Ministra recebe com impaciência perguntas sobre crise política no briefing do Conselho de Ministros

Mariana Vieira da Silva sublinha que o foco da reunião foram as novas medidas laborais e adianta que Governo vai acompanhar com “naturalidade e interesse” a declaração de Marcelo, logo à noite.

A ministra da Presidência ficou visivelmente irritada com a insistência dos jornalistas em colocarem perguntas sobre a crise política no briefing após a reunião do Conselho de Ministros, insistindo que o encontro do Governo incidiu sobre o que estava na agenda.

Questionada sobre o primeiro-ministro iria reunir, como habitualmente às quintas-feiras, com o Presidente da República, que fala logo à noite ao país, Mariana Vieira da Silva foi perentória ao dizer que não comenta a agenda do líder de Governo e prefere centrar esta sua declaração aos temas que foram debatidos e aprovados no Conselho de Ministros, citando como exemplos a legislação laboral e as licenças de parentalidade.

Perante a insistência dos jornalistas, a ministra sublinha que o “Conselho de Ministros discute o que tem a discutir” e que “o Governo encara com total naturalidade todas as intervenções dos diferentes órgãos de soberania, no mesmo espírito desde 2015”.

“A estabilidade política é fundamental e foi decisivo nos últimos anos de gestão da pandemia, e o Governo faz tudo para que assim permaneça”, afirmou.

Confrontada com a possibilidade de estar a relativizar o impacto da situação política atual, Mariana Vieira da Silva salienta que “não há desvalorização, há um recentrar e manter o foco em cumprir o programa do Governo, executar o PRR e proteger os portugueses num momento difícil de inflação”.

Sobre o episódio no Ministério das Infraestruturas, a ministra usou a palavras “excecional e infeliz”, e acrescentou: “O primeiro-ministro disse tudo o que havia a dizer na quarta-feira numa competência que é exclusivamente sua, a composição do Governo”.

 “Acompanharemos com naturalidade e interesse a declaração do Presidente da República”, concluiu.

Relativamente às medidas aprovadas na reunião, nomeadamente sobre a agenda do trabalho digno, foi aprovada uma norma que permite que os estudantes beneficiários de bolsas ou de prestações sociais possam continuar a trabalhar enquanto estudam.

Foram também alvo de alterações as licenças parentais: aumento para 90% da remuneração e aumento do subsídio parental alargado de 25% para 40% da remuneração, aplicando-se estes dois casos quando a licença for partilhada pelos dois progenitores.

A licença inicial do pai é também alargada, passando a ser de 28 dias seguidos e com remuneração completa.