Internacional

Zelensky acusa Rússia de usar a "fome como arma" e condena hesitação da Europa

Presidente ucraniano criticou os líderes políticos e empresariais por se preocuparem mais com os negócios do que com os crimes de guerra. 


O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de usar a “fome como arma” contra os ucranianos e ainda condenou Europa por hesitar em proibir as importações de energia russa, ao considerar que alguns líderes estão mais preocupados com as perdas de negócios do que com crimes de guerra.

As acusações de Zelensky foram feitas, esta quarta-feira, perante o parlamento irlandês, numa mensagem na qual pediu apoio económico, militar e diplomático para combater a Rússia. Com o escalar da violência, o chefe de Estado ucraniano denunciou mais uma vez os constantes ataques russos a infraestruturas civis na Ucrânia, sobretudo na cidade de Mariupol, onde nem a neve derretida está ao alcance para as pessoas usarem como água potável.

O Presidente ucraniano acusou ainda o regime de Vladimir Putin de usar "fome como arma" contra os ucranianos, lembrando que países do norte de África e da Ásia dependem dos cereais produzidos em solo ucraniano. "O país que faz isso não merece estar no círculo dos países civilizados", afirmou, sublinhando que a Rússia está a tentar "subjugar o povo ucraniano".

Apesar de a Comissão Europeia já ter apresentado um novo leque de sanções que visam a importação de carvão russo, o líder da Ucrânia destacou a nova “retórica” sobre as sanções, no entanto admitiu que não pode "tolerar nenhuma indecisão" depois de tudo o que o povo ucraniano sofreu e que continuaa sofrer nas mãos das tropas russas.

"Ainda precisamos de convencer a Europa de que o petróleo russo não pode alimentar a máquina militar russa com novas fontes de financiamento", acentuou Zelensky, que apelou à exclusão total dos bancos russos das finanças ocidentais. Note-se que neste novo pacote de sanções, a União Europeia quer expulsar quatro dos principais bancos russos do mercado financeiro europeu.

"A única coisa que nos falta é a abordagem baseada em princípios de alguns líderes - líderes políticos, líderes empresariais - que ainda pensam que a guerra e os crimes de guerra não são tão horríveis quanto as perdas financeiras", vincou o Presidente.

No início desta semana, os relatos de mortes em massa de civis galgou depois do massacre verificado em Bucha e ainda noutros lugares na Ucrânia que estiveram ocupados por tropas russas.

Estas atrocidades aumentaram a pressão na Europa para que preparasse uma nova resposta aos ataques russos. Por isso, a União Europeia (UE) está a preparar-se para implementar um quinto pacote de sanções à Rússia, proibindo por enquanto as importações de carvão russo.

Esta quarta-feira, num debate no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, disse acreditar que as sanções da UE deverão abranger, "mais cedo ou mais tarde", importações de petróleo e gás russo.

"Eu penso que medidas sobre o petróleo e mesmo o gás também serão necessárias mais cedo ou mais tarde", disse Charles Michel, ao notar que o mundo agora, depois da degradação de Mariupol, pôde assistir a "crimes contra humanidade, contra civis inocentes, em Bucha e muitas outras cidades".

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