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Iniciativa Liberal avança com candidato às presidenciais contra clientelismo e populismo

Tiago Mayan Gonçalves quer conquistar aqueles que “não se reveem num Presidente que abdicou de o ser”. Tem 43 anos e é advogado. 

Tiago Mayan Gonçalves quer conquistar aqueles que “não se reveem num Presidente que abdicou de o ser”. Tem 43 anos e é advogado. Tiago Mayan Gonçalves vai candidatar-se à presidência da República com o apoio da Iniciativa Liberal. O advogado do Porto esteve entre os fundadores do partido e justifica a candidatura para que “um grande espaço político tenha em quem votar, um espaço político que congrega liberais mas também pessoas que não se reveem num Presidente que abdicou de o ser”.

A Iniciativa Liberal já se congratulou com o aparecimento de um candidato “verdadeiramente liberal”. Carlos Guimarães Pinto, ex-líder dos liberais, define Tiago Mayan Gonçalves como “alguém que não precisa da política para nada e que por isso é livre de defender aquilo em que acredita. Já o tem feito em várias ocasiões no passado sem nunca ganhar nada com isso e prepara-se para o fazer novamente ao dar a cara pelo liberalismo nas próximas eleições presidenciais”.

Tiago Mayan Gonçalves, no vídeo de lançamento da candidatura, apresenta-se como um cidadão “descomprometido” que não está “envolvido em teias de interesses, de cumplicidades e de conveniências, dos séquitos e das elites do Terreiro do Paço”. O advogado de 43 anos promete bater-se contra “o clientelismo e o populismo”.

O candidato dos liberais é pouco conhecido, mas já se envolve na política há alguns anos. Foi militante do PSD, apoiante desde a primeira hora da candidatura independente de Rui Moreira à câmara do Porto e fundador da Iniciativa Liberal. No site oficial da candidatura à presidência da República, Tiago Mayan Gonçalves revela que tem “um longo percurso ativo de serviço associativo e voluntário. Gosto de correr, do mar, faço vela”.

As presidenciais são em janeiro do próximo ano e é quase certo que Marcelo Rebelo de Sousa se vai recandidatar. O atual Presidente só tenciona, porém, anunciar essa decisão em dezembro e já garantiu que vai fazer uma campanha “pequena”.

O PSD já garantiu que tomará uma posição “no dia seguinte” ao anúncio de Marcelo. Os socialistas também estão à espera da decisão de Marcelo, mas várias figuras do partido, como Ferro Rodrigues ou João Soares, já admitiram apoiar a recandidatura do ex-líder do PSD.

A possibilidade de os socialistas apoiarem Marcelo está, porém, longe de ser consensual. Pedro Nuno Santos foi uma das vozes que se insurgiram contra a hipótese de entrar na campanha ao lado de “um candidato ou um partido de direita”. O ministro garantiu, há menos de um mês, que “se houver um candidato da área do PS voto nesse candidato”.

Pedro Nuno Santos deixou assim em aberto a possibilidade de votar em Ana Gomes. A ex-eurodeputada socialista está em reflexão sobre a possibilidade de avançar. “Continuo a refletir e não tenho pressa. Quando decidir, anunciarei. Não tenho prazo”, disse ao semanário SOL, no final de Maio.

Bloco de Esquerda e PCP também não querem ficar fora da corrida. Os comunistas já garantiram que vão apresentar um candidato próprio que “dê voz ao projeto e valores de Abril, à defesa dos direitos dos trabalhadores e do povo e à afirmação da igualdade e justiça sociais, e da soberania e independência nacionais”. Os bloquistas também deverão anunciar uma decisão em breve e o mais certo é voltarem a apoiar a candidatura de Marisa Matias.

À direita, André Ventura já arrancou com a campanha e garante que vai percorrer todo o país. O líder do Chega vai para a estrada com o ambicioso objetivo de disputar a segunda volta com o atual Presidente da República. O candidato do Chega defende “um Presidente interventivo, que seja capaz de defender a direita e não que finja que é de direita para continuar a defender os interesses do Partido Socialista”.

 

Aliança escolhe candidato

A Aliança de Pedro Santana Lopes também poderá avançar com um candidato próprio. As presidenciais são um dos temas a discutir no congresso extraordinário do partido, que foi agendado para os dias 26 e 27 de setembro. “Em setembro, começará um novo ciclo, com eleição de novos órgãos nacionais. Nessa ocasião, entre outras matérias, a Aliança definirá a sua posição sobre as eleições presidenciais. Pelo que ouvi, nesta altura, uma maioria considerável inclina-se para o apoio a uma candidatura própria. Houve uma intervenção forte, de um senador, a defender o apoio à recandidatura do atual Presidente e, algumas, também convictas, em completa oposição a essa possibilidade. Pluralismo natural nestas situações”, escreveu, na sua página do Facebook, após a reunião da direção nacional e do Senado, neste fim de semana.