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Coaching. Liderança a pensar no feminino

As mulheres com maior sucesso são aquelas que têm uma maior estrutura familiar. A garantia é dada ao B.I. por Vera Lagos, life coach há três anos, durante os quais já ajudou mais de 150 pessoas a realizarem os seus objetivos. “Sou apaixonada pela vida e pelas pessoas. Quero ajudá-las a ser, ter e fazer melhor todos os dias”, confessa. Crescer a nível profissional, adquirir competências para melhorar o seu desempenho na empresa, aprender a gerir conflitos e até melhorar a gestão do seu orçamento familiar são algumas das preocupações das pessoas que procuram sessões de coaching (processo que tem por base a mudança positiva na vida pessoal e/ou profissional de um indivíduo, apoiando-se num processo de definição de metas e objetivos para melhorar, superar, crescer, desenvolver e vencer).


Mas há aqui uma novidade: neste caso todos os cursos são pensados para o sexo feminino. A explicação é simples: “As mulheres precisam de ter mais poder, de ter uma maior noção do que conseguem atingir para alcançarem o sucesso, ganharem confiança e construírem uma nova geração para que possa finalmente falar-se da igualdade de géneros”, salienta a responsável.

Mas ter sucesso não é uma tarefa complicada, garante a “treinadora”. Tudo depende da pessoa saber estipular muito bem os seus objetivos, ter a noção daquilo que consegue controlar e o que não consegue. Além disto, é preciso ter um plano de ação: “Não basta dizer que queremos que aconteça, temos de fazer acontecer”, explica Vera Lagos, enquanto admite que as mulheres portuguesas mostram uma grande força de vontade para mudar. “O que tenho reparado nas mulheres portuguesas e, que é excecional, é uma perseverança e uma paixão incríveis por aquilo que fazem e isso são as componentes essenciais para se ter sucesso”, acrescenta.

A carreira profissional é, sem dúvida, a principal preocupação das mulheres que procuram este tipo de serviços. Cerca de 65% ocupam cargos de liderança, mas admitem que, em muitos casos, o acesso a estas funções tem sido dificultado pelo simples facto de serem mulheres, assim como os salários que, por norma, são mais baixos em relação aos homens que têm exatamente as mesmas responsabilidades. Ainda assim, nem estes obstáculos têm impedido as mulheres de progredir na carreira. “Aos poucos e poucos tem-se sentido alguma igualdade. Acho que a situação caminha no bom sentido”, reconhece esta life coach.

Mas o mais curioso, no entender de Vera Lagos, é mesmo o facto de as mulheres com maior sucesso serem aquelas que têm uma maior estrutura familiar e os homens que as veem como iguais. “Como têm objetivos comuns acaba por fortalecer o casal. Cerca de 82% das mulheres são casadas e o que é certo é que ter uma família que apoia as decisões, um marido que a compreende e que também apoia a igualdade do género faz toda a diferença”, acrescenta.

Sonhos possíveis de concretizar

Não há fórmulas de sucesso, cada caso é um caso e muitas das “formandas” precisam apenas de uma ou duas sessões para concretizarem os seus sonhos. “Há pessoas que precisam de uma ou duas sessões porque já estão muito decididas. Nestes casos só dou as ferramentas para poderem fazer essa mudança sozinhas. Mas na maioria dos casos é um processo continuado e, no mínimo, durante cinco a seis sessões. Também neste caso as ferramentas para que trabalhem sozinhas são disponibilizadas, no entanto, estas pessoas precisam de monitorização e o facto de serem monitorizados ajuda, em muito, a produzir resultados”, salienta a life coach. Até porque, como Vera Lagos diz, “todos os sonhos são possíveis se tivermos um plano e se acreditarmos em nós. Acredito que é possível atingir qualquer objetivo e ser excelente em todas as áreas das nossas vidas. O ser humano é extraordinário e todos, sem exceção, temos ilimitadas capacidades para alcançar o sucesso”, refere.

Cada sessão custa 70 euros, mas se optarem por um pack de cinco o valor sobe para 300 euros. E nem a crise que afetou o nosso país desmotivou o interesse para estas sessões. Uma realidade que facilmente é explicada por Vera Lagos. “As pessoas não olham para estas sessões como um gasto, mas sim como um investimento nelas próprias”. E dá como exemplo o investimento num carro novo: “Assim que sai do stand, o automóvel desvaloriza cerca de 20%, mas quando investe em si assiste-se exatamente ao contrário, valorizam 20% ou mais”, garante.

