Politica

Bancada do PS muda de líder

Se António Costa vencer as primárias para primeiro-ministro, a liderança parlamentar de Alberto Martins pode não sobreviver até ao congresso. Apoiante ferrenho de Seguro, Martins colocou-se ao lado do secretário-geral, contra a maioria do grupo parlamentar, no projecto de redução de deputados. “É quase impossível que permaneça no lugar depois disso”, diz ao SOL um elemento do círculo de Costa. Com o congresso previsivelmente à distância de mais de dois meses, a dança de cadeiras dificilmente aguardará tanto tempo. E Costa tem nomes para o lugar.

Alberto Martins diz que só depois de domingo decide o que fazer, se Seguro perder as primárias: “Ainda não pensei sobre isso. Não quero colocar hipóteses, estamos todos à procura da vitória”, declara ao SOL.

Além de ter assinado o projecto de redução de deputados - que Costa já disse que deixa cair se for eleito nas primárias de domingo - o actual líder da bancada cometeu, aos olhos das alas costista e socrática, um outro pecado: fê-lo ao arrepio do que era a sua própria convicção, quando o PSD apresentou há poucos anos um projecto para reduzir deputados.

Com a discussão do Orçamento do Estado pela frente, Costa, que ao contrário de Seguro não é deputado, quererá ter a bancada afinada. Mudando a direcção parlamentar terá mais garantias de que os deputados da área de finanças (seus apoiantes) ficarão em linha com o líder na Assembleia da República.

Lacão ou Ana Catarina?

Vários nomes surgem com hipóteses de substituir Alberto Martins. “A primeira questão a decidir é se prefere um deputado com peso ou aproveita para dar protagonismo a uma geração mais nova”, diz um costista. No primeiro caso há um nome que aparece como o mais forte: Jorge Lacão. O ex-ministro dos Assuntos Parlamentares de Sócrates e líder parlamentar no tempo de Guterres tem um problema: “Escolhê-lo é dar um sinal de regresso ao passado”, segundo um ex-dirigente do PS.

A alternativa é Ana Catarina Mendes. A directora de campanha de Costa somou pontos ao vencer de forma inesperada as eleições na federação distrital de Setúbal, permitindo a Costa tomar a dianteira na campanha das primárias. Vai fazer 20 anos como deputada. “Está na altura de dar o salto”, defende um companheiro de bancada.

Pedro Marques é também hipótese. A favor do ex-secretário de Estado de Vieira da Silva joga a idade e os conhecimentos na área económica.

manuel.a.magalhaes@sol.pt