Politica

Quem é o novo líder do PSD?

Com percursos muito diferentes mas que se cruzam no consulado de Pedro Passos Coelho, Luís Montenegro ou Jorge Moreira da Silva, um dos dois será hoje eleito 19.º presidente do PSD.


Este sábado é dia de eleições diretas no PSD onde se vai conhecer o novo líder do partido, sucedendo a Rui Rio. Nofinal da campanha mais morna dos sociais-democratas dos últimos anos, sem debates nem grandes polémicas entre os candidatos, o Nascer do SOL dá a conhecer Luís Montenegro e Jorge Moreira da Silva.

Partem do mesmo pressuposto de modernizar o partido, apontam à vitória nas várias eleições até às legislativas de 2026, e revelam-se mais conservadores do que Rio em matérias como a eutanásia e a regionalização. Mas as diferenças ficam à vista no posicionamento do partido e nas linhas vermelhas para futuras governações. Um destaca-se por ter estado no centro do combate político nos anos conturbados da troika, o outro reclama a capacidade de entregar resultados nas várias funções que já desempenhou, dentro e fora do país.

Seja ele quem for, o próximo líder da oposição terá de concretizar o desígnio de voltar a construir uma alternativa de governação credível ao PS.

 

Montenegro, o agregador do espaço não socialista

Nascido a 16 de fevereiro de 1973, no Porto, no seio de uma família social-democrata, Luís Filipe Montenegro Cardoso de Morais Esteves envolveu-se pela primeira vez na atividade política ainda muito novo, numa visita ao Estádio das Antas para assistir ao seu primeiro comício político da Aliança Democrática, onde segurou na mão uma bandeira do PPD.

Cedo percebeu que tinha um interesse pela causa pública, tendo iniciado a sua atividade partidária no concelho que o viu crescer, primeiro na JSD de Espinho – estrutura local a que presidiu entre 1994 e 1996 –, e mais tarde na Câmara Municipal de Espinho, enquanto vereador, de 1997 a 2001.

Nas autárquicas de 2005, chegou mesmo a candidatar-se a presidente do município, mas acabou derrotado por José Mota, do PS.

Deputado durante 16 anos consecutivos, sempre eleito pelo círculo de Aveiro, sentou-se no plenário da Assembleia da República pela primeira vez em 2002, quando Durão Barroso era presidente do PSD e primeiro-ministro de Portugal.

Em 2010 assumiu o lugar de vice-presidente do grupo parlamentar, na direção de Miguel Macedo. Um ano depois, após a vitória de Pedro Passos Coelho nas legislativas, subiu à liderança da bancada social-democrata e foi, com Nuno Magalhães, na altura líder parlamentar do CDS-PP, o rosto na defesa da coligação de direita durante os anos da intervenção externa da troika em Portugal.

Nas disputas internas, esteve ao lado de Luís Filipe Menezes, em 2007, como seu mandatário distrital. Em 2008, foi porta-voz da candidatura à liderança de Pedro Santana Lopes, contra Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho, tendo depois em nova disputa interna, em 2010, apoiado Passos Coelho, contra Paulo Rangel e José Pedro Aguiar-Branco.

Em 2018, apoiou a candidatura de Pedro Santana Lopes contra Rui Rio. Nesse mesmo ano, abandonaria o Parlamento, por divergências com o sucessor de Passos Coelho.

Numa altura em que Rio estava prestes a completar um ano à frente do partido, desafiou-o a ir a eleições. Mas as diretas só viriam a acontecer no ano seguinte, com Luís Montenegro a candidatar-se pela primeira vez à liderança do PSD, mas perdendo para o oponente, depois de uma inédita segunda volta.

Desta vez, foi o primeiro a apresentar-se como candidato, partindo em larga vantagem para o terreno na conquista de apoios. Elegendo como prioridade acabar com a perpetuação do PS no poder, rejeita a retórica da cerca sanitária ao Chega, procurando agregar o espaço não socialista. Como principal medida interna quer criar o Movimento Acreditar para reunir contributos de militantes e da sociedade civil para o programa eleitoral que quererá apresentar nas legislativas de 2026, ambicionando ter tudo pronto a divulgar em 2024.

Aos 49 anos, o social-democrata licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa, assume-se como o «sucessor de Pedro Passos Coelho», tendo na mira chegar ao cargo de primeiro-ministro.

 

Moreira da Silva, o unificador dos sociais-democratas

Famalicense, escritor, de olhos postos no futuro, mas com uma costela conservadora, Jorge Manuel Lopes Moreira da Silva nasceu a 24 de abril de 1971.

Sucessor de Pedro Passos Coelho na liderança da JSD, cargo que exerceu entre 1995 e 1998, é ainda hoje figura indissociável do passismo.

Passou pela primeira vez pelo Parlamento entre 1995 e 1998, como deputado eleito pelo círculo de Braga, avançando depois para o plano europeu ao integrar as listas do PSD às europeias de 1999. Foi eurodeputado durante cerca de quatro anos, ocupando-se de temas relacionados com o ambiente, em particular, as alterações climáticas – ainda hoje uma das suas mais importantes bandeiras.

Acabaria por deixar o Parlamento Europeu para assumir, entre 2003 e 2004, o cargo de secretário de Estado adjunto da ministra da Ciência e do Ensino Superior, Maria da Graça Carvalho, durante o Governo de Durão Barroso.

Quando Pedro Santana Lopes ficou a chefiar um novo Executivo, na sequência da saída de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia, entre 2004 e 2005, assumiu a pasta de secretário de Estado adjunto do ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, Luís Nobre Guedes.

Entre 2005 e 2006, foi novamente deputado, desta vez pelo círculo de Lisboa. Depois foi consultor do Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, nas áreas da Ciência e Ambiente, tendo ainda desempenhado funções como conselheiro do Banco Europeu de Investimento (BEI) e da Comissão Europeia.

A aproximação a Passos Coelho consumou-se quando o apoiou e colaborou na sua primeira candidatura à liderança do PSD, derrotada por Manuela Ferreira Leite.

Dois anos depois, em 2010, Passos Coelho candidatou-se novamente, desta vez saindo vencedor contra Paulo Rangel e Aguiar-Branco, tendo Moreira da Silva apoiado novamente a candidatura, para depois vir a integrar a equipa de direção do PSD, como um dos seus vice-presidentes.

Em março de 2012, já com Passos na chefia do Governo, subiu a primeiro vice-presidente do PSD e ficou com a coordenação da direção nacional do partido.

Antes disso, fundou, em 2011, a Plataforma para o Crescimento Sustentável. Chegou finalmente a ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, em 2013, tutela que ficou a seu cargo até 2015.

Licenciado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, exerceu, entre 2016 e 2022, as funções de diretor da Cooperação para o Desenvolvimento na OCDE, em Paris. Nesse âmbito, liderou o Secretariado do Comité de Ajuda ao Desenvolvimento. Cessou estas funções, a 14 de abril de 2022, de forma a poder candidatar-se à liderança do PSD.

Propõe-se a liderar o PSD como se de uma startup se tratasse: tecnológico, aberto a todos os sociais-democratas e liberais-sociais e assente numa política de fiscalidade verde para um futuro de crescimento sustentável.

Também traça como meta chegar a primeiro-ministro, nem que para isso tenha que criar o seu próprio governo-sombra, ao estilo britânico, para fazer marcação aos ministros de António Costa. Até lá compromete-se a ganhar todas as eleições antes das legislativas de 2026.

Quanto ao posicionamento do partido, não admite dialogar «em qualquer circunstância», com forças «extremistas, racistas, populistas ou xenófobas» como o Chega.

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