Politica

Ministro descontente por mulher não fazer parte do novo Executivo

Ministro da Administração Interna publicou no Facebook um texto de uma ativista ambiental a criticar António Costa pela saída da ministra.

A exclusão de Ana Paula Vitorino da equipa que vai formar o próximo Governo não caiu bem à anterior ministra do Mar e ao seu marido Eduardo Cabrita, que foi reconduzido como ministro da Administração Interna.

Um desagrado que Eduardo Cabrita aproveitou para revelar, de forma subtil, na sua página pessoal do Facebook onde partilhou as críticas de uma ativista ambiental da ilha da Culatra à decisão de António Costa. Recorde-se que Eduardo Cabrita é um dos amigos mais próximos de António Costa desde os tempos da faculdade, tendo sido colegas da licenciatura de Direito da Universidade de Lisboa.

Ana Paula Vitorino foi uma dos três ministros do anterior Executivo que António Costa decidiu excluir do novo Governo, para impedir a repetição da polémica de ter familiares a sentarem-se à mesa do Conselho de Ministros. Uma justificação que não foi suficiente para convencer Ana Paula Vitorino, que conta com um vasto currículo em funções pelo PS.

“Não pode ser essa a razão”, disse ontem a governante cessante aproveitando para lembrar a sua “total autonomia profissional e política” e que antes de ter casado com Eduardo Cabrita já era “uma referência nas questões dos transportes”.

Antes de ter sido ministra do anterior Governo, durante o Governo de Sócrates, entre 2005 e 2009, Ana Paula Vitorino já tinha exercido funções como secretária de Estado dos Transportes, é eleita deputada desde 2009 e entre 1995 e 1999 foi chefe de gabinete do secretário de Estado dos Transportes do Governo de António Guterres.

Muitas destas funções foram exercidas pela ex-ministra antes de ter uma relação com Eduardo Cabrita, com quem vive desde 2012.

No PS, entre 2004 e 2011, Ana Paula Vitorino foi secretária nacional e desde 2012 que faz parte da Comissão Política Nacional do partido.

Já em agosto, três meses depois da polémica do familygate, Ana Paula Vitorino tinha dito ao Observador que se o Executivo viesse a impedir a nomeação de ministros por causa de laços familiares, que não quereria “fazer parte de um governo em que se discrimina as pessoas dessa maneira”.

Ontem, questionada pelo DN se ficou “desapontada” com a decisão de António Costa, Ana Paula Vitorino, que foi eleita deputada pelo círculo do Porto, disse que “não temos de ter estados de alma quanto aos convites que são feitos”.

 

A critica

“Ministra do Mar fora do Governo? Não percebo nada disto! Afinal quem ‘faz acontecer’ e apresenta resultados é retirado do jogo? O mais importante devia ser a competência e o trabalho apresentado e não as relações familiares. Da nossa parte, um agradecimento muito especial à ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, pelo empenho na defesa da nossa causa e pela responsabilidade a nós atribuída. Vamos fazer tudo para levar o barco a bom porto.” Um dia depois de conhecido o elenco de ministros do próximo Governo, foi este o texto publicado por uma ativista ambiental da ilha da Culatra, no Algarve. E cerca de uma hora depois de ter sido publicado o post, Eduardo Cabrita decide partilhar o texto na sua página de Facebook.

Já antes, Francisco Assis também tinha lançado críticas às escolhas de António Costa para o próximo Governo. Para Assis o novo elenco de ministros demonstrou, mais uma vez, que António Costa gosta de governos formados por pessoas da sua confiança pessoal. “Isto é um Governo muito António Costa. É um Governo de pessoas muito próximas do primeiro-ministro”, disse o antigo eurodeputado socialista durante o programa semanal de comentário político na Renascença.