diz que “cada vez mais” lhe dão “funções inferiores”.


Glória Novais trabalha na Junta de Freguesia de Benfica, em Lisboa, há 33 anos e desde 2018 que trabalha com a categoria de técnica superior, mas diz que a autarquia “cada vez mais” lhe dá “funções inferiores”. "Sou técnica superior, só que cada vez mais me dão funções inferiores", disse à agência Lusa.

A executar funções de “assistente técnica”, a funcionária pública decidiu entrar em greve de fome na quinta-feira e está a dormir à porta da Câmara Municipal de Lisboa como forma de protesto.

"Não acho justo que agora, ao fim de 33 anos, eu tenha de me ir sentar numa cadeira onde iniciei funções como assistente operacional e, nessa altura, tinha o sexto ou sétimo ano de escolaridade" explicou à agência de notícias.

Glória começou a trabalhar no Centro Clínico da Junta de Freguesia de Benfica e decidiu depois ir estudar, tendo frequentado cinco anos de faculdade, para passar a técnica superior, cargo que conseguiu sete anos depois de ter terminado a formação.

Já a Junta de Freguesia de Benfica disse à Lusa que "não corresponde à verdade que as funções atribuídas à trabalhadora, no Centro Clínico da Junta de Freguesia de Benfica, se reportem à categoria profissional de assistente técnica" e que Glória Novais, como técnica superior, tem atribuídas "tarefas de índole social, administrativa e institucional".

A autarquia revelou ainda que a funcionária está de baixa médica desde 19 de junho último até à próxima segunda-feira e que a mesma “tem comparecido às consultas de medicina do trabalho e tem sido sempre dada como apta para desempenhar as suas funções, sem qualquer restrição, o que aconteceu também na última consulta, em 19 de abril”.

À agência noticiosa, Glória confirmou que está de baixa médica devido a uma depressão e que está a ser acompanhada, mas tal não a impede de lutar por aquilo que considera ser “assédio laboral”.

"Os meus colegas técnicos superiores que estiveram no Centro Clínico nunca fizeram o trabalho que me estão a mandar fazer, eram trabalhos mais específicos de técnico superior, e eu quero esses direitos iguais", sublinhou.

De realçar que a renumeração de Glória Novais é como técnica superior, segundo a própria, mas “não pode aceitar” que lhe sejam atribuídas “funções cada vez mais inferiores” àquelas que é “capaz de fazer”.