Sociedade

Quase 90 médicos demitiram-se em bloco no Hospital de Setúbal

Profissionais de Saúde falam em “situação dramática” naquela unidade de saúde e dão “grito de alerta”.


Após o diretor clínico do Centro Hospitalar de Setúbal se ter demitido mais 87 médicos, entre membros da direção clínica, membros da direção de serviço e departamentos, coordenadores de unidade e comissões e ainda chefes de equipa de urgência, demitiram-se em bloco, na quarta-feira, em solidariedade com a atitude de Nuno Fachada.

Segundo o Observador, apenas três profissionais de saúde não subscreveram a carta de demissão, após alguns dias de recolha de assinaturas.

Também na quarta-feira foi realizada uma conferência de imprensa, na sede da Secção Regional Sul da Ordem dos Médicos, na qual estiveram presentes representantes dos vários sindicatos dos médicos.

O bastonário da Ordem dos Médicos apelou a quem tem a tutela da Saúde a ter respeito pelos profissionais e exortou o Governo a vir “rapidamente” ao Hospital de Setúbal ver e ouvir o que se passa e a não adiar mais a resolução dos problemas estruturais no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Na mesma ocasião, Pinto de Almeida, diretor demissionário do Serviço de Obstetrícia do Hospital de Setúbal, sublinhou que se vive “uma situação dramática” naquela unidade hospitalar, que está em “rutura iminente”, e apelou também a que o Ministério da Saúde intervenha rapidamente.

“Nada foi efetuado de forma estrutural que resolva este problema e o serviço está numa situação de rutura iminente”, lamentou Pinto de Almeida. “Basta, que por exemplo, outros hospitais estejam em grandes dificuldades” e não consigam responder aos utentes, para que o Hospital de Setúbal entre em rutura, acrescentou.

“Os nossos médicos recém-especialistas são sistematicamente assediados para ir para outros hospitais”, lamentou o diretor demissionário do serviço de obstetrícia, para quem esta demissão em bloco deve servir como “um grito de alerta”.

"O Hospital de Setúbal vive a situação mais aguda no país em termos de falta de médicos e condições para trabalhar e o anúncio recente da contratação de dez novos médicos não chega", reiterou o bastonário, tomando as palavras de Pinto de Almeida.

Recorde-se que o ex-diretor do Centro Hospitalar de Setúbal, Nuno Fachada, apresentou a demissão do cargo na passada quinta-feira, decisão que justificou com a situação de rutura nas urgências.