Economia

'TAP voltará a dar lucro', promete ministro

Pedro Nuno Santos diz que ‘o plano de reestruturação da TAP está a ser cumprido e os resultados estão a ser melhores até do que estava previsto’. Companhia voltou a registar prejuízos.


por Daniela Soares Ferreira e Sónia Peres Pinto

O ministro das Infraestruturas e da Habitação não queria mas lá acabou por dizer. «Disse que não ia dizer nada sobre a TAP, mas não resisto. É a vida», atirou Pedro Nuno Santos assegurando que «o plano de reestruturação da TAP está a ser cumprido e os resultados estão a ser melhores até do que estava previsto».

O governante não tem dúvidas de que «estamos no caminho certo para que a empresa possa ser viável e continuar a servir a economia nacional».

Pedro Nuno Santos garantiu ainda que «há um plano de reestruturação que foi negociado com Bruxelas e que está a ser cumprido e é esta a primeira apreciação que se faz perante a apresentação de contas da TAP». E acrescentou: «Se o plano de restruturação for cumprido com todas as suas metas, isso quer dizer que a TAP em pouco tempo voltará ao lucro, ou seja, será uma empresa que dará lucro». E diz que «não vai haver nenhum problema. Antes pelo contrário, a TAP passará a ser um ativo importante que contribui para a economia nacional».

E deixou o aviso de que não se pode esquecer que «apesar de a TAP ser uma empresa com capitais públicos, tem uma administração e toma decisões de gestão que devem ser respeitadas no quadro de autonomia da sua equipa», decisões de gestão que diz não falar por não ser «a pessoa mais indicada para o fazer».

 

TAP com prejuízos

Recorde-se que esta semana a companhia aérea anunciou os resultados do ano passado, tendo contado com um prejuízo de quase 1.600 milhões de euros, apesar do aumento do número de passageiros transportados e das receitas relativamente ao ano anterior. A companhia de aviação explica que «a primeira metade de 2021 foi marcada por severas restrições à mobilidade doméstica e internacional devido à pandemia de covid-19, levando a uma imobilização quase total dos aviões da companhia aérea durante vários meses», já em relação «ao longo do segundo semestre, foi-se verificando a reabertura gradual das fronteiras, apesar de dois dos principais mercados da TAP, Brasil e EUA, só terem retomado os voos internacionais com Portugal durante o último trimestre do ano».

No final de 2021, com a aprovação do Plano de Reestruturação e com o objetivo de concentrar a TAP no negócio do transporte aéreo, foi tomada a decisão de alienar ou encerrar algumas das participadas, nomeadamente a TAP ME Brasil, «cujo desempenho histórico se tinha refletido em crescentes perdas acumuladas», diz a empresa.

A transportadora aérea nacional explica que registou custos não recorrentes de 1.024,9 milhões - por exemplo, com o encerramento das operações de manutenção no Brasil – que tiveram impacto nos resultados.

A empresa diz ainda que as receitas operacionais atingiram os 1.388,5 milhões de euros, um aumento de 328,4 milhões (+31,0%) em comparação com as receitas operacionais de 2020.

A TAP nota ainda que a guerra na Ucrânia tem originado impactos macroeconómicos relevantes, em particular ao nível dos mercados de financiamento internacionais, nomeadamente de subida das taxas de juro, bem como do aumento do preço dos combustíveis, incluindo do jet fuel, «que registou um crescimento de mais de 30% desde o início do conflito, e de um conjunto de bens e serviços o que tem originado uma crescente inflação».

 

Ryanair aponta o dedo

Entretanto a Ryanair voltou a apontar o dedo à CEO da TAP depois de Christine Ourmières-Widener ter revelado que não escolheria uma low cost para ficar com os slots que vai ter de ceder no aeroporto de Lisboa por prejudicar a economia. «A CEO da TAP sabe menos sobre economia do que sobre administrar uma companhia aérea lucrativa», disse Michael O’Leary.

Na semana passada, a empresa garantiu que, apesar de estar a registar reservas «muito fortes» para o verão em Portugal considera que «é inevitável» que os preços dos bilhetes aéreos aumentem, «principalmente das outras» transportadoras, devido à atual situação mundial. Ainda assim, «a Ryanair está numa situação bastante favorável, na medida em que cobrimos cerca de 80% do nosso combustível até março de 2023 [comprado] a entre 64 e 73 dólares por barril, pelo que pelo menos comprámos o nosso combustível».

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