Opiniao

25 de Novembro

Este PS, malgrado os esforços de uma oposição interna que foi reduzida a uma quase insignificância, radicalizou-se, dificilmente se diferenciando, agora, da esquerda radical que procura reverter os ideais que sairam vitoriosos do 25 de Novembro.

O dia de hoje deveria ser de celebração.

Deveria, mas não o é, porque o Estado a que chegámos ignora ostensivamente uma das datas mais importantes da História contemporânea de Portugal.

A democracia parlamentar, tal como a conhecemos, e é bom que as gerações mais novas disso tenham consciência, impôs-se em 25 de Novembro de 1975, quando os militares moderados de um grupo mais vasto, que então se afirmava como o verdadeiro poder no País, lograram impedir que as forças afectas ao partido comunista e aos seus satélites da extrema-esquerda tomassem definitivamente de assalto os vários órgãos de soberania nacional.

O caos subsequente à abrilada permitiu que uma ditadura de sinal contrário se impusesse nos destinos do País, conduzindo rapidamente à perseguição de aqueles que, arriscando a própria vida, contra ela se bateram, acabando as prisões atoladas de presos políticos, em número bem superior aos existentes durante o período do Estado Novo.

As empresas, a banca, os seguros e todos os restantes meios de produção foram saqueados pelos novos governantes, que impuseram uma economia estatizada, a qual, em pouco tempo, levou à falência das contas públicas e à consequente bancarrota de Portugal.

As arbitrariedades então cometidas pelo novo poder instalado, cujas directivas eram definidas pelo Pacto de Varsóvia, resultou numa revolta popular, que se estendeu por quase todo o território nacional, e que teve o seu apogeu durante o chamado verão quente de 75.

E é neste cenário de anarquia e ameaça de guerra civil que se chega ao dia 25 de Novembro, quando os militares subordinados ao partido comunista, em desespero de causa, por se aperceberem que o seu poder se começava a esfumar, desencadeiam um golpe, que se revelou fracassado, e através do qual procuravam desembaraçar-se daqueles que ousaram enfrentá-los. 

O 25 de Novembro representa, assim, a derrota decisiva de uma ditadura comunista, anti-patriótica, porque obediente a interesses exteriores emanados de Moscovo, e o triunfo da liberdade sobre a tirania.

Representa, igualmente, o fim do fantasma da guerra civil que durante quase dois anos pairou sobre os portugueses, gerando fracturas dentro da sociedade que ainda hoje perduram.

Durante décadas esta data foi solenemente comemorada, com honras de Estado, sendo a sua decisiva importância para a preservação da liberdade reconhecida por todos os sectores nacionais identificados com a causa da democracia, em particular pelos partidos que se bateram contra a hegemonia comunista.

Nos últimos anos, mais concretamente desde que as forças que sairam derrotadas no 25 de Novembro foram entronizadas pela mão do actual chefe do governo e secretário-geral do partido socialista, que o seu legado caiu no esquecimento, apontando-se mesmo o dedo, a quem enaltece o seu significado, como reaccionário e extremista de direita.

Na semana passada foi aprovado no Parlamento um voto de saudação, apresentado pelo CDS, em que é reconhecida aquela data como um dia histórico para a reposição do curso da democratização de Portugal, o qual contou, obviamente, com o voto contra da extrema-esquerda, enraizada no PCP e no BE.

O que não se compreende, entendendo-se mesmo como inexplicável, é que o partido socialista tenha optado por abster-se, via que, no entanto, foi contrariada por sete dos seus deputados, os quais, evidenciando visão e bom-senso, decidiram votar a favor.

Se dúvidas ainda houvessem, ficaram agora claramente dissipadas: o partido de Costa há muito que deixou de integrar o leque dos movimentos partidários de inspiração moderada, tendo aderido às ideias assentes no marxismo-leninismo que bem caracterizam aqueles que foram seus parceiros de governação na anterior legislatura.

Este PS, malgrado os esforços de uma oposição interna que foi reduzida a uma quase insignificância, radicalizou-se, dificilmente se diferenciando, agora, da esquerda radical que procura reverter os ideais que sairam vitoriosos do 25 de Novembro.

Se este estado de coisas se mantiver, muito provavelmente, num dia não muito distante, os portugueses sentirão necessidade de voltar a exorcizar a sua revolta na rua.

Está nas mãos de Costa impedir que se chegue a esse extremo, recolocando o seu partido no caminho dos valores apregoados pelos amantes da liberdade!

Pedro Ochôa