Sociedade

Serviços em alerta preparam resposta

A greve ainda não teve início mas como mais vale prevenir do que remediar, supermercados, EDP e Altice já estão preparados para prevenir os efeitos. Há já postos sem combustível mas Apetro, Galp e Repsol garantem que estão a ser tomadas todas as medidas possíveis.

A greve ainda nem teve início - e nem se sabe se terá - e a corrida aos postos de combustível já começou um pouco por todo o país havendo até já vários postos sem combustível. 

Ontem, do universo de 2913 postos existentes em todo o país, em 293 já não havia gasolina e em 531 o gasóleo já tinha esgotado, segundo o VOST, um site criado aquando da última greve para informar os portugueses. Ainda assim, a Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro) recusa alarmismos. À Lusa, João Reis, porta-voz da associação, garantiu que o facto de haver carências em algumas bombas, não significa que «estejam completamente secos, sem combustível nenhum»: «Alguns tipos estão a faltar, nuns é o gasóleo aditivado, nos outros o normal». 

Aliás, a associação já tinha garantido que, «do lado da procura, para minimizar os efeitos da greve dos camionistas, quaisquer que sejam os setores, e para que as perturbações sejam mínimas, estão a ser mantidos os stocks no máximo e as empresas petrolíferas estão a fazer o planeamento dos postos de combustíveis».

Mas a verdade é que a corrida tem aumentado e nas redes sociais circulam várias fotos e vídeos de exaltações nos postos de combustível e de pessoas a encher jerricãs.

Ao SOL, fonte oficial da Galp garantiu que foram tomadas todas as medidas possíveis para minimizar o impacto da greve junto dos clientes, «reforçando os stocks e procurando encontrar soluções logísticas possíveis, dentro das limitações impostas pela greve».

Também a Repsol está a procurar reforçar os stocks «com os meios disponíveis». Apesar de garantir que a elevada procura resultou em «pontuais dificuldades de abastecimento», fonte oficial da petrolífera garante que a Repsol vai continuar a maximizar stocks com os meios disponíveis. 

Supermercados tranquilos A falta de produtos nos supermercados portugueses chegou a ser uma preocupação com a Associação Portuguesa de Empresas e Distribuição (APED) a apelar ao bom senso. Mas depois do anúncio dos serviços mínimos decretados pelo Governo, as preocupações acalmaram.

Ao SOL, Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da APED, garante que os supermercados têm vindo a preparar-se para minimizar os impactos da greve e que a promessa dos serviços mínimos só veio melhorar a situação. «Se conjugarmos a preparação [dos supermercados] com os serviços mínimos que foram decretados para a entrega de bens de primeira necessidade, julgamos estar em condições de mostrar alguma tranquilidade aos portugueses», garante.

Ainda assim, Gonçalo Lobo Xavier não esconde que há uma questão preocupante: «É preciso garantir que estes serviços mínimos se concretizem e é preciso que os motoristas que estiverem destinados ao cumprimento dos serviços mínimos desempenhem as suas funções em segurança e com tranquilidade», destaca o responsável, garantindo ser essa a «questão fundamental».

A APED mostra-se reticente por se tratar de uma greve por tempo ilimitado, ainda que os próximos dias sejam encarados com algum descanso. «O cenário que temos deixa-nos com motivos para encarar os próximos dias não completamente descansados mas com alguma tranquilidade na medida em que nos parece que vamos conseguir garantir o abastecimento de bens à população de forma normal», destaca.

EDP e Altice estão preparadas A acompanhar a situação está também a EDP Distribuição que, em comunicado, garante estar preparada para acionar o seu Plano de Operação de Atuação em Crise. Com o principal objetivo de assegurar a continuidade da sua atividade de fornecimento de energia elétrica, a EDP garante que «estão estabelecidas as ações a adotar nas diversas áreas da empresa e respetivas responsabilidades, bem como os meios disponíveis, as viaturas essenciais para garantir a movimentação dos operacionais, estando também acautelado o abastecimento de geradores». 

A par da EDP, também a Altice se preveniu para a possível greve com a ativação do Gabinete de Crise com Plano de Alerta Preventivo de Contingência, com o principal objetivo de «dar resposta adequada às diferentes necessidades» dos seus clientes. Acompanhamento permanente da operacionalidade das redes e serviços, abastecimento de depósitos de combustíveis portáteis e reforço das equipas de prevenção são algumas das medidas implementadas, que vão permitir à Altice estar «preparada para dar resposta a esta situação critica novamente vivida no país».