Alto e pára o carro! Os radares estão aí

Os 41 radares fixos de Lisboa estão desligados há meses e eram para ter entrado ontem em funcionamento. Mas uma avaria técnica adiou a ‘inauguração’. E a PSP mentiu no dia das mentiras, pois vai ter 32 pistolas Laser Cam que registarão condutores a 500 m de distância.

Ontem foi ‘dia das mentiras’ e a PSP entrou na brincadeira, mas mentindo sobre a mentira. No mesmo dia em que o jornal i anunciou que os 41 radares fixos existentes em Lisboa, da responsabilidade da Câmara Municipal liderada por Carlos Moedas, estão desligados, o comando nacional da Polícia decidiu brincar e anunciou que «desde hoje os N/Polícias encontram-se equipados com aparelho radar portátil, para controlo em qualquer momento e local dos veículos que circulam em excesso de velocidade. Esta medida visa aumentar a fiscalização e a redução drástica da sinistralidade rodoviária».

Confrontada pelo DN, a força policial revelou que tudo não passou de uma brincadeira de 1 de abril: «A PSP confirmou que esta informação não passa de uma brincadeira para poder chamar a atenção para os números da sinistralidade na estrada em Portugal», escreveu o matutino. É certo que os cerca de 22 mil polícias não vão poder andar com um radar portátil, mas há 32 que o vão poder fazer, muito em breve, pois o Executivo comprou essas ‘pistolas’ LaserCam, que a PSP, na brincadeira, chamou Bodyradar. E o que fazem estas pistolas que a GNR já tem 10 em funcionamento, modelo Trucam – com menor alcance do que as 32 compradas agora pela PSP? Conseguem detetar carros em excesso de velocidade a mais de dois quilómetros, embora só possam fotografar, com nitidez, a matrícula a 500 metros – de acordo com o concurso público que foi aberto pelo Ministério de Administração Interna exigia-se aos concorrentes apresentarem modelos que consigam detetar «a distância de focagem ideal entre 10 a 500 metros». Na Madeira, a PSP já usa umas das ‘pistolas radares’, embora do modelo Trucam.

Já a Polícia Municipal ainda não decidiu se vai comprar este aparelho tão rigoroso e amplo que consegue detetar carros a 320 quilómetros por hora até 500 metros. Bem podem os aceleras travar perto dos polícias que nada lhes valerá. Refira-se que cada uma destas ‘pistolas’ ficou ao Estado em cerca de 10 mil euros.

Aceleras com folga nas multas

O dia de ontem deveria ter ficado marcado pela ativação dos 41 radares existentes na capital – antes havia 21 -, mas a substituição dos antigos e a inclusão dos novos não correu como o previsto, devido a problemas técnicos. «A entrada em funcionamento destes equipamentos será oportunamente divulgada pela CML», comunicou a autarquia ao jornal i. 

A duplicação dos radares pode ser ilustrada pela 2.ª circular. Antigamente só existia um radar no sentido Benfica-Aeroporto, e agora passou a haver dois: um de cada lado. O mesmo se passa nas outras artérias, como a Marechal Gomes da Costa. Os novos radares vão poder ‘fotografar’ 32 carros em simultâneo e todos têm possibilidade de apanhar os veículos nos dois sentidos – até seis faixas de rodagem. Apesar desta característica dos novos radares, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) quando abriu o concurso público comunicou que, em princípio , apenas o aparelho que está nas imediações da Cordoaria, perto de Belém, terá a missão de fotografar as duas vias. Curiosamente, este aparelho foi um dos que teve de ser regulado, pois ‘disparava’ sempre que os comboios – a dois metros da faixa mais à direita – passavam a mais de 50 quilómetros. Assim sendo, fez-se a afinação e agora só ‘apanha’ os carros que circulam nas quatro faixas – duas para cada lado.

Os novos radares têm duas câmaras no seu interior: uma para determinar a velocidade dos carros, dependendo da tipologia de cada um dos veículos – os pesados, por exemplo, são obrigados a circular a velocidades inferiores aos ligeiros nalguns troços – e outra para ‘fiscalizar’ o tráfego, permitindo à central, instalada na Polícia Municipal, gerir melhor o tráfego.

