Politica

Mendes diz que há "pequenos atritos" entre Belém e São Bento por causa de Tancos

Comentador considera que Marcelo Rebelo de Sousa enviou recados ao Governo porque acha que "ajudou à festa"  de tentar envolver o Presidente no processo.

O comentador e conselheiro de Estado Marques Mendes admitiu este domingo que existem "pequenos atritos" entre Belém e São Bento por causa do processo de Tancos, sobretudo porque o Presidente da República sempre pediu todos os esclarecimentos, toda a verdade sobre o caso do roubo e recuperação do material de guerra.

Na SIC, Mendes começou por interpretar uma frase do Chefe de Estado ao Público, onde Marcelo Rebelo de Sousa disse que não o calarão sobre o caso de Tancos. Para o também antigo líder do PSD a interpretação é clara: Belém quis dar um recado ao governo. Porquê? Porque o Chefe de Estado acha que, "direta ou indiretamente, o Governo ajudou à festa, ou seja, ajudou a tentar envolver a Presidência", a propósito das recentes notícias que apontavam algum conhecimento indireto do processo de recuperação das armas.

Marques Mendes negou que exista um problema de coabitação, "está bem à superfície", mas reconheceu que o caso gerou algum atrito. 

Para Marques Mendes, o governo sempre "lidou mal" com a situação, mas as maiores críticas foram para o líder do PSD, Rui Rio.

"Rui Rio andou mal porque foi mais costista do que o Papa", afirmou Mendes, questionando a sua subserviência ao primeiro-ministro. Na base da crítica estava uma posição do líder social-democrata a defender que o primeiro-ministro não deveria responder sobre o roubo das armas de Tancos e respetiva recuperação num inquérito parlamentar.  "Está sempre a fazer de anjo da guarda de António Costa", atirou Mendes contra o líder social-democrata, sugerindo-lhe que tire "o cavalinho da chuva" porque o também líder do PS não o vai colocar como vice primeiro-ministro. "O líder do PS[ António Costa] não quer", rematou o também conselheiro de Estado.

Ainda sobre o PSD, Marques Mendes não poupou argumentos para criticar "o mau comportamento" do secretário-geral do partido sobre o registo de presenças no Parlamento, enquanto estava ausente em trabalho político. "É destas coisas que se fazem os populismos", disse, insistindo que José Silvano deveria pedir desculpas "publicamente".

No seu comentário Marques Mendes considerou ainda uma "indecência" a ida de Sérgio Moro, o juiz brasileiro do processo Lava Jato, para o governo do novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

Por fim, disse também ser "contra a greve dos juízes" marcada para dia 21 de novembro.