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‘Sou contra o aborto mas nunca condenaria uma mulher que aborta’ | VÍDEO

André Ventura fala de tudo: da infância pobre, da relação com Deus, dos ciganos, do aborto, da homossexualidade e do seu novo partido.

Nasceu em Algueirão?

Sim, em Sintra, há 35 anos.

O que faziam os seus pais?

O meu pai era comerciante e a minha mãe trabalhava no apoio ao secretariado e assim foi sempre, desde que me conheço. Tiveram algumas dificuldades em pagar-me os estudos, sobretudo na universidade. Foi sempre isso que fizeram e agora estão já retirados.

Os seus pais não eram católicos. De onde vem essa vontade de se batizar aos 14 anos?

Os meus pais não nos batizaram. Optaram por nos dar liberdade religiosa. E eu sentia uma diferença muito grande em relação aos outros miúdos da escola: os outros eram batizados e eu não era, os outros tinham vida religiosa e eu não tinha. Portanto, quis perceber porquê. Ao querer perceber porquê, descobri Deus. E hoje Deus é um fator importantíssimo na minha vida. Descobri Deus aos 14 anos. Aos 14 anos, fui eu próprio pelo meu pé à igreja de Algueirão. O padre António Fernando pode confirmar isso. Fui lá e encontrei-me com ele. Ainda hoje somos amigos. Na altura, disse-lhe que queria conhecer Deus e queria ser batizado. Conheci Deus pela minha própria vontade, a ir à missa. Batizei-me por minha própria vontade. Fiz a primeira comunhão por minha própria vontade. Fiz o crisma por minha própria vontade. Fui para o seminário, para ser padre, pela minha própria vontade. E tudo isto foi feito por ter descoberto uma coisa que me mudou a vida: Deus.

Como se descobre Deus?

Eu descobri Deus através de duas coisas: ao perceber que o vazio em que estava a viver não me completava e ao sentir que havia alguma coisa que me orientava para um determinado caminho. E aí eu percebi que Deus estava na minha vida. Foi a descoberta mais feliz que fiz até hoje. Não fui padre porque me apaixonei e sou sério e, portanto, não podia estar no seminário e estar apaixonado ao mesmo tempo. Mas Deus nunca mais saiu da minha vida. Ainda hoje está presente e rezo todos os dias quando me deito.

Normalmente associa-se alguém que andou no seminário e teve esse percurso a uma pessoa calma e moderada, que é tudo aquilo que o André não é.

É uma coisa estranha. Eu vejo a fé como São Paulo a vivia: ou é para sermos radicais ou não vale a pena. Talvez eu seja um pouco radical em tudo o que faço na vida. No futebol e na política sou uma pessoa de convicções muito fortes. E acho que, de alguma forma, Deus me ajudou a perceber isso. Há uma frase de São Paulo que diz: «Deus vomitará os mornos». Ou seja, aqueles que estão sempre à procura de coisas mornas, de lugares em que a vida lhes corra sempre bem, são os mornos, os equilibrados, os moderados. Eu, como não estou a pensar nisso, estou a pensar naquilo em que acredito, sou sempre um bocado mais radical. Hoje olho para trás e vejo os colegas que estiveram no seminário comigo e, de facto, todos são mais moderados do que eu. Mas vou continuar assim,  porque é nisto que eu acredito. Estou disposto a levar até ao fim as minhas convicções.

Abandona o seminário, vai para a universidade e torna-se um aluno brilhante…

Sim, acabei o curso com 19 valores. Foi um esforço muito grande. Esses são os tempos de que mais me orgulho e, ao mesmo tempo, mais me arrependo na minha vida. Tenho orgulho porque fiz um esforço monumental. Estava quase obcecado com ser o melhor. Não tenciono fazer-me de vítima, mas vim de uma zona de subúrbios, onde as pessoas não passavam de uma determinada fase. Muitos dos meus colegas de escola em Mem Martins hoje trabalham na mercearia com o pai ou na fábrica. Eu sentia que também não ia passar dali. Por isso, esforcei-me a triplicar. Quem me acolheu em Lisboa foi uma igreja, a igreja de São Nicolau, com o padre Mário Rui. Vivi aí durante o meu tempo na faculdade e tinha o objetivo de ser o melhor. E isso orgulha-me muito. Fui um dos melhores alunos de sempre da Universidade Nova de Lisboa. Lutei sempre muito por isso. Mas ao mesmo tempo sinto que perdi uma fase muito importante da vida. Perdi o tempo das saídas à noite, da diversão própria da universidade, porque só pensava em Direito e só queria ser o melhor. E isso prejudicou-me de alguma maneira. Se fosse hoje não fazia a mesma coisa.

Uma vez que vivia tão perto de Lisboa, em Mem Martins, por que fala da vinda para Lisboa como uma mudança tão grande?

