Demissões em cadeia no PS de Pedrógão Grande

Mais de 30 militantes saem do partido em protesto contra a escolha do candidato à Câmara Municipal. Ex-presidente da Federação de Leiria diz que guerra prejudica o Governo.

«Não podemos continuar num partido que nos trata assim». Os militantes do PS de Pedrógão Grande que decidiram abandonar o partido explicaram, em carta ao presidente do PS, as razões do seu desconentamento: foram os últimos a saber da escolha do PS para candidato à Câmara de Pedrógão. 

As guerras entre os socialistas de Pedrógão Grande vêm de longe (o antigo presidente da concelhia chegou mesmo a ser expulso do partido) e esta debandada de militantes é mais um episódio da conturbada política local. 

Na carta enviada a Carlos César e a Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS, os militantes falam no «forte descontentamento que se vive atualmente» por causa da escolha do candidato à Câmara.

Os militantes que agora deixam de o ser «com efeitos imediatos», como anunciaram, afirmam recusar «continuar a desempenhar o papel de meros pagadores de quotas, cuja voz não é ouvida, tida ou achada na tomada de decisão». Decisão sobre quem é o candidato à Câmara de Pedrógão Grande, evidentemente. As escolhas autárquicas, diz o grupo de militantes demissionários, «eleição após eleição, não são da responsabilidade nem correspondem à legítima vontade dos militantes desta concelhia, mas sim de terceiros». 

O ex-presidente da Federação de Leiria, João Paulo Pedrosa, escreveu no Facebook estar «chocado com a notícia». 

«É preciso, pois, apurar responsabilidades sobre a condução deste processo e saber quem, lesando a acção patriótica do PS a nível nacional, contribuiu ou fomentou a desagregação do PS em Pedrógão Grande ou, simplesmente, não teve como objectivo da sua acção política a convergência e o diálogo entre os militantes. Será que a tragédia para estes decisores políticos é uma simples banalidade? Não quero crer!», escreveu o ex-deputado.