Politica

Lisboa. BE alia-se a PS com pelouro da educação e direitos sociais

Acordo PS/Bloco de Esquerda está fechado. Ricardo Robles fica com a Educação e Direitos Sociais. O Bloco queria a Habitação, mas não conseguiu. Medina já tem maioria em Lisboa

Ricardo Robles, o vereador eleito pelos bloquistas, ficará responsável pelas áreas da Educação e Direitos Sociais. 

O Bloco de Esquerda queria o pelouro da Habitação, mas não conseguiu o objetivo: quem vai tutelar essa área será Paula Marques, que foi eleita nas listas do PS em representação dos “Cidadãos por Lisboa”, o grupo criado por Helena Roseta. No anterior executivo camarário, a vereadora já tinha o pelouro da Habitação e Desenvolvimento Local. No entanto, no acordo assinado entre o PS de Fernando Medina e o Bloco de Esquerda existem vários condicionantes sobre a habitação, que foi uma das principais bandeiras da campanha bloquista.

O acordo demorou 27 dias a ser fechado. A primeira reunião entre o PS de Lisboa e o Bloco de Esquerda aconteceu a 5 de outubro, quatro dias depois das eleições autárquicas nas quais Fernando Medina falhou, por um vereador, a maioria absoluta. 

A 6 de outubro, o Bloco de Esquerda fez um comunicado a anunciar a abertura das negociações com vista a uma “viragem política” em Lisboa. O acordo deveria incluir “a construção de creches municipais, o resgate da taxa de turismo, a recuperação dos transportes públicos ou a concretização de programas de habitação que protejam as famílias contra despejos abusivos e substituam a PPP prevista por um programa de habitação integralmente público”.

Durante a campanha autárquica, o Bloco sempre admitiu uma coligação em Lisboa com o PS. 

PCP rejeita mais geringonças Ao contrário do Bloco, que desde o primeiro dia esteve disponível para negociar com Fernando Medina, o PCP nem sequer aceitou sentar-se à mesa. Os comunistas limitaram-se a abrir a porta a acordos pontuais e Jerónimo de Sousa esclareceu logo a seguir às eleições autárquicas que “em Lisboa não existirá essa possibilidade de encontrar um modelo parecido com aquele que foi encontrado a nível nacional”.

Fernando Medina ainda tentou, mas em vão. A impossibilidade de repetir a geringonça na capital do país criou mal-estar entre os dois partidos, principalmente depois de Fernando Medina ter afirmado que esta decisão “terá desiludido muitos dos eleitores que votaram no Partido Comunista”.

O PCP não deixou o autarca sem resposta e culpou as opões do PS na gestão da câmara durante os últimos dez anos, incluindo os mandatos de António Costa. “O projeto da CDU para Lisboa não é diluível em programas e objetivos de gestão contrários aos seus”, refere um comunicado do executivo da Direção da Cidade de Lisboa do PCP. João Ferreira, em declarações ao SOL, lamentou que  Fernando Medina tenha optado por “iniciar o mandato com um ataque ao PCP” e avisou que essa atitude não ajuda a construir “convergências”.