Eu saí do seminário porque me apaixonei. No seminário onde eu andei, em Penafirme, havia alunos externos, rapazes e raparigas. Eu apaixonei-me por uma dessas raparigas, chamada Ana Luísa. E decidi sair, porque queria ser sério na vivência da fé, mas o chamamento de Deus e da Igreja nunca me deixou. Portanto, apesar de viver perto de Lisboa, são 20 quilómetros, achei que devia viver numa igreja. O padre Mário Rui convidou-me para fazer a vida da universidade dentro da igreja. Vivi interno e ia a casa só aos fins de semana às vezes. É uma igreja e por cima tem uma residência. Ainda hoje vivem lá alunos, principalmente dos PALOP. Só saí de lá quando terminei o curso.

Durante esse período, teve alguma briga com alguma etnia?

A minha cultura cristã sempre me levou por caminhos de integração e de promoção da diversidade. Mas foi na Baixa de Lisboa que comecei a perceber que muita da comunidade cigana que hoje temos – não toda mas muita – dá uma má imagem de Portugal para fora. Dá uma má imagem, por exemplo, ao vender produtos que não sei se são droga ou não mas que são apresentados como tal, na rua Augusta e em zonas de muito turismo. E talvez tenha sido nesse primeiro confronto pessoal que eu senti que a comunidade cigana estava muito desintegrada. E estou a referir-me não só à comunidade cigana nacional, mas também à internacional. Foi nessa altura que comecei a perceber que a maioria da comunidade cigana não respeita o Estado de Direito. E o Estado de Direito também se esquece dela. Por muito que eu não quisesse dizer isto é isto que eu sinto.

Mas não há nenhum momento que tenha sido determinante, como uma briga ou um assalto?

Já fui assaltado, mas não foi determinante. Já fui assaltado na Baixa de Lisboa, até mais do que uma vez. Um dia estava numa esplanada, com a carteira em cima da mesa, e vieram umas romenas com um mapa a perguntarem-me se eu sabia onde era a rua que ia dar ao Elevador da Graça. Quando eu estava a explicar, fiquei sem carteira. Mas não é isso que me motiva na minha luta. De resto, na casa onde eu vivia moravam também angolanos, cabo verdianos e eu sempre me dei bem com todos. Neste novo projeto que tenho, o Chega!, existem pessoas de todas as raças e etnias. Mas, nesta questão específica da etnia cigana, tive a minha perceção desde cedo.

Quando esteve a fazer o doutoramento na Irlanda, não sentiu que era uma pessoa que estava a mais em relação à comunidade local?

Eu estive em Cork, na Irlanda, e fui muito bem recebido. Queria doutorar-me e foi isso que fiz. Especializei-me na questão da luta contra o terrorismo e da segurança interna. Senti efetivamente que havia duas Europas: uma Europa do Norte com os países ricos e a Europa do Sul. Acho que quem esteve em Inglaterra e na Alemanha sente que portugueses, espanhóis e italianos têm imediatamente uma afinidade comum na vida universitária. Senti que não temos uma Europa comum, temos uma Europa a dois. O que senti ao mesmo tempo foi que portugueses, espanhóis e italiano, da tal Europa do Sul, vão para estes países para trabalhar, ou seja, para contribuir. E o que eu sinto é que hoje há etnias e grupos que não estão para contribuir, estão para receber do Estado. Ou seja, para sugar o Estado.

O que retirou mais do curso na Irlanda?

Retirei uma dificuldade muito grande que é escrever uma tese em inglês. Mas sobretudo o choque da multiculturalidade na Irlanda e também em Inglaterra. E, desde esse tempo, que reflito numa questão: como é que conseguimos ter uma Europa assente em multiculturalidade, em que todos contribuam e não haja apenas uns a sugar o dinheiro dos outros? Hoje esse é um dos desafios que eu tenho. Que país e que Europa queremos? Uma em que há grupos diferentes, mas em que todos estão para contribuir e não para estar metade a trabalhar para outra metade. Para todos os países em que estive – também estive em Espanha durante o curso em Erasmus – eu sempre tive o objetivo de contribuir, ou seja, estudar e mostrar que era uma mais valia. Mas percebo que nesta Europa ainda há esta ideia de que quanto mais sugarmos melhor.  Critico isso em Portugal em relação a algumas etnias e alguns grupos.

Reparo que fala muito rápido. Deve ter um raciocínio muito rápido também. Onde vai buscar essa energia?

Sempre falei muito rápido e os meus alunos queixam-se disso também. Às vezes pedem-me para falar mais devagar. Mas sempre foi assim, quer na expressão quer na escrita, sou muito rápido. Já no seminário era assim. Na altura, tive um problema: eu queria discutir todos os assuntos. Por que motivo não há sacerdotes mulheres? Qual a razão para os problemas da Igreja com a homossexualidade? Por que é que a Igreja não é mais firme na questão das minorias étnicas? Qual o motivo para a pedofilia continuar a assolar a igreja? E sentia que a Igreja, em qualquer assunto, precisa de 10 anos para haver conclusões e decisões. Eu não sou assim: gosto de decidir, de agir e de fazer coisas rápidas.

