Politica

PS sem direcção até 2015

Se a vitória de domingo for para António Costa, o PS vai estar pelo menos dois meses à espera que o novo líder assuma de facto o comando do Largo do Rato. Os costistas têm esperança de encurtar os prazos, dada a excepcionalidade do momento, mas os estatutos atiram para o final do ano a resolução do problema.

Seguro já disse que, se perder, pedirá a demissão de secretário-geral. Mas a direcção continuará afecta a Seguro até Dezembro. E enquanto a casa dos socialistas não fica arrumada, haverá um momento crucial no Parlamento: o debate do Orçamento do Estado (OE). Costa não é deputado e portanto não poderá enfrentar ele próprio o Governo e mostrar ser a "verdadeira alternativa". Nessa altura, apesar de ainda não ser formalmente líder do PS, será ele a dar as ordens à bancada parlamentar e contará com os apoiantes Pedro Marques, João Galamba e Pedro Nuno Santos, que nos últimos dois anos fizeram o debate pelo PS.

Quanto a Seguro, se perder as primárias, onde se sentará? Continuará na linha da frente da bancada? O debate, nesse caso, teria  alguns constrangimentos que parecem não ser motivo de preocupação. "Neste momento é que há uma indefinição. A partir de domingo à noite, o PS terá uma liderança clarificada. Ganhando António Costa, a ideia de alternativa ao Governo sairá reforçada no debate", afirma ao SOL Eduardo Cabrita, deputado e presidente da Comissão de Orçamento e Finanças. "Se perder, Seguro não deve abandonar o Parlamento, mas entregará de imediato a liderança, como prometeu. Não vai complicar a transição", diz um socialista que acompanha o processo das primárias.

A proposta de redução do número de deputados promete ser o primeiro momento de tensão pós-primárias. Seguro acelerou o processo e a discussão em plenário será feita já na quarta-feira, dia 1. Isto se Costa não pedir à liderança da bancada para retirar o projecto que já foi amplamente criticado pelos costistas. "A maioria do grupo parlamentar é claramente contra esta posição. Não podemos valorizar muito esta proposta do ponto de vista formal", afirmou António Costa, em entrevista à Rádio Renascença. 
 
Casa arrumada só no final do ano

Após as primárias de domingo, terá que ser marcada uma reunião da Comissão Nacional para agendar o Congresso - onde será feita a entronização do novo líder -, antecedido de eleições directas para secretário-geral. A Comissão Nacional é o único órgão que não permite antecipar reuniões,  pelo que, se for convocada logo no dia 28, poderá reunir no dia 12 de Outubro. Segundo os estatutos e regulamentos do partido, a marcação do Congresso e eleição da Comissão Organizadora têm que ser feitas com 60 dias de antecedência. 

Sendo assim, o Congresso deverá ser marcado para os dias 12, 13 e 14 de Dezembro, com eleições directas 15 dias antes, a 28 ou 29 de Novembro. Estes são os prazos mínimos, mas há quem tenha a interpretação de que os 60 dias de antecedência contam para as directas e não para o Congresso, o que prolongaria o processo.

Quinze dias depois do Congresso é marcada nova reunião da Comissão Nacional para eleger o Secretariado, mesmo no final do ano, a 27 de Dezembro, e os socialistas ficam finalmente com a casa arrumada.

Duarte Cordeiro, operacional da campanha de Costa, tem esperança que os prazos possam ser encurtados. "O PS já conseguiu fazer directas e congresso num mês e meio. Espero que, perante uma situação excepcional, como esta, isso seja possível", afirma ao SOL. Duarte Cordeiro está concentrado, para já, na fiscalização dos resultados das primárias. E confiante: "Garantimos que as candidaturas têm poder de fiscalização em todos os locais de voto, mesmo em concelhos onde não tenham direito  - por falta de apoiantes - a estar representadas na mesa de voto".

sónia.cerdeira@sol.pt