Politica

Costa encontrou ’17 ou 18 lacunas graves’ na proposta de Passos

António Costa quer afirmar-se como o líder que vai apresentar “um governo alternativo”. Por isso, à saída do encontro com Passos e Portas, Costa atacou a proposta da coligação que considerou “insatisfatória” por não ser um virar de página em relação à austeridade.

Para o líder do PS, o “documento facilitador” da PàF “não traduz um esforço suficiente” para “uma mudança de política, que rompa com a austeridade” e inicie uma fase de crescimento com uma “estratégia assente na criação de emprego”.

Costa considera-se mandatado por uma votação maioritária nos partidos à esquerda e lê nisso uma “vontade de mudança” que pretende usar para fazer a coligação abandonar as políticas da austeridade, rejeitando o que diz ser uma tentativa de Passos de transformar as ideias do PS “em bolas de Natal para enfeitar a árvore que é o programa da coligação”.

O líder do PS não fecha a porta a um entendimento com a coligação, mas também não põe de parte a formação de uma maioria de esquerda que traduza a vontade de mudança que vê nos resultados eleitorais, lembrando que quem votou no PS não votou para apoiar a mesma política que estava a ser seguida, mas para mudar.


As falhas que Costa encontrou

Costa disse ter “esmiuçado” o documento que Passos e Portas levaram para a reunião. E afirmou ter encontrado “mais de 17 ou 18 exemplos de lacunas graves de que o documento enferma”.

“A não assunção da centralidade que a política de emprego e de combate à precariedade tem de ter na nossa politica económica” é uma dessas falhas, mas a lista continua com a ausência de “medidas como o combate à pobreza infantil”, “a revisão dos escalões do IRS” e a reposição dos salários da Função Pública; mas também com a falta de compromissos no que toca a temas como a revisão do IVA da restauração, a redução das taxas moderadoras e a prioridade à educação de adultos.

“Não encontrámos eco na coligação nas críticas que apresentámos, nas críticas que fizemos”, concluiu Costa, que vê “urgência de uma mudança de política” e tem também pressa em encontrar uma solução que evite um pântano político.

Para isso, vai continuar as conversas à esquerda e assegura que enviará a Passos e Portas “por escrito” tudo o que disse na reunião. Mesmo que ainda não avance uma data nem para o envio dessa contra-proposta pedida pela PàF nem para nova reunião com a coligação.

Costa lembrou apenas que para a semana já haverá resultados eleitorais finais, uma vez que amanhã serão conhecidos os votos dos emigrantes, acreditando que a partir desse momento o Presidente da República deverá querer encontrar uma solução de governabilidade.

O líder do PS garante que não está preocupado com lugares, mas com políticas e vai insistir com Passos e Portas para um “virar de página na austeridade e no empobrecimento”.

“Não estamos a discutir cargos para mim”, assegurou aos jornalistas no final de mais um encontro inconclusivo com a coligação.

margarida.davim@sol.pt