Internacional

Putin cede e reabre corredor marítimo

O isolamento do Kremlin é cada vez mais notório, acabando a dar meia volta e permitir a venda de cereais ucranianos. O russos até tiveram de ir buscar munições à Coreia do Norte.


No rescaldo de um ataque com drones marítimos contra a frota russa no Mar Negro, o Kremlin ameaçou quebrar o acordo de permitir o transporte e venda dos cereais ucranianos, desesperadamente necessários para evitar a escassez alimentar pelo mundo fora.

Mas Vladimir Putin acabou por ceder, após consultar Recep Tayyip Erdogan, Presidente da Turquia, que tem servido como intermediário entre Kiev e Moscovo. O incidente tem sido apontado como sinal da fragilidade do líder russo, cada vez mais isolado na arena internacional, enquanto as suas forças são acusadas no campo de batalha, face a contraofensivas ucranianas coordenadas com ações de guerrilha. 

A concessão de Putin surgiu após uma mera promessa que forças ucranianas não usariam o corredor das Nações Unidas para transporte de cereais de maneira a atingir a frota do mar Negro. “A Federação Russa considera que as garantias recebidas de momento parecem suficientes e volta a implementar o acordo”, lia-se num sucinto comunicado do Ministério da Defesa da Rússia, esta quarta-feira, após a suspensão do acordo desde o fim de semana.

Já Putin – talvez por perceber que a comunidade internacional para a próxima não levaria tão a sério ameaças – desdobrou-se em promessas de afinar a máquina de guerra russa. Isto num momento em que o país tenta mobilizar os seus gigantescos recursos humanos para os lançar no campo de batalha da Ucrânia, através de uma mobilização militar parcial.

“As armas devem ser constante e continuamente melhoradas e continuar eficientes”, declarou o Presidente russo, citado pela agência Reuters. “Para alcançar isto, repito, é importante garantir que há competição ativa entre fabricantes”.

No entanto, há indícios de que a indústria da defesa russa pode não estar a aguentar a crescente procura. Não só o Kremlin já teve que ir buscar drones kamikaze ao Irão, os Shahed-138, como estará no processo de aquisição de mísseis balísticos de médio alcance. E ainda esta quarta-feira a Casa Branca anunciou que a Rússia comprou “um número significativo” de munições para artilharia à Coreia do Norte.

O transporte terá sido disfarçado para “parecer como se estivesse a ser enviado para países no Médio Oriente ou Norte de África”, explicou John Kirby, o porta-voz do conselho nacional de segurança americano. Que prometeu que a chegada de armamento norte-coreano “não vai mudar o rumo da guerra”. 

Se partes da linha da frente russa têm dado de si, como se assistiu a sudeste de Kharkiv ou nos arredores de Kherson, “ataques de guerrilheiros ucranianos estão a obrigar o Kremlin a tirar recursos para longe de operações de linha da frente para ajudar a proteger áreas de retaguarda”, lia-se no mais recente relatório do Instituto para o Estudo da Guerra, que confirmou a ocorrência de dezenas ataques à bomba, assassinatos e atos de sabotagem. “Degradando a capacidade da Rússia se defender contra as contraofensivas ucranianas em curso, quando mais para conduzir as suas próprias operações ofensivas”, explicava.

Mesmo o ataque contra a frota do Mar Negro evidenciava uma mistura entre guerrilha e guerra convencional. Foi levado a cabo por 16 drones, nove no ar e sete no mar, atingindo  navios no porto de Sevastopol. Pelo que se vê nas imagens, parece que os drones marinhos foram produzidos modificando jet skis comerciais, apontam analistas. Algo que parece inaugurar uma nova era de combate naval.

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