Apesar do aumento da procura, a responsável por estas formações garante que não se trata de uma questão de moda e lembra que nos Estados Unidos tanto o coaching como a programação neurolinguística (ferramenta que permite programar a mente para obter resultados de sucesso através do uso da linguagem e da fisiologia) são técnicas que já existem há 40 ou 50 anos. “Não há ninguém nos Estados Unidos, na área de negócios, que não tenha tido sessões de coaching ou de programação neurolinguística”. Já em relação ao mercado português, estas técnicas poderão ainda não ser muito conhecidas, mas são conceitos que “já estão enraizados no mercado português e em forte crescimento”. Acredita que ainda há mercado para crescer, uma vez que pode ser aplicado nas mais variadas áreas.

Como tudo funciona

Cada sessão demora entre hora e hora e meia, tudo depende da disponibilidade da life coach e das necessidades das pessoas. As sessões são sempre individuais e, muitas vezes, funcionam apenas para desbloquear ideias, ajudar a aumentar o nível de motivação e de confiança. “Imagine uma coisa tão simples como termos uma pessoa no trabalho com quem não nos damos bem. Não podemos mudar a pessoa, mas podemos mudar a representação interna que temos dessa pessoa. E isso facilita muito o nosso relacionamento, a nossa postura e o nosso comportamento. Às vezes basta usar uma técnica durante cinco a dez minutos para mudar completamente a forma como essa pessoa vai trabalhar no dia a seguir”, refere.

Na primeira sessão, Vera Lagos começa por explicar um pouco como todas estas técnicas funcionam porque considera que ainda existe uma ideia errada do que é o coaching. “Muitas vezes as pessoas pensam que sou uma psicóloga ou uma conselheira. Gosto de dizer aos meus clientes que trabalho como se fosse uma jornalista, tento recolher o máximo de informação de forma a que pessoa tome consciência por ela própria das respostas de que precisa. Não posso dar respostas para a vida de ninguém. E sei que muitas vezes as pessoas procuram que eu lhes dê as respostas. Basicamente o processo é descobrir o que quer e como vai conseguir atingir os seus objetivos”, salienta. A verdade é que nem sempre todas as sessões correm de forma desejada e quando as metas não são cumpridas há que reajustar o plano, mas sempre com uma meta realista para que os objetivos sejam alcançados.

A faixa etária das pessoas que procuram estas sessões não é uniforme, no entanto, a grande maioria ronda os 35 e os 50 anos. “Mas também tenho clientes com 18 anos e uma com 80”, confessa. Em relação à última, Vera Lagos chama a atenção para o facto de ter sido a “aluna” mais rápida de sempre a definir os objetivos, estabelecendo uma meta temporal de três meses a 30 anos. “Esta cliente acredita que vai durar até aos 110 anos”, brinca, acrescentando ainda que “preencheu todos os objetivos e queria, a curto prazo, ter uma aula de surf, mas não era apoiada pela família porque tinham medo que se magoasse. Desafiei-a a cumprir esse objetivo, mas ainda tem muitos para fazer”, refere.

Vera Lagos admite que o primeiro passo a dar passa por criar laços de empatia e, do seu lado, essa tarefa é fácil de concretizar. “Tenho alguma facilidade em criar empatia com as pessoas, não só por ser como sou, mas também porque conheço truques para facilitar a comunicação, não houve um único caso em que, ao fim de cinco a dez minutos, a pessoa não se sentisse à vontade”, revela.

Talvez por isso, destes três anos, a life coach faz um balanço positivo: “não só ajudei a mudar vidas como isso também teve impacto em mim porque acaba por ser contagioso. Quando vimos que uma pessoa atingiu o sucesso, conseguiu encontrar-se, está mais realizada, acaba por nos influenciar”, admite. Vera Lagos garante, no entanto, que ainda tem muito trabalho para fazer e muitos desafios pela frente. “Como o tempo é escasso estou a pensar em investir mais na área de formação, mas não estou a pensar em abandonar a área de coaching”, promete.

Para trás ficou um trabalho ligado à área farmacêutica, onde trabalhava como assistente executiva de uma empresa americana, e uma breve passagem pelo jornalismo na área do motociclismo, onde começou a dar os seus primeiros passos na área da comunicação.