Como foram as primeiras aulas de Direito que deu?

Foram difíceis, porque tinha de lidar com 100 pessoas dentro de uma sala. Mas sempre tive a sorte de ter o apoio dos regentes das disciplinas e dos coordenadores de curso. Sempre me apoiaram muito e viram o meu potencial. Alguns deles se calhar hoje estão arrependidos, no sentido em que as ideias que depois defendi não foram as que eles gostariam. Mas eu sempre distingui muito bem a vida académica da vida política. Há uma coisa que garanto: nas minhas aulas nunca entrou nem política nem futebol. Eu dou aulas de forma rigorosa e científica. Dou o meu melhor, mesmo que nem sempre seja o mais acertado. Dou aulas de Direito Fiscal. Nunca, em momento algum, abordei política com os meus alunos. Nunca lhes disse: «Isto é assim e são estas as minhas convicções». O que digo é «esta é a lei e é isto que temos de estudar».

Mas já disse em várias entrevistas que discute muito os programas do dia anterior…

Sim, nos intervalos das aulas os alunos vêm muitas vezes perguntar-me: «Professor, por que disse isto na televisão?». Ou falam do que vem nos jornais. Por exemplo, a entrevista que dei ao jornal i e depois ao Sol na semana seguinte, no ano passado, foi muito falada. Abordam-me nos intervalos e eu aí tenho muito interesse em falar com eles. Mas as aulas para mim são sagradas. Não misturo política, televisão ou entrevistas com as aulas e com a ciência. Senão os alunos podem dizer que estou a fazer propaganda. E eu nunca quis fazer isso.

Antes de dar aulas, trabalhou na Autoridade Tributária…

Sim, até 2014 fui inspetor da Autoridade Tributária. E estive lá quatro anos. Depois, estive na Benfica TV e de seguida no Correio da Manhã, onde analisava casos de justiça. E achei que as coisas eram incompatíveis. Por exemplo, o caso do antigo primeiro-ministro José Sócrates estava a ser investigado na altura na Autoridade Tributária. E eu já sentia que havia ali um certo conflito. Ou seja, estava durante o dia na Autoridade Tributária e à noite estava na televisão a falar de processos que a Autoridade Tributária investigava. Achei que isso não era correto e, por isso, com prejuízo económico, pedi licença sem vencimento, para me dedicar só às aulas e à televisão. Ainda estou nessa situação. Se um dia quiser voltar posso fazê-lo, mas eu entendo que um comentador de televisão não deve ser inspetor nem da Polícia Judiciária nem da Autoridade Tributária nem do SEF em exercício de funções. Não é uma crítica direta, mas acho que não devemos ter funções de investigação e estar ao mesmo tempo a comentar casos, porque isso enfraquece-nos. Voltarei à Autoridade Tributária se um dia deixar de fazer política e de fazer comentários na televisão.

Que ideia tem do país enquanto professor? E enquanto inspetor da Autoridade Tributária?

Duas ideias diferentes. Como inspetor tributário, penso que Portugal tem um problema muito sério de economia paralela. Temos uma cultura de que, talvez por força da carga fiscal absurda que temos, ‘quanto mais posso fugir mais o faço’. E isso prejudica a economia do país e prejudica a nossa cultura fiscal e cívica. Como professor, tenho uma ideia diferente. Tenho tido alunos de todo o tipo. Por exemplo, na Universidade Nova tive o prazer de colaborar no Mestrado de Direito e Segurança, com muitos polícias, magistrados e fiquei com uma ideia de que temos bons ativos na Justiça. Pessoas que pensam. No geral, tive sempre alunos empenhados, que querem fazer melhor e aí tenho sempre uma dose de esperança. Como professor, o país dá-me uma grande dose de esperança. Como inspetor tributário, o país dá-me uma dose de pessimismo, porque sinto que os governantes não se preocupam com a carga fiscal absurda que temos, que o Ministério das Finanças está preocupado em cobrar a todo o custo e saquear o mais possível os portugueses, independentemente das consequências que isso terá para o futuro, e que a economia paralela em Portugal – e talvez também em Espanha e Itália – é um fenómeno de impossível resolução. E isso preocupa-me muito. Eu critico muito os grupos que não pagam impostos e sinto-me muito mal quando me dizem que há outros, do tal chamado grupo maioritário, que quando podem também fogem. Eu quero uma sociedade em que todos contribuam. Pagamos muitos impostos e não é justo que outros vivam dos nossos impostos. Nós hoje temos metade do país a trabalhar para a outra metade. E isso é uma grande injustiça, que a longo prazo vai ter consequências muito graves.

Não sente que é uma prova de desconfiança para consigo próprio não ter saído de vez da Autoridade Tributária? Por que é que ainda está com licença sem vencimento? Não acredita nas suas capacidades de comentador, político e professor?