Para que não restem dúvidas, diga-se que se os radares fixos da capital estão desligados desde o final do ano passado, o mesmo não se passa com os radares da PSP e da Polícia Municipal. «Estamos a falar apenas da Polícia Municipal. O número de condutores detetados em excesso de velocidade, desde o início do ano, que poderão dar origem a autuação é de 610. Estes dados foram registados por radares móveis, na medida que os fixos se encontram ainda desligados», acrescentou a Câmara de Lisboa ao jornal i. Se a Polícia Municipal que só tem dois carros – um Ford Fiesta e um Skoda – com radares, que podem funcionar num tripé, é fácil calcular a quantidade de multas passadas pela PSP de Lisboa. Na brincadeira de 1 de abril, a força policial quis alertar para os perigos da condução em excesso de velocidade: «No ano transato, o excesso de velocidade foi causa direta de 75% dos acidentes de viação com mortos e feridos graves. Nos últimos 3 anos a PSP registou mais de 154 000 acidentes, dos quais 41 326 com vítimas, nomeadamente 2 086 feridos graves e 260 vítimas mortais». Já quanto ao número de multas, nada disse.

Vias com três faixas a 50 km por hora 

As críticas ao limite de velocidade nas avenidas com três faixas, onde na maioria dos casos só é permitido andar até 50 km por hora, não vai ser alterado, até porque, diz a Câmara de Lisboa, «a determinação da velocidade das vias é da competência da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária». No entanto, quando questionado sobre a possibilidade de seguir as intenções do anterior executivo camarário de reduzir para 30 km por hora a velocidade permitida em várias zonas da capital, a equipa do presidente Carlos Moedas confessou que essa hipótese está em «análise». Já quanto às críticas da substituição dos antigos sinais luminosos que alertavam os condutores para a proximidade de radares por sinalética muito mais discreta, que se confunde com a restante sinalização, a Câmara de Lisboa diz que «o [novo] modelo H43 é da legislação nacional (código da estrada), logo a CML não pode interferir. De qualquer forma, e cumprido o que tem sido referido, além da sinalização rodoviária obrigatória, a CML já está a instalar painéis informativos de reforço, com a dimensão de 1,20m x 1,00m». Carlos Moedas tinha prometido que queria «sinalética bem visível» nas proximidades dos radares e decidiu então pelos avisos de 1,20 m x 1,00 m, um pouco distante dos antigos sinais luminosos. «Sempre é melhor do que nada e é mais uma chamada de atenção para os condutores que vão distraídos», diz ao Nascer do SOL fonte ligada à segurança rodoviária.

Velocidade média para breve

Mas uma das grandes novidades, no que diz respeito aos aceleras, é a entrada em vigor do controlo de velocidade média – algo que deverá ocorrer nos próximos meses. O condutor será fotografado num ponto e depois de percorrer uma determinada distância será ‘fotografado’ outra vez. Depois é só fazer a média, já que os radares processem a informação em tempo real, enviando a mesma para o servidor das autoridades. São 20 os locais escolhidos pela ANRS, que abriu um concurso público internacional, embora alguns possam ser alterados. O Nascer do SOL sabe que a Ponte Vasco da Gama, que não estava nessa lista, será um dos pontos onde a velocidade média será aferida. Curiosamente, a ponte Vasco da Gama foi um dos locais onde se fizeram testes de velocidade média. «Como é lógico, perceberam que há muitos condutores a ultrapassar a velocidade permitida e, por isso, terão decidido incluir a Ponte num dos 20 locais onde a velocidade média será controlada. Por outro lado, há locais que deverão ser eliminados por se ter chegado à conclusão que não há muitos condutores a infringir a velocidade permitida», acrescentou a mesma fonte.

No concurso internacional tinham sido definidos os seguintes locais: No Norte só haverá radares de velocidade média na A3 ao quilómetro 16. Em Coimbra poderá haver dois: A1, entre o quilómetro 211 e 212, EN109 (Km 100 até 103); Lisboa na A9 (km 17 a 18,5); EN10 (km 111 a 115); EN6-7 (km 2,100 a 2,400, embora este troço não deva ser implementado devido aos estudos de tráfego); IC19 (km 8,2 a 9,100); Évora será contemplada na A6 (km 27 a 28); e no IP2 (km 308 e 312). Em Beja a história não é muito diferente: EN260 (km 12,724 a 14,100) e IC1 (km 687 a 689). Já em Setúbal vão existir seis pontos controlados: EN10 (km 77 a 79); EN378 (km 11 a 12,7); EN4 (km 25 a 29); EN5 (km 5,750 a 6,200); EN5 (km 34,5 a 35,9) e IC1 (km 587,300 a 589). Sobra Aveiro, A41 (km 57 a 58,5), Santarém, A1 (km 60 a 65), Faro, EN398 (km 3,4 a 5) e Castelo Branco, IC8, (km 115 a 116). Portanto, já sabe: se conduzir não se esqueça que os radares andam por aí.