Politica

Esquerda afasta consensos

À esquerda foi clara a mensagem dos discursos do 25 de Abril. PCP, Verdes e Bloco de Esquerda não estão disponíveis para consensos que impliquem a continuação da política de austeridade.

Heloísa Apolónia, a primeira a discursar no Parlamento, apontou o dedo a uma política que, no entender dos Verdes, está " a servir uma elite minoritária ".

"Isto é inaceitável ", criticou para concluir que esse não é o único caminho possível.

"É justo que se peçam consensos à volta destas políticas?", questionou, para afastar a ideia de qualquer unidade à esquerda em volta da política a que obriga o Tratado Orçamental.

"Não é justo, nem correcto nem tolerável", respondeu, deixando claro que a Agenda para a Década apresentada esta semana pelo PS também não será uma solução apoiada pelos Verdes.

"A alternativa não pode ser fazer igual a um ritmo diferente", defendeu.

Numa cerimónia com muitas filas vazias nas bancadas do PSD e PS, à esquerda evocaram -se os riscos que pairam sobre as conquistas de Abril e falou-se de uma alternativa à política de austeridade.

Carla Cruz, deputada do PCP, defendeu mesmo que, tal como há 41 anos, "também hoje é necessário e é possível romper com as inevitabilidades" e procurar políticas alternativas.

Pedro Filipe Soares, do BE, considerou mesmo que "quando se tenta impor o consenso na austeridade se quer uma democracia tutelada".

"É a caricatura de uma democracia", atacou, lembrando que "não  há outro dono da democracia para além do povo".

margarida.davim@sol.pt