É essencialmente porque é um trabalho de que eu gosto e onde me empenhei e sinto que também posso ser um ativo para o futuro do país. Mas, neste momento, sinto que posso contribuir mais para o país como agente político e como comentador do que como inspetor. Se algum dia deixar estas funções – e para mim as funções políticas são sempre transitórias –, o que eu quero é voltar a algo que me entusiasme. E o que me entusiasma é contribuir para um país fiscalmente mais justo e isso só o posso fazer na Autoridade Tributária. Por exemplo, eu estive na short list para ser diretor da Unidade dos Grandes Contribuintes, que é definido em concurso público e não por nomeação. Depois, houve todas estas mudanças e eu agora sinto que é aqui que posso contribuir. Mas um dia, se entender que o meu tempo político chegou ao fim, gostaria de voltar à Autoridade Tributária e poder continuar a contribuir para isso. Eu vejo-me como um serviço público. Sei que se ganha mal, mas vejo-me assim e gosto de me ver assim.

Portanto, é uma espécie de Mariano Rajoy?

Nesse sentido, sim. Eu gosto muito de Rajoy. Acho que é um ótimo exemplo de servidor público. Acho que hoje as pessoas têm esta perceção dos políticos: quando saem da política têm a vida feita. Até se usava a expressão ‘chegam a Lisboa com uma mão atrás e outra à frente e saem de Lisboa com um património gigantesco’. E eu quero que daqui a uns anos, ao ser entrevistado, me perguntem: ‘O que é que retirou da vida política?’. E eu possa responder: ‘Retirei fazer isto e aquilo pelos portugueses e agora voltei ao meu trabalho na Autoridade Tributária’.

Mas, acredita que, entrando na vida política a sério, vai conseguir sair dela?

Sempre defendi que os políticos têm o seu tempo e o seu prazo de validade. E o problema que temos hoje é não se saber sair, tanto nos partidos políticos como nos clubes de futebol. É a mesma coisa. Saber sair é muito importante. O momento em que nós percebemos que já contribuímos, demos o nosso melhor e que agora é tempo de ir embora é muito importante. O que eu espero é que nunca ninguém tenha este pensamento sobre mim: já está aqui há duas décadas e ainda não percebeu que é o seu tempo. Gostava de conseguir dizer que o meu tempo chegou e sair no meu tempo.

O que mudou na sua vida com a ida para a CMTV, primeiro como comentador de justiça e depois de desporto?

Muita coisa mudou. Antes disso, eu era um inspetor reservado, discreto e conhecido apenas no meu bairro. Quando fui para a televisão, acompanhei uma fase de grande crescimento da CMTV, mesmo em termos de audiências. E comecei a comentar numa área que é a minha, onde me sinto à vontade, que é a Justiça. Já a questão do desporto apareceu quase de surpresa e é a partir daí que, em termos de amplitude e do reconhecimento, tudo mudou. Confesso que me custou bastante, porque a minha vida sempre foi muito banal e discreta. A minha mulher não gosta de publicidade e o que encontrámos na rua, desde que eu me tornei comentador desportivo, foi muita agressividade, ofensas, insultos e ameaças de morte. A entrada na vida política aumentou ainda mais esse nível de tensão. Mas também não sou hipócrita, eu sabia perfeitamente naquilo que me estava a meter. Portanto, tenho de agradecer as oportunidades que tive, tanto como comentador como na política. Nós não nos podemos queixar do que temos e do que não temos. Temos de fazer opções e eu fiz a opção de assumir publicamente as minhas ideias. E isso tem consequências. Se são todas positivas? Não. Hoje há sítios onde não vou, porque sou insultado e mal tratado. Por exemplo, centros comerciais deixei de ir. Ninguém gosta. E sozinho já me custa, mas com a minha família custa-me mais ainda. Mas, se me perguntarem se trocava isso pelo que tinha antes, não trocava.

É só a centros comerciais que não vai?

Não, não vou a feiras, não vou a supermercados… Sempre que vou sou maltratado.

Nas feiras foi insultado por membros da etnia cigana?

Sim, pela etnia cigana fui muito insultado. Uma vez, ali perto da rua Almirante Reis, parei para uma coisa rápida e fui agredido por membros da etnia cigana. Atiraram-me coisas, dentro de um estabelecimento comercial. Mas isto são coisas da vida política. Não quero fazer-me de vítima.

Chamou a Polícia?

Não, não chamei a Polícia. Fui agredido com um daqueles recipientes de guardanapos. Tenho a dizer que o senhor do café foi muito prestável e auxiliou-me. Depois, peguei nas minhas coisas e a vida continua. Agora, não vou deixar de dizer aquilo em que acredito só porque há pessoas que não gostam.

E a restaurantes vai? Sai à noite?

Não, agora evito por causa das más experiências que tive. Das poucas vezes que saí à noite em Lisboa, sobretudo pelo fenómeno futebolístico, não correu muito bem.

