Os algoritmos não reproduzem ideais, reproduzem hábitos. E os hábitos, quando vistos de fora, raramente são tão nobres como gostamos de acreditar
A questão que a IA nos coloca não é sobre tecnologia, é sobre nós próprios e as nossas organizações
Os últimos vinte anos roubaram-nos alguns dos maiores génios de sempre, um por um, como se alguém lá em cima tivesse decidido que já tínhamos música boa demais.
Hoje, como ontem, não é falta de notícias, é excesso de distração. Byron é o O. J. Simpson e Gaza é o Ruanda. E nós? Nós somos os mesmos imbecis, só que com smartphones.
Inventámos-te para nos ajudar, mas começámos a usar-te para nos substituir. E aí começa a traição. Não da tua parte porque tu és apenas uma engrenagem elegante, a cumprir o que te pedem. A traição é nossa, quando aceitamos respostas sem perguntas, conselhos sem experiência, textos sem voz.
Somos ambiciosos e estratégicos no LinkedIn, felizes e bem-sucedidos no Instagram, indignados e certeiros no X e ainda melancólicos e profundos no Spotify. Não mentimos, fragmentamo-nos. Como Joe, habitamos corpos que não são nossos, mas tendemos a esquecer qual era o original.
Como nos orientamos num labirinto onde o futuro muda todos os dias.
Como gauleses deslumbrados com os presentes exóticos trazidos pelos mercadores fenícios, esquecemos por vezes que cada presente tem um preço e que raramente existe almoço grátis na geopolítica global.
Literacia digital torna-se simultaneamente uma questão de justiça social e de soberania
A Cimeira de Ação sobre IA (“AI Action Summit”) reuniu líderes mundiais em Paris
O desafio do nosso tempo não é ignorar a morte, mas aprender com ela
Existe algo de profundamente kafkiano na forma como nos relacionamos com a moda, quase como que uma metamorfose diária onde acordamos como pessoas normais e, depois de 45 minutos de pânico em frente ao guarda-roupa, emergimos como personagens de uma peça de teatro que ninguém ensaiou.
A censura, essa velha amiga dos portugueses, também ela evoluiu com os tempos
A verdadeira liberdade já não reside no isolamento digital, mas na nossa capacidade de formar comunidades conscientes que compreendem as ferramentas digitais como elementos transformadores do nosso ser individual e coletivo.
Se Fernando Pessoa fosse vivo, o Álvaro de Campos provavelmente estaria num retiro de mindfulness em Sintra, enquanto o Ricardo Reis discutiria no Zoom o rebranding da crise existencial do grupo.
A estupidez humana é uma força da natureza, mais imbatível que o Bayern de Munique e mais resiliente que a Dolly Parton, mesmo depois de 17 plásticas.
Deixemos as margens do Nilo e zarpemos rumo ao século XIX, onde o ópio, de mero analgésico para as dores da alma, ascendeu a estrela principal de um drama geopolítico com um enredo digno de Oscar
Hoje em dia, tudo gira à volta da aparência. O que interessa é ter muitos gostos e corações nas redes sociais. Todos se fingem esquisitos e seletivos, mas são descartados como lenços de papel. É o que eu chamo de amor à primeira selfie.
Quem de nós nunca fingiu estar absorto na leitura de um jornal, enquanto os ouvidos se focam na discussão fervorosa da mesa ao lado?