Politica

Câmaras. PS falha mais um acordo com os comunistas

Esquerda não consegue entender-se no Barreiro. PCP recusa “papel de executor do programa de outros”. PS critica postura dos comunistas

O entendimento a nível nacional não está a facilitar acordos entre o PS e os comunistas nas câmaras municipais. Pelo contrário. A última tentativa para um acordo à esquerda que falhou foi no Barreiro. Ao que tudo indica, o concelho vai ser gerido por um Bloco Central à semelhança do que aconteceu na câmara de Almada.

A falta de entendimento no Barreiro, um dos concelhos que o PCP perdeu para os socialistas nas últimas autárquicas, deu origem a uma troca de acusações entre os dois partidos. Os comunistas acusam o PS de gerir este processo com “falta de respeito e de seriedade”. O PCP garante que “o comportamento do PS Barreiro é inseparável daquele que, em Almada, em Alcochete ou no Montijo, excluiu em absoluto a CDU da participação nas respetivas câmaras municipais”.

Questionado sobre as razões que levaram a que não tenha sido possível um acordo em câmaras como Almada ou Barreiro, o gabinete de imprensa respondeu ao i que “o PCP, mantendo como posição de princípio a sua disponibilidade para assumir competências, não prescinde da verificação do preenchimento de condições para não se traduzirem na diluição do seu projeto ou no mero papel de executor do programa de outros”.

Do lado dos socialistas, o presidente do PS/Barreiro e deputado André Pinotes Batista acusa o PCP de estar “a encontrar expedientes para fugir ao compromisso”. Em comunicado, o PS lamenta que em Lisboa, Almada e Alcochete, o PCP tenha recusado o “os pelouros que lhe foram atribuídos. Não sabemos se estas decisões se prendem com alguma imposição superior, mas registamos que são vários os locais onde o PCP, depois de derrotado, se tem afastado do exercício do poder”.

Ao contrário do PCP, que foi a segunda força mais votada, os sociais-democratas aceitaram pelouros e vão ficar com a educação ambiental, a juventude e o acompanhamento do trabalho da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco.

O cenário foi idêntico em Almada. A CDU, que estava no poder há 41 anos, perdeu a câmara e a esquerda não conseguiu chegar a acordo. O PSD ficou a gerir áreas como os transportes, a rede viária e o ambiente e dá a Inês de Medeiros condições de governabilidade.

 

Derrota Pesada

O PCP perdeu dez câmaras nas eleições autárquicas do dia 1 de outubro. Nove passaram para as mãos do PS. Jerónimo de Sousa garantiu, dois dias após a derrota eleitoral, que “não vai haver repetição da solução política encontrada nesta fase da vida política nacional”.

O secretário-geral do PCP explicou que “a única garantia” que o partido dará é a de que “continuará a trabalhar em maioria ou minoria para resolver os problemas de cada terra” e excluiu logo nesse dia a impossibilidade de encontrar em Lisboa “um modelo como foi encontrado ao nível nacional”.

Fernando Medina ainda tentou um acordo à esquerda, semelhante ao que existe a nível nacional, para governar a cidade, mas o PCP nem sequer aceitou sentar-se à mesa para iniciar as negociações. O partido justificou, em comunicado, que “o projeto da CDU para Lisboa não é diluível em programas e objetivos de gestão contrários aos seus”. Medina fez um acordo com o Bloco de Esquerda, mas não deixou de criticar os comunistas por terem escolhido ficar de fora. “Creio que há eleitores que se podem sentir desiludidos com esta posição”, afirmou o autarca socialista.