Opiniao

Costa e Jerónimo deveriam ter levado queijo e vinho

O encontro entre António Costa e Jerónimo de Sousa foi mais um pacto do que um debate. Os dois, algo de que não me lembro de ter assistido de uma maneira tão clara na história da democracia portuguesa, optaram por não se confrontarem, não se questionarem, não colocarem em causa as suas bases sociais de apoio. António Costa não quis roubar eleitorado ao PCP. Jerónimo de Sousa não pretendeu colocar em causa o resultado do PS. Porque o fizeram? Por acreditar que a base social de apoio comunista está segura, Costa preferiu passar a ideia de respeito socialista por uma matriz de esquerda. E Jerónimo por poder fazer beneficiar o PCP de uma subida ao poder de António Costa. 

Ninguém ganhou este debate. Ninguém fez por ganhá-lo. Neste caso era irrelevante. O secretário-geral do PS, nos últimos dez minutos, explicou que o PCP defende a saída do Euro e enumerou as consequências. Assumiu ser a principal entre todas as discordâncias. Na reta final, o secretário-geral dos comunistas confessou não acreditar nos socialistas porque “gato escaldado da água fria tem medo”. Foram os momentos mais quentes do debate. Desculpem-me a ironia.

Jerónimo de Sousa pareceu-me melhor do que nos últimos dias. Tem aparentado um grande cansaço, as palavras não lhe têm fluido como no passado. Nesta conversa amigável com Costa voltou a espaços a ser o Jerónimo que não descola dos tops de simpatia. Já António Costa não fugiu ao guião que trazia. Mensagens escolhidas para indecisos à esquerda e uma bonomia que não tinha sido vista nos debates anteriores.

Uma conversa morna a que faltou um bocadinho de queijo e um copo de um bom tinto. Não se vão coligar depois das eleições, mas lá que parecia…   

luis.osorio@sol.pt