Ninguém lhe faz esperas à porta da universidade ou de casa?

Já tive situações de maior tensão física e que foram relatadas às autoridades. Há até uma processo que ainda está a decorrer. Mas até hoje, graças a Deus, nunca fui agredido fisicamente, tirando a situação que já relatei, ao ponto de sentir que precisava de assistência médica ou algo assim mais grave. Agora, ofensas e insultos nas redes sociais e na rua é muito frequente.

Vimos há pouco tempo umas imagens de Passos Coelho a fazer compras num supermercado. Pelo que nos disse, isso está fora de questão para si?

É difícil. Das vezes em que fui não correu muito bem.

Portanto, não faz ideia quanto é que custa um quilo de açúcar?

Não faço ideia. Não sei quanto custa um quilo de açúcar nem de outra coisa qualquer (Risos).

Não acha que é isso é um problema para um político? Não é um problema não saber como funcionam essas coisas do dia a dia das pessoas?

Sim, é. Sinto que os políticos hoje deviam viver estes problemas que as pessoas vivem. Não saberem ou não os viveram pode ser um problema. Eu sempre vivi tudo isso, porque nunca ninguém o fez por mim. Hoje, é a minha mulher que vai às compras. E só deixei de a acompanhar quando estes problemas dos insultos se começaram a adensar. 

Quando vivia em Mem Martins, em Algueirão, tinha alguns conflitos com a comunidade cigana? É que há quem insinue que tem algum trauma…

Não, eu não tenho nenhum trauma de infância. Estudei sempre em escolas públicas, tirando o ensino primário. Nunca quis nem nunca tive a possibilidade de andar em escolas privadas. E senti muito bem o que é esse embate: por um lado, é o fenómeno da insegurança e, por outro, o fenómeno da multiplicidade da diversidade étnica, porque Mem Martins é uma zona de muita imigração. Foi lá que eu percebi que há várias comunidades que não estão integradas. E, na minha opinião, a comunidade que menos integrada está e que menos esforço faz para se integrar é a comunidade cigana. Eu vivi isso na primeira pessoa. Vivi em Mem Martins e também na Baixa de Lisboa, como disse.

Como é que foi escolhido para ser o candidato do PSD à Câmara de Loures?

Eu já tinha muitos contactos no PSD, porque praticamente desde que saí do seminário fiz parte do PSD, primeiro em Mem Martins e depois na distrital de Lisboa, onde cheguei a ser vogal da Comissão Política Distrital. O Ricardo Andrade, que era na altura o presidente da Comissão Concelhia de Loures, já me conhecia e houve a oportunidade de me candidatar. E acho que foi um bom serviço. Tivemos o melhor resultado em décadas do PSD em Loures. Elegemos três vereadores. Portanto, fiquei muito satisfeito. Mas muitos dos meus problemas também começaram nessa campanha eleitoral.

Quando aceitou sabia perfeitamente que não ia ganhar, certo? Por que tomou a decisão de se candidatar?

Na verdade, houve um momento em que eu achei que era possível. Depois das entrevistas que dei ao jornal i e ao Sol, senti muito apoio na rua. Aliás, senti duas coisas: senti uma grande desilusão com algumas pessoas do PSD nessa altura e também do CDS, que até me tirou o apoio à Câmara depois da entrevista, e senti apoio na rua. Houve pessoas que me disseram que não votavam há 40 anos e que iam votar em mim. Outras pessoas explicaram que foram do PS toda a vida e que também iam votar em mim. Achei que era possível ganhar.

Mas quando avançou para a candidatura sabia que era muito difícil, certo?

Sim, aí sim. O PSD nunca ganhou em Loures. O melhor resultado tinha sido o do Pacheco Pereira, em 1989. Também por isso senti que era um grande desafio para mim e que podia afirmar-me politicamente, que era o que me fazia falta. Eu tinha estado sempre dentro do PSD, mas a um nível mais interno e achava que agora era o momento de dar a cara e conseguir afirmar-me publicamente. Portanto, decidi aceitar o desafio e correu bem.

Não acha que foi arriscado demais dizer que prometia arranjar 10 mil empregos em quatro anos?

Nós tínhamos estudos económicos e de impacto feitos. E o que pretendíamos era não só uma descida muito significativa da derrama para as empresas, para atrair mais empresas para o concelho, como também a criação de dois polos empresariais. Isso permitia-nos chegar a um número de empregos muito significativo, que, quer em empregos diretos quer em indiretos, se aproximava desses 10 mil. Sei que era um número ambicioso, mas optei por dizê-lo, em vez de dizer apenas que ia aumentar o emprego, para que as pessoas, quatro anos depois, me pudessem dizer: «Não criou 10 mil postos de trabalho». Eu gosto da política com números. Não gosto de dizer «Vou aumentar o emprego», «Vou diminuir o nível de poluição» ou «Vou tirar carros de Lisboa». O importante é dizer quantos é que vou tirar de Lisboa por ano. É dar um número para que as pessoas depois possam dizer se falhei ou não.

