‘Excluído? Eu não’, garantem Marcelo e Santana

Nem Marcelo nem Santana querem assumir que ficam excluídos do perfil ideal para a Presidência traçado por Cavaco Silva. Marcelo garante que ter sido líder da oposição durante a adesão ao euro faz de si um candidato com experiência em política externa. Santana Lopes assegura que o currículo como primeiro-ministro e secretário de Estado da…

‘Excluído? Eu não’, garantem Marcelo e Santana

O prefácio do Roteiros IX, divulgado esta segunda-feira no site da Presidência, aponta um perfil para um próximo inquilino de Belém, que inclui um pré-requisito obrigatório no entender do actual Presidente: «domínio da política externa».

Sem currículo internacional, Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Santana Lopes pareciam, à partida, excluídos deste perfil. Isto, até os próprios virem, poucas horas depois de publicado o prefácio do livro, garantirem que cumprem os requisitos para o cargo.

Em declarações à Rádio Renascença, Santana veio lembrar que não lhe falta experiência em política externa depois de ter ocupado o lugar de primeiro-ministro.

E garante mesmo que, se há alguém que fica de fora, é Marcelo Rebelo de Sousa. Santana diz até achar curioso que Cavaco tenha, ao traçar este perfil, afastado da corrida presidencial «o seu conselheiro de Estado Marcelo Rebelo de Sousa, por si nomeado».

Mas Santana Lopes acha que há mais candidatos a candidatos que se devem sentir excluídos pelas palavras do Presidente: «Rui Rio, Sampaio da Nóvoa e Carvalho da Silva».

Na leitura de Santana, António Guterres e António Vitorino encaixam bem no perfil. E Durão Barroso também poderia estar na lista não fosse o caso de – sublinha o provedor da Santa Casa – o ex-presidente da Comissão Europeia se ter excluído «a ele próprio» e não ter sido «muito falado».

Marcelo Rebelo de Sousa também não aceita ‘enfiar a carapuça’ dos que, segundo Cavaco, não terão currículo para chegar a Belém. «Não sinto que me tenha excluído. O que [Cavaco Silva] disse é verdade. É preciso ter experiência internacional e eu tenho», afirmou ao jornal i. [leia mais aqui]

Em declarações ao Diário Económico, Marcelo explicou como ganhou esse currículo, recordando a sua «experiência» no período de adesão ao euro, em 1998, quando fez «com António Guterres uma espécie de acordo de regime para viabilizar três orçamentos» para que fosse possível Portugal aderir à moeda única.

Marcelo lembrou ainda que foi primeiro vice-presidente do Partido Popular Europeu (PPE) quando se preparava o alargamento da União Europeia a Leste, altura em que, segundo explicou ao Diário Económico, passava metade da semana fora em contactos.

Puxando dos galões do seu currículo, Marcelo garante ainda que teve um papel determinante para que o PSD passasse a pertencer ao PPE, «o que permitiu que Durão Barroso chegasse a Presidente da Comissão Europeia».

Mas se Santana exclui Marcelo, Marcelo não exclui Santana. O professor diz que o perfil traçado por Cavaco se aplica a si, mas também «a antigos primeiros-ministros».

margarida.davim@sol.pt