Politica

'Santana é um bom candidato. Não acredito que Marcelo avance'


Nas presidenciais preferia Marcelo, mas gosta de Santana. Quanto às legislativas, o vice-presidente do PSD, Carlos Carreiras, espera que o partido se afirme como “porto seguro”, contra regresso de Costa. Se perder, Passos fica.

Tem sido um dos maiores críticos de  António  Costa  por  cobrar  um euro aos turistas de Lisboa. 

Insurgi-me contra uma taxa a cobrar no aeroporto e no porto de Lisboa e que reverte a favor desta cidade. Ou seja, é uma forma de cobrar taxas sobre actividades no município de Cascais e isso é inadmissível. 

Quem aumentou o IVA da restauração para 23% pode agora criticar esta taxa?

Os impostos nacionais contribuem para o todo nacional. Neste caso, é um imposto local que tem implicações nos municípios à volta.

Quando o novo líder do PS não se compromete com a devolução imediata de salários na Função Pública ou da sobretaxa do IRS está a demonstrar sentido de responsabilidade?

Não. Está a demonstrar que não tem sentido de compromisso. Quer ficar com a parte simpática, mas a seguir, quando se pergunta como, já não se quer comprometer. Os portugueses, depois da crise, já não se deixam enganar por quem vem oferecer o paraíso sem lhes dizer quais são os sacrifícios que vão ter de fazer.

Cavaco Silva pediu aos partidos para 'baixar o nível de crispação e de  tensão  partidária'.  O  PSD  vai fazer por isso?

O que interpretei das palavras do Presidente foi em relação à crispação e eleições antecipadas. E é uma coisa absurda. Agora, ouvi António Costa muito incomodado porque o PSD lhe fazia oposição. Habituou-se a ser um político mimado. Foi-o pelos dirigentes socialistas, pelos jornalistas, pelos comentadores, e reage mal à crítica. Aqui não é uma questão de crispação. É óbvio que todos temos de saber que Portugal exige compromissos de médio e longo prazo e têm de ser feitos por quem acredita que um dia terá responsabilidades de Governo. E Costa dá sinais de que quer governar à esquerda, a mesma esquerda que não quer ficar na UE, que não aceita o Tratado Orçamental. Isto não é crispação, é uma confrontação com as incoerências permanentes do PS e sobre a nova liderança.

Estão disponíveis para consensos e compromissos políticos como aqueles a que o PR apela?

Temos estado a afirmá-lo e eu aí até tenho alguma divergência interna porque acho que não vale a pena o PSD continua a pedir ao PS consensos. Porque o PS claramente não se quer comprometer com nada.

Que  contributo  espera  do  PS  na reforma em curso do IRS?

As minhas expectativas são nulas. Acho que o PS não vai querer comprometer-se com nada.  No passado, as reformas que foram feitas foi com o PSD na oposição. 

Já se percebeu que o PSD vai apostar numa forte colagem deste PS ao socratismo. A estratégia para tentar vencer o PS é sobretudo essa?

A estratégia do PSD é demonstrar que tem sido este Governo, nesta coligação, o 'porto seguro' para os portugueses.  Havia um slogan no PS que era 'quando a luta aquece o PS aparece', neste caso é 'quando a discussão aparece, o PS desaparece'. O que o PS apresenta aos portugueses são níveis de incerteza cada vez mais altos. O Governo tem apresentado certeza, muitas vezes uma certeza que não é simpática ou boa de viver, mas é a que nos dá garantias para hoje estarmos a voltar a crescer e a criar postos de trabalho.

Costa era ministro da Administração Interna e saiu do Governo em 2007, antes da crise económica. Como é que o PSD o quer responsabilizar pela vinda da troika?

Basta ver os indicadores até 2007. O PS, tempos antes, tinha acabado de aumentar a Função Pública e de baixar impostos. Independentemente de ter saído do Governo para a Câmara de Lisboa, António Costa foi o 'número dois' partidário de Sócrates até ao fim. 

É possível PSD e CDS irem separados a eleições?

Não faz sentido nenhum irem separados. A missão comum não fica concluída em 2015. Se o PSD e o CDS não renovarem a confiança dos portugueses vamos voltar a antes de 2011.

Acredita numa vitória depois de quatro anos de aumentos de impostos e cortes de salários e pensões?

Ninguém fica satisfeito com um Governo que foi forçado a impor sacrifícios como não há memória. Mas os portugueses percebem que com o PS podem correr o risco sério de voltar a ser necessário fazerem sacrifícios ainda com maior intensidade. E, neste primeiro ano em que o Governo começa a ter alguma liberdade, já estão a sentir que valeu a pena o esforço. Estamos a crescer acima da média da Europa, há décadas que isso não acontecia. Tenho a convicção de que, sendo difícil, não é impossível voltarmos a merecer a confiança dos portugueses. Em 40 anos, fomos resgatados três vezes, sempre por governos socialistas, e os portugueses não têm margem de sacrifício para serem resgatados pela quarta vez. Seria dramático.

António Costa fez disparar as sondagens e também a distância em relação ao PSD aumentou significativamente. Isso é recuperável?

Não tenho dúvidas nenhumas. Se ,no fim destes três anos e no momento mais duro, o Governo ainda consegue manter esta base de apoio (entre os 27 e  28%), a partir daqui só pode melhorar quando começa a haver alguns dados que aumentam a nossa auto-estima. O pior momento foi este em que estas sondagens foram feitas. Temos ainda um ano pela frente para convencer os portugueses.

Se o PSD perder, Passos Coelho tem condições para continuar líder?

Não tenho nenhuma dúvida disso. Acredito que, em qualquer circunstância, os militantes do PSD continuarão a apoiar e a reconhecer o trabalho patriótico do actual primeiro-ministro. E penso que seria bom para o sistema político português que os dois actuais líderes, de Governo e de oposição, se mantivessem como líderes partidários após as eleições, porque aí acredito que há lugar para o PS se comprometer com o Governo.

Guterres é o candidato mais temível para a direita nas presidenciais. Se ele não avançar, Marcelo Rebelo de Sousa ou Durão Barroso ficam sem margem para recusar ir a jogo?

Margem haverá sempre. As candidaturas nas presidenciais dependem da vontade de uma pessoa e não vale a pena estar a empurrar quem quer que seja. Do lado do PSD não faltam candidatos que já deram alguns sinais de estarem disponíveis, todos com grande qualidade. Eu gostaria que alguns desses candidatos dissessem mesmo que o eram.

Santana Lopes foi o que disse mais claramente.

Lá está: é um bom candidato a Presidente da República. Embora não seja o que eu gostava que desse um passo em frente, pois a minha primeira escolha era Marcelo Rebelo de Sousa. Mas também lhe digo que cada vez acredito menos que Marcelo dê mesmo esse passo. Cada vez vejo com maior dificuldade Marcelo ser candidato. Se fosse hoje, eu diria que ele não é candidato a PR.

sofia.rainho@sol.pt