Na campanha disse frases como ‘Os ciganos só vivem dos rendimentos sociais de inserção’, mas estudos mostram que, dos ciganos do concelho de Loures, apenas 50% vivem assim.

Na entrevista ao jornal i disse que a comunidade cigana vive maioritariamente de subsídios. Essa questão foi muito discutida nos dias seguintes. A verdade é que os estudos que tínhamos disponíveis mostravam que só 15% da população de etnia cigana vive de rendimentos do seu trabalho. A questão que nos colocamos é de que é que vivem os outros. Depois, se formos ver o subsídio em termos de habitação, ou seja, a atribuição de casas, há também um número exponencial de membros de etnia cigana que vivem em casas dadas pelo Estado. Quando conjugamos isto com o número de casamentos em idade não permitida por lei, ou o número de membros na prisão, percebemos que há aqui um problema. Eu sei que as pessoas dizem que estou obcecado com isto, mas acho é que se não resolvermos este problema da integração da etnia cigana vamos ter consequências muito graves. Nós tivemos uma juíza que disse este ano que não havia problema em as crianças ciganas deixarem a escola, porque era tradição. Há uma menina com 14 anos, por exemplo, que se vê prejudicada em relação aos seus direitos normais em todo o Estado de Direito, porque se entende que deve haver aqui uma proteção especial. Mas essa proteção especial que nós damos à comunidade cigana é o que nos está precisamente a afetar o problema, porque não conseguimos resolvê-lo. Dizemos sempre que são uns coitadinhos, que não conseguem arranjar trabalho, que ninguém os quer integrar e depois achamos que temos de os proteger. Mas isto parece aqueles pais que superprotegem os filhos e depois eles tornam-se uns mimados de primeira, que só fazem disparates. Eu acho que temos de olhar para este problema com seriedade, porque ele existe. A comunidade cigana tem um problema de integração. A maioria desta comunidade não se quer integrar, mas têm de se integrar no Estado de Direito, senão não faz sentido chamar a isto Estado de Direito.

Se formos às cadeias, não são seguramente os ciganos a maioria que lá está...

Não, não são. Mas temos de comparar a percentagem no total da população prisional. Por exemplo: se a etnia cigana representar cerca de 0,5% da população do país, e nas cadeias estiverem 6, 7 ou 8%  de pessoas de etnia cigana, isto mostra uma desproporção gigantesca. Tal significa que os ciganos são mais criminosos que os outros? Não. Mas mostra que o Estado de Direito deixou de olhar para estas pessoas, preferiu criar ghettos e eles agora reagem desta forma. Arranjam problemas nos correios, nos hospitais, na Segurança Social... E depois isto fala-se em surdina nos cafés, mas quando se diz isto em público parece que vem aí uma extrema-direita que é um terror.

Qual é a solução?

A solução é, primeiro, termos regras  iguais para todos. Eu compreendo que haja tradições diferentes, mas nós não podemos ter casamentos aos 13 anos. Não podemos ter crianças retiradas da escola aos 13 anos. E temos de exigir responsabilidade àquelas comunidades a quem damos mais enquanto Estado. Nós que pagamos impostos sentimos, e bem, que temos uma responsabilidade para com os outros. Então e não há dever nenhum dos outros para connosco? Em Loures encontrei situações de dívida brutal nas casas de habitação social. Essa dívida corresponde a 12 milhões. Isto significa que há pessoas que nunca pagaram um euro pela casa que lhes foi atribuída. Se nós não lhes exigirmos, porque eles são ciganos, afro descendentes ou uns coitadinhos das minorias, nós estamos a contribuir para o pior: a criação de ghettos. Temos de lhes exigir responsabilidades. Estas pessoas têm de colaborar. Hoje a sensação que tenho é que a etnia cigana não colabora nem quer colaborar e prefere estar à margem do Estado de Direito. Eu acho que os líderes da comunidade cigana têm de ser chamados à responsabilidade e promover a integração. Não podemos ter situações como, por exemplo, aquelas agressões no hospital do Porto. Fiquei estupefacto quando vi um membro da comunidade cigana vir dizer que vai penalizar os agressores. Ou seja, a ideia que dá é que o Estado não é capaz de os penalizar, então a comunidade cigana vai fazê-lo.

Defende que eles deviam perder o rendimento social de inserção?

Sempre que vejo rendimento social de inserção e BMWs situados à porta de casa, como encontrei em Loures muitas vezes, causa-me uma enorme indignação. Sei que as pessoas podem pensar que eu devia meter-me na minha vida ou que tenho inveja de não ter um carro assim, mas não compreendo que alguém viva dos nossos impostos e tenha um BMW ou um Audi à porta. Ao lado, há casais que ganham 500 euros cada um e pedem ajuda para os filhos ou para pagar a luz e o gás e não lhes dão. Não compreendo isto. É um mau serviço que estamos a prestar à democracia.

Acha que o Estado devia tirar-lhes esse rendimento, uma vez que os sinais exteriores de riqueza que apresentam não são compatíveis com isso?

Esse é precisamente o ponto. Eu acho que temos de começar a ter em conta os sinais exteriores de riqueza e não apenas a lógica do rendimento declarado. Quem é que declara rendimento? Se alguém está a receber rendimentos do Estado de forma abrupta, não vai ter na sua declaração de rendimentos valores extraordinários. Temos é de olhar para os sinais exteriores de riqueza. Por exemplo, se alguém recebe 500 euros por mês pode ter um Audi A6 novo? É importante é ir atrás destas situações.

Na campanha eleitoral, teve problemas com a comunidade cigana? Chegou a ir a algum bairro onde moram membros dessa comunidade?

Sim, fomos à Quinta da Fonte, onde tivemos uma receção mista. Fomos não muito bem recebidos pela comunidade cigana, mas aquilo também estava muito policiado. O ambiente não era o melhor. A Polícia montou uma grande operação quando soube que lá íamos. Depois, tivemos um ou outro problema com membros da etnia cigana, que foram até reportados pela imprensa. Há até um vídeo. Mas tirando isso muitos residentes de bairros sociais vinham falar comigo e diziam-me que eu tinha razão. Muitos viviam há anos nos bairros e diziam-nos que uns contribuíam e outros não. E diziam-me que queriam que isso acabasse.

Ninguém estava à espera que abandonasse a vereação da Câmara de Loures ao fim de um ano...

Eu próprio também não esperava. Fi-lo porque, primeiro, apoiei outro candidato à liderança do PSD e, quando Rui Rio foi eleito, achei que não devia fazer críticas públicas, devia fazê-lo apenas nos sítios próprios. Mas depois percebi que as coisas não podiam ser resolvidas dentro do partido. Rui Rio queria levar o partido para um espetro político que não é o meu. Eu hoje continuo a dizer que não fui eu que ganhei, foi o PSD. Este mudou legitimamente, porque Rui Rio ganhou as eleições. Mas quando temos o líder do PSD a pôr-se ao lado do Bloco de Esquerda a apoiar novos impostos sobre a venda de imóveis é um mau sinal. Quando é o próprio líder do PSD que diz que o primeiro-ministro António Costa não tem de ir à comissão explicar a questão de Tancos, eu fiquei a pensar se o PSD agora é um partido de centro-direita ou se se tornou um partido de centro-esquerda. É legítimo ser assim, mas  esse não é o meu partido.

Em que pé está o novo partido? Já tem muitas assinaturas?

Nós começámos a recolha em novembro. Isto significa que, se as assinaturas forem entregues em dezembro, será o mais rápido que alguma vez aconteceu na democracia portuguesa. A Aliança foram quatro meses.

Está a pensar entregar já em dezembro?

Sim. É um desafio muito grande, mas nós temos tido uma adesão tal a nível do país inteiro. Há pessoas que nos contactam. E só pelo correio recebemos cerca de 100 assinaturas por ida. Ainda ontem estavam lá 140 assinaturas. Há pessoas que decidem pagar do seu bolso e recolher assinaturas nas suas terras, desde o Norte ao Sul, passando pelas ilhas, e enviam-nos. Fazem isto porque se reveem nas nossas ideias. Estão fartas do politicamente correto e isso tem-nos permitido ter uma abrangência muito grande. Resta saber se o Tribunal Constitucional vai deferir como nós esperamos este partido ou se vai optar por dar uma machadada na democracia.

Se o Tribunal Constitucional der luz verde, tencionam candidatar-se às eleições europeias?

Sim. Esperamos ser tratados como todos os outros foram, que num período muito curto tiveram uma resposta. Por exemplo, a Aliança em 20 dias teve o partido deferido. Mas há muita pressão. Ainda noutro dia, ouvi Paz Ferreira escandalosamente a dizer para o Tribunal Constitucional não diferir o Chega!, porque é um partido contra a Constituição e contra o regime. Alguém que tem a responsabilidade de Paz Ferreira devia ser mais ponderado nessa matéria.

Em que violam a Constituição?

Por exemplo, eu acho que nós não precisamos de mais de 100 deputados. Até porque para termos deputados a pintar as unhas, para dizerem que estão no Parlamento e estão noutro sítio ou para trocarem palavras-passe não vale a pena lá estarem. E a Constituição estabelece um mínimo de 180. Nós vamos propor uma revisão constitucional. Depois, defendemos a prisão perpétua. Não concebo que um Pedro Dias daqui a 12 anos e meio esteja cá fora. Não concebo que o violador de Telheiras daqui a uns anos esteja cá fora. Não concebo que aquelas pessoas que desmembraram a Joana, a miúda, estejam cá fora. O Tribunal pode olhar para isto e dizer que as bandeiras principais deste partido são contra a Constituição e decidir não nos aceitar. Mas então também temos de saber que não temos uma democracia plena.

Acha que essas medidas polémicas vão conquistar eleitores? Na verdade, foi muito criticado nas redes sociais. E chegou a ser comparado a Bolsonaro ou a Trump.

Eu já estou muito habituado a isso e não estou preocupado. Isto são as ideias em que eu acredito. Além da prisão perpétua e da castração química, defendo ainda a redução da emigração islâmica, sobretudo de países conhecidos pelo terrorismo.

Chegou a dizer que Rui Rio é extremista, mas estas medidas não são também extremistas e não podem associadas à extrema-direita?

Eu não fujo de rótulos, não me sinto de extrema-direita, porque  sou europeísta e acredito na liberdade. Acho que devemos deixar cair estes rótulos de extrema-direita e extrema-esquerda, porque só afastam o eleitorado. O que eu disse é que Rui Rio está tão preocupado em agradar ao PS que se torna uma espécie de radical de serviço. Quer tanto ser o garçon do PS que se esquece que o eleitorado dele não é esse. Acho que o PSD está à deriva. Não é por acaso que a direita se dispersa e que aparecem novos partidos e novos movimentos, porque as pessoas sentem-se desconfortáveis. Nós nunca teríamos a adesão que estamos a ter no Chega! – e Santana Lopes dirá o mesmo – se o PSD estivesse numa situação normalizada.

Voltando à comparação com Bolsonaro, também tem algum problema com a homossexualidade?

Não, mas defendo que a figura do matrimónio aplicada a pessoas do mesmo sexo deve ser diferenciada da figura do matrimónio comum. Mas a comunidade gay tem todo o direito de viver em sociedade, em plena igualdade em relação aos outros. A comunidade homossexual não levanta problemas de maior, não tem nenhum impacto negativo, pelo contrário. Acho que estão bem integrados, na sua maioria. Para mim, há apenas uma questão jurídica a resolver. O Chega! não tem nenhum dos preconceitos que a extrema-direita tem em relação aos homossexuais.

Então acha que o casamento entre homossexuais devia ter outra designação jurídica?

Sim, acho que devia ter outro enquadramento jurídico. Nós hoje o que temos em muitos países na Europa é podem casar, mas não podem adotar. Então, não é casamento. A noção jurídica de casamento inclui uma noção de família. E o que temos no caso dos homossexuais é um mini casamento. Agora em Portugal já podem adotar, mas durante muito tempo não podiam.

Se for eleito para o Parlamento, vai defender a revisão do aborto?

Não, não vou.

Porquê? É a favor do aborto?

Não sou eticamente a favor do aborto. Mas se me perguntar se sou capaz de permitir que no meu país haja um processo crime contra uma mulher que abortou, não sou. Portanto, jamais pediria essa revisão.

E em relação à prostituição? É a favor da legalização?

A legalização da prostituição tem vantagens, nomeadamente a nível fiscal, mas a nível da saúde pública e da integração. Mas, estando hoje o fenómeno da prostituição intimamente ligado ao tráfico de seres humanos, é um passo muito arriscado levar a cabo uma legalização. Agora, se me perguntar se eu quero ver as prostitutas a pagar impostos, quero, isso quero. Quero que paguem os mesmos impostos que todos os outros trabalhadores, porque quero mais integração. Agora, também preferia que as prostitutas e os prostitutos tivessem sítios próprios, onde pudessem exercer a sua atividade em segurança, com condições de higiene e a pagar impostos, em vez de estarem na rua, em lugares desprotegidos e inseguros. Devemos contribuir para uma maior humanização.

Concorda também com a criação de salas de chuto para os toxicodependentes?

Isso já é diferente. A despenalização do consumo de drogas tem levado a excessos e a incremento do consumo e do tráfico. Nós não somos a favor de uma maior liberalização do consumo de drogas. O efeito nocivo da droga é completamente diferente do da prostituição. No caso da droga, somos completamente a favor de medidas mais rigorosas de controlo. O tráfico de droga é um dos crimes que nós consideramos que, na reforma que queremos propor no Parlamento, possa chegar à prisão perpétua.

Ainda dentro dos temas fraturantes, qual é a sua opinião sobre as touradas e a descida do IVA destes espetáculos?

Eu não sou um grande fã de touradas, como não sou um grande fã de tudo o que envolve sofrimento animal. Agora, acho que uma proibição pura e súbita das touradas enquanto atividade importante para a tradição e para a economia, tendo em conta que é uma atividade fundamental em determinadas zonas, é excessivo. Portanto, o Chega! não vai defender o fim das touradas. E causou-nos alguma perplexidade uma preocupação tão grande com o IVA das touradas, quando na eletricidade pagamos 23% de IVA. Há um debate direcionado contra as touradas que nós não aplaudimos, porque trata-se de uma questão de tradição e presença local.