Politica

PS sem candidato ao Porto

Rui Moreira decidiu descartar o apoio do PS na corrida à Câmara do Porto. A decisão será anunciada hoje pelo autarca às 20h, numa entrevista à SIC.

A reunião daquilo a que Rui Moreira se refere como a sua “comissão política” foi unânime na avaliação de que o único caminho para assegurar a independência da candidatura é descartar o apoio do PS. O núcleo duro do independente reuniu ontem à noite para avaliar as declarações de Ana Catarina Mendes ao Observador e concluiu que os sinais que estavam a vir da direção nacional socialista iam no sentido uma “apropriação inaceitável”.

“Estavam a ser postas em causa as próprias bases do movimento de independentes de apoio a Rui Moreira”, afirma ao i fonte próxima do candidato, que assegura que a decisão está tomada e não há volta atrás. Moreira vai mesmo dispensar o apoio do PS nas autárquicas.

O candidato tomou a decisão depois de ontem à noite reunir o seus conselheiros mais próximos para avaliar o impacto das declarações da secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, que, em entrevista ao Observador, assumiu que conquistar a Câmara do Porto seria “uma vitória do PS”.

A frase foi vista pelos próximos de Rui Moreira como uma tentativa de apropriação do partido daquilo que é uma candidatura independente. “E isso é inaceitável”, frisa ao i um próximo de Moreira, que recorda que esta não foi a primeira vez que os independentes sentiram que a direção nacional do PS se estava a tentar apropriar da candidatura.

A primeira vez foi precisamente com uma entrevista de Ana Catarina Mendes ao Expresso na qual a dirigente socialista assegurava que o PS teria uma presença “representativa” nas listas de Rui Moreira. O independente não gostou e veio rapidamente a público assegurar que ainda não tinha sequer feito qualquer contacto para formar listas e que nunca o faria tendo em conta cartões partidários.

A seguir vieram as declarações do eurodeputado socialista Manuel dos Santos ao i, afirmando que Moreira teria acordado com António Costa aceitar um lugar de ministro ou de eurodeputado e sair a meio do mandato, deixando a Câmara nas mãos do presidente da Federação Socialista do Porto, Manuel Pizarro.

Manuel dos Santos foi duramente desmentido pelo líder da concelhia do PS Porto, Tiago Barbosa Ribeiro. Mas nunca pela direção nacional do PS. “Não houve a demarcação que seria necessária”, nota a mesma fonte.

Esta semana, a entrevista de Ana Catarina Mendes foi a gota de água que fez Rui Moreira repensar toda a sua relação com o PS, apesar de fontes próximas da candidatura assegurarem que a relação do independente com Manuel Pizarro e Tiago Barbosa Ribeiro “tem sido leal e irrepreensível”.

 

Ana Catarina Mendes em silêncio

O candidato vai, contudo, manter a aceitação do apoio do CDS, uma vez que a candidatura considera que os centristas têm tido a atitude mais correta. “Dão o apoio sem pedir nada em troca”, afirma fonte próxima de Rui Moreira.

De resto, Moreira terá deixado muito claro desde as primeiras conversas com PS e CDS que só aceitaria apoios partidários se não houvesse qualquer tentativa de condicionamento nem das listas nem do programa para o Porto.

Com esta decisão, o PS deixa de ter candidato à Câmara do Porto. E isto acontece exatamente na véspera da grande convenção autárquica do PS, que decorre amanhã em Lisboa.

Contactada pelo i, Ana Catarina Mendes não quis para já fazer comentários.

Ontem, a dirigente socialista fez apenas declarações à Lusa para vincar que o que disse ao Observador nunca pretendeu ser uma forma de apropriação de uma vitória que seria sempre de Rui Moreira, mas apenas o afirmar de que os socialistas festejariam essa conquista por serem parte dela.

Esta forma de corrigir o tiro não convenceu, contudo, Rui Moreira, nem o impediu de avançar com a decisão de desvincular do PS. “Assim, volta a ser livre”, declara uma fonte próxima do autarca.