Politica

António Costa diz que é tempo de se pensar "nos problemas do país"

O candidato às eleições primárias do PS António Costa afirmou hoje que, embora compreendendo o pedido de demissão que Mário Soares exigiu de António Seguro, é tempo de o partido se concentrar "nos problemas do país".

O comentário surgiu no contexto da visita do candidato socialista às instalações da fábrica de lápis Viarco, em S. João da Madeira, onde foi questionado quanto às recentes declarações do ex-presidente da República, apelando a que Seguro se demitisse da liderança do PS.

"Mário Soares e muitos socialistas estão chocados pela forma como tem sido conduzida a campanha, mas os debates estão encerrados", declarou António Costa. "Revelaram, infelizmente, uma visão negra de uma certa política e é disso que as pessoas estão farta", realça.

O candidato defende, por isso, uma mudança de tema. "Temos que nos concentrar naquilo que é importante - os problemas do país e como os resolver", explica. "Queremos uma política concentrada nos problemas das pessoas e não na retórica e em ataques pessoais", acrescenta.

Como exemplo do que é preciso mudar, António Costa refere-se às políticas económicas, que deverão funcionar de forma a estimularem empresas como a própria Viarco. 

"Esta fábrica é exemplo de um país que tem boas razões para confiar nas suas capacidades", argumenta. "Não é exactamente um modelo de sofisticação tecnológica, mas é caso onde a inovação transformou o antigo em algo moderno, que tem muito valor", garante.

António Costa acredita que o país terá sucesso se souber investir "no conhecimento e na inovação" e considera, por isso, que se impõe agora "encerrar este ciclo de austeridade e apostar num ciclo de criatividade que permita recuperar a trajectória de desenvolvimento do país".

Para o conseguir, o candidato apela a uma participação massiva de militantes e simpatizantes nas eleições do próximo domingo. "Quantos mais participarem, mais expressiva será a sua voz e mais clara ela se fará ouvir", observa.

António Costa assegura também que, independentemente do resultado, "o PS não está dividido".

"Há [internamente] algumas bolsas de acrimónia, mas são facilmente ultrapassáveis no seu conjunto", tranquiliza.

Lusa/SOL