Costa faz campanha em Lisboa para mostrar “currículo” de obra feita

António Costa andou hoje a percorrer Lisboa marcando o arranque para a campanha eleitoral. Pelas ruas da baixa, subindo pela Sé de Lisboa, passando pela Graça e Mouraria e terminando no Largo da Severa para uma sardinhada, Costa foi mostrando a obra feita enquanto presidente na Câmara de Lisboa. Ao mesmo tempo que deixou críticas…

Sempre acompanhado pelo presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, Costa mostrou os terraços do Carmo, ponto de partida deste dia de campanha, o Museu do Aljube, os elevadores do Castelo de São Jorge/Baixa e de Santa Luzia e o Jardim da Cerca da Graça. Tudo obras já inauguradas por Medina, excepto o elevador de São Jorge, que desemboca no Largo do Caldas, sede do CDS. Uma possível coligação com os centristas, caso o PS não tenha maioria absoluta nas eleições, não vem ao caso e Costa segue rua acima.

"Viste isto tudo feito?", perguntou Medina, no Jardim da Cerca, a última paragem. "Senhor presidente muitos parabéns! Grande trabalho", respondeu Costa. "A placa está lá em cima", disse Medina, rindo-se. A placa com o nome de Costa, agora cabeça-de-lista do PS por Lisboa e candidato a primeiro-ministro nas legislativas de 4 de Outubro.

O líder do PS acena com “a diferença que também fica no currículo” que é a obra feita, lembrando que também diminuiu a dívida na autarquia e os impostos para os lisboetas, para fazer o contraste com o Governo que tem "o país mal gerido". "Este é o debate que me importa. O que nós fizemos e eles fazem. O que vamos fazer e o que eles deixaram por fazer", afirmou Costa.

Paragem obrigatória para foto no painel de Amália Rodrigues em calçada portuguesa, feito pelo street artist Vhils, em Alfama, onde uma residente desabafou: “Andamos aqui a chatear-nos todos os dias porque só querem vir para aqui andar de skate”. Já na Mouraria, um senhor queixou-se da recolha do lixo, apontando parados dois caixotes do lixo a transbordar e para Costa. “Ele agora está inocente. O culpado sou eu”, interveio Medina.

Já passava das 19h00 quando Costa e a entourage socialista chegaram ao Largo da Severa onde se preparava uma sardinhada seguida de um pequeno comício, ainda sem as tradicionais bandeiras. O líder do PS voltou a enumerar a obra feita na capital e comentou que hoje foi “um dos melhores dias nos últimos cinco meses”. “Tive a oportunidade de fazer algo que fiz todos os dias nos últimos oito anos que foi andar pela rua a falar com as pessoas”, afirmou. Mas pelas ruas por onde passou, com mais turistas que locais, foi pouco o contacto directo com a população. 

Costa anunciou mil milhões de euros para um programa de reabilitação urbana, que já constava do programa socialista mas ainda sem orçamento, e prometeu a descentralização do poder para as Câmaras do policiamento de trânsito e da gestão dos transportes públicos.

Num discurso que fez o contraste entre a “alternativa de confiança” do PS e a “continuação da austeridade” do Governo, Costa deixou o tom do que será o discurso na campanha: bipolarização. “Ou escolhem o PS ou a coligação de direita”, disse.

Antes, Fernando Medina tinha admitido que será uma “batalha muito dura” e pediu aos militantes socialistas para “cara a cara, olhos nos olhos” falarem com os amigos, familiares e conhecidos.

Foram vários os socialistas que estiveram ao lado de Costa durante o dia como o líder parlamentar Ferro Rodrigues, a eurodeputada Maria João Rodrigues, os deputados Jorge Lacão e Marcos Perestrello e a responsável pelo Acção Socialista Edite Estrela, bem como os vereadores José Sá Fernandes e Graça Fonseca e personalidades ligadas às artes e espectáculo como a actriz Maria do Céu Guerra e o apresentador Eládio Clímaco.

O pequeno comício começou com fadistas e terminou também com fado. “O fado não é uma canção de tristeza, de gente resignada. É uma canção de um povo sofrido que chora com amargura mas com muita coragem, que não vira a cara à luta, dá o corpo ao manifesto e acredita no futuro”, concluiu António Costa. No final, um homem que desde o início tinha andado a distribuir panfletos contra o aumento do IMI aproxima-se do púlpito e lança alguns papéis. O homem acabou por ser afastado e alguns socialistas protestaram gerando-se um momento de tensão, mesmo no final do primeiro dia em registo de campanha. 

sonia.cerdeira